Cerca de 1.000 armas são ilegais na região
Cerca de 1.000 armas são ilegais na região
Texto: Adriana Amorim
Aproximadamente 1.000 armas de fogo estão em poder da população nas 18 cidades englobadas pela Delegacia Seccional de PolÃcia de Bauru de forma ilegal. O número corresponde à porcentagem aproximada de 40% do total de 2.500 armas registradas e que não foram recadastradas dentro das exigências da lei 9.437 de 1997.
As armas que possuem registro, mas não foram redastradas no ano passado são consideradas ilegais pela polÃcia. Elas só podem ser legalizadas quando for aberto um novo perÃodo de recadastramento. Por isso, os proprietários que forem pegos com o armamento nessa situação sofrem as mesmas penalizações que as pessoas que possuem a arma sem registro na polÃcia.
A quantidade de armas que circula ilegalmente em Bauru é ainda maior. Isso porque as estatÃsticas não mostram o número de armas que foram adquiridas através de contrabando, por exemplo, e que não estão registradas. Os números da Delegacia Seccional, no entanto, dão indÃcios de que a quantidade de armas compradas de forma ilegal vem crescendo.
Com a imposição de dificuldades para aquisição, o número de armas registradas em Bauru caiu de 774 em 1997 para 52 no ano passado e 41 até abril deste ano. Enquanto isso, as apreensões feitas pelas polÃcias Civil e Militar aumentaram, o que mostra que as dificuldades impostas para a compra fizeram a população recorrer a maneiras ilegais para ter acesso ao armamento. Até abril deste ano, foram apreendidas 99 armas, 327 no ano passado e 256 em 1997. Este ano, a polÃcia vem apreendendo uma média de uma arma por dia.
"Se estamos apreendendo uma arma por dia não podemos negar que existe muito armamento ilegal", afirma o delegado assistente da Seccional, Dinair da Silva. O comandante da 1ª Companhia da PolÃcia Militar em Bauru, Benedito Roberto Meira, acrescenta que as armas ilegais chegam na cidade principalmente através do contrabando feito no Paraguai.
Segundo Meira, a maior parte das armas compradas ilegalmente chegam nas mãos dos criminosos. No entanto, pessoas que não se enquadram no mundo do crime também são seduzidas pelas 'vantagens'. "Muita gente é iludida por causa do preço mais baixo e por ficar livre da burocracia da legalização", explica.
Trabalho
Para o delegado assistente da Delegacia Seccional, o aumento no número de apreensões não reflete apenas a grande quantidade de armas em circulação, mas também o trabalho que vem sendo desenvolvido pela polÃcia. Ele diz que o aumento da violência nos últimos anos estimulou as polÃcias a aumentar as blitze e fazer um trabalho mais intenso para tirar as armas de circulação.
O delegado acredita ainda que a população se conscientizou em relação ao perigo das armas, o que também justificaria a queda no número de registros.
Para amenizar os problemas ocasionados com a presença de armas em circulação, Silva defende mais rigor na legislação que permite o acesso ao armamento. "Eu acredito que o porte não deveria ser permitido e o registro deveria ser concedido apenas através de justificativa e para atividades que realmente necessitam, como empresas de segurança".
O comandante da 1ª Companhia defende também mais rigor na fiscalização das fronteiras para evitar a entrada de armamento ilegal no Brasil. "Eu acho que é aà que está o problema", diz. Meira acredita ainda que deveria haver mais dificuldades para a exportação de armas, que acabam voltando com preços mais baixos de forma ilegal para o PaÃs.