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Sex Shop

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Segredos do Esconderijo do Prazer

Segredos do ESCONDERIJO DO PRAZER

Texto: Gustavo Cândido

Todo mundo sabe que existe, mas ninguém comenta. Quem ainda não foi até um sex shop tem muita curiosidade em saber o que existe lá dentro, quem já foi, com certeza viu o que ele pode proporcionar para pessoas criativas na hora H. Dono do único sex shop de Bauru e região, o Wild Sex, Wildson Luiz Vitti é formado em Engenharia Mecânica, profissão que exerceu por cinco anos. Após perder o emprego ele decidiu se dedicar somente ao prazer dos outros, é ele quem conta o que acontece por trás daquele vidro fumê que "protege" a entrada da sua loja.

Jornal da Cidade - Há quanto tempo você está com o seu sex shop em Bauru?

Wildson Luiz Vitti - Já faz um ano e dois meses. Antes já existiram quatro sex shops na cidade mas o meu

é o único que foi montado em uma avenida movimentada e por enquanto está permanecendo mais tempo, os outros não duraram um ano.

JC - O fato da loja estar na avenida é muito importante?

Wildson - É, pelo pessoal de fora, porque quem compra mais são pessoas de cidades da região, pela divulgação e pelo ponto estratégico. Outro fator é que as pessoas de Marília, Pederneiras, Jaú, Botucatu, que vêm até aqui não sofrem preconceito porque não são conhecidas aqui na cidade. Param o carro na frente da loja, entram e compram.

JC - E as pessoas de Bauru?

Wildson - Eu sinto que ainda há um certo preconceito mas esse pessoal acaba comprando por telefone. Mas eu também tenho sentido que o pessoal de Bauru está ficando mais disinibido, cabeça aberta. Nos países de primeiro mundo isso é uma coisa normal, a pessoa procura o sex shop como uma alternativa para melhorar a vida sexual com o parceiro ou a parceira. O bauruense está vindo mais à loja, até por força da propaganda boca a boca dizendo que a loja é uma loja como outra qualquer. Mesmo assim quem compra mais é o pessoal de fora.

JC - Qual é o seu maior público, homens ou mulheres?

Wildson - Mulheres. Cerca de 60% das pessoas que vêm até a loja são mulheres. Muitos casais também vêm aqui, não sei se namorados, amantes, marido e mulher...

JC - Qual é o produto que você mais vende?

Wildson - Vibradores é o que mais vende, depois vêm os cremes e as lingeries. Quando eu digo vibradores também quero dizer os estimuladores também, quando se fala de vibradores fica subentendido "penetração" mas existem estimuladores que vibram sem penetração, como calcinhas vibratórias.

JC - Quando que os homens vão ao sex shop?

Wildson - Quando ele busca algo para satisfazer a sua mulher que não consegue atingir o orgasmo, ou perdeu o desejo. Eles querem apimentar o relacionamento e vêm até aqui. Geralmente eles vêm com a sugestão da própria mulher mas em alguns casos pedem opinião. A mulher às vezes vem e fica com vergonha de comprar, dai vai para casa fala para o marido ou namorado e ele vem buscar. Alguns casos o cara diz: "ela falou que estava em tal lugar da loja, é um negócio assim, assim..."

JC - Fora isso o que o homem compra para ele?

Wildson - Produtos para retardar a ejaculação, existem alguns lubrificantes anestésicos que servem para isso.

JC - Você tem muitos clientes homossexuais?

Wildson - Não. A maioria dos meus clientes são hetero. Os gays vêm mais a procura de fitas e revistas eróticas, que também não são o carro-chefe da loja e, às vezes, vêm achando que aqui é um ponto de encontro para programas, imaginando que por trás da loja existe uma rede de pontos de encontro, o que acontece muito em São Paulo. Aqui não, eu não misturo as coisas, só vendo artigos eróticos.

JC - Qual a faixa etária das pessoas que vêm aqui?

Wildson - De 30 a 60 anos, homens e mulheres.

JC - Com a onda da "Tiazinha" você vendeu muita máscara e chicote?

Wildson - O público que mais compra é o pessoal mais velho, com a onda da "Tiazinha" a coisa mudou um pouco, algemas, chicote e máscaras saíram bem. Quem comprou foram os mais novos, na faixa dos vinte e poucos anos para presentear as namoradas (os). Geralmente essa faixa compra coisas mais leves, para brincadeira, como chaveiros, isqueiros, etc. Mas essa fase já acabou.

JC - A Jornada da Sexualidade que aconteceu a pouco tempo na cidade ajudou muito nas vendas?

Wildson - Sim, após as palestras e o desfile muita gente veio até aqui. Muita gente de fora e muita gente daqui.

JC - Muita gente vai à loja por curiosidade, para saber como é?

Wildson - Sim. Muitas pessoas não conhecem um sex shop e vêm para saber como é. Como a porta fica trancada para evitar a entrada de menores a curiosidade é ainda maior. Às vezes entram muitas pessoas que não sabem nada sobre os produtos ou sobre sexo mesmo e ficam fazendo perguntas...

JC - A sua loja tem uma página na Internet?

Wildson - Tem sim, para que as pessoas tímidas ou com vergonha possam conhecer os produtos sem precisar vir até aqui.

Serviço

O WildSex fica na Av. Nações Unidas 34-14. O site na internet é: http://www.starnet.com.br/wildsex

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