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Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Aumento faz cair vendas de carros zero

Mercado de carros novos sente a pressão do aumento

Texto: Luciano Augusto

Os aumentos de preços sobre veículos zero kilômetro, repassado pelas montadoras na semana passada fez cair o movimento nas concessionárias. A alta variou de 3,98% à 9,98%. O setor, que vivia um bom momento até há alguns dias, teve que procurar alternativas como diminuir margens de lucro e valorizar um pouco mais o carro usado na troca pelo novo para atrair os compradores.

Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, disse que, mesmo que o Governo concorde em manter a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados

(IPI) para a indústria automotiva, o benefício será menor que o atual, por causa do reajuste feito pelas montadoras.

Na segunda quinzena deste mês, vence o acordo emergencial entre Governo, montadoras e trabalhadores, que reduz a alíquota do IPI dos veículos pequenos de 10% para 5%, e de 25% e 30% para 17% em relação aos carros médios e grandes. Também o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Estado de São Paulo, baixou de 12% para 9%.

Em compasso de espera com relação a uma possível renegociação do acordo, as concessionárias torcem por qualquer solução, desde que não seja um novo aumento dos preços. Hoje, o assunto está sendo discutido em encontro entre representantes da indústria automotiva, sindicalistas e o secretário da política industrial, Hélio Mattar.

Fernando Vieira de Mello, 37 anos, gerente de vendas de veículos novos, da Amantini Veículos, concessionária Chevrolet, disse que o consumidor só não desapareceu completamente,

"porque sabe que se comprar o carro agora, pode ser mais barato" do que após a renegociação do acordo. Mello aponta que a concessionária "fez uma média" e não repassou integralmente os aumentos repassados pelas fábricas. "Nossa margem caiu e se vier o aumento de impostos não temos como absorve-lo", complementa. O movimento de clientes que já diminuiu em relação a abril, pode retrair completamente, segundo o gerente, caso o acordo não seja refeito.

O proprietário da revenda Ford em Bauru, Simão Veículos, Nilson Simão, 60 anos, também acusou queda de até 20% na procura pelo carro zero. A revenda, por possuir cerca de 30 carros em estoque faturados com o preço antigo, ainda não aplicou integralmente os preços da nova tabela. Em outros casos, o carro usado está sendo valorizado, sem fugir do preço de mercado. Simão está confiante na renovação do acordo, "porque se ele (o acordo) não sair vai ser um caos, com 40% de retração no mercado".

Na Baurucar, revenda Voskwagen, o vendedor de veículos novos, João Marques Abreu, 59 anos, afirmou que "o movimento está bem abaixo da média", confirmando o movimento descendente. A loja está com preços promocionais, que são, segundo o vendedor, praticamente idênticos aos praticados antes da alta. Os carros foram faturados ainda no preço anterior ao aumento. Para ele, o Governo deve renovar o com as montadoras, porque "arrecadou bem mais do que esperava, acima até das expectativas".

Estudar caso a caso, para facilitar os negócios, foi a saída encontrada pela revenda da Fiat na cidade, Meta Veículos. De acordo com o vendedor Ruy Karg, 38 anos, a revenda já pratica a nova tabela, e para não perder negócios optou por "julgar caso a caso". A revenda também trabalha com os preços antigos e está valorizando o carro usado.

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