Esquenta campanha salarial dos eletricitários
Esquenta campanha salarial dos eletricitários
A campanha salarial dos eletricitários ganhou força a partir de ontem, com a realização de assembléias em diversos locais de trabalho da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Companhia Energética de São Paulo
(Cesp) e Elektro. Ontem em Bauru, 70 trabalhadores da CPFL e mais 146 da Cesp aprovaram, com maioria absoluta, a proposta de assembléia permanente da categoria.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas (Sinergia), Alcides Moisés de Souza, 49 anos, as reivindicações passam pelo reajuste salarial corrigidos de acordo com ICV-Dieese (que é de 2,34% até o mês de abril), aumento real a tÃtulo de produtividade (31,1% na CPFL e 10% na Cesp, com base nos Ãndices equivalentes à variação de energia vendida por empregado de cada empresa. Na Elektro, o Ãndice é de 13,1%, percentual de crescimento da quantidade de energia fornecida por empregado), reajuste automático sempre que a inflação medida pelo Dieese atingir 5%, ampliação e aperfeiçoamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Também foram aprovadas, segundo Souza, paralisações que começam no dia 01 de junho na Cesp, quando os trabalhadores devem interromper as atividades por três horas. No dia dois de junho, deve ocorrer paralisação de uma hora na CPFL e na Elektro. As paralisações acontecerão durante todo o mês de junho.
Como resultado da mobilização da categoria, a Cesp marcou a primeira rodada de negociações para hoje de manhã, em São Paulo. Já a Elektro ainda não fixou nenhuma data para iniciar as negociações, que deverão ser feitas na próxima semana. Os trabalhadores querem prorrogar o acordo coletivo feito com a empresa e que tem validade até 31/05/2000. A intenção é estende-lo até 2003. Na CPFL, a situação
é um pouco mais complicada. Empresa e sindicato estão tendo dificuldades em chegarem a um acordo.
O ponto discordante é o horário de trabalho. A CPFL estipulou um novo horário dos turnos, pelo qual os trabalhadores deverão, segundo o sindicato dos eletricitários, cumprir 58 horas semanais contra as 44 previstas na Constituição. Uma liminar concedida pelo juiz da 3.ª Junta de Conciliação e Julgamento, MaurÃcio T. Fuzita, resultado de ação judicial do sindicato, suspendeu a mudança de turno.
O juiz Fuzita, na sua argumentação, disse que "o novo horário poderá acarretar maiores riscos aos trabalhadores, inclusive à vida e integridade fÃsica dos mesmos, devido à maior exposição aos perigos inerentes à profissão e à atividade desenvolvida".