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Depoimento de Izzo

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 7 min

Advogado diz que Izzo está tranquilo

Izzo diz que ofensa não foi intencional

Texto: Josefa Cunha

O ex-prefeito Antonio Izzo Filho, preso há 10 dias em cela especial do 1.º Distrito Policial de Bauru, foi conduzido na tarde de ontem ao Fórum para prestar depoimento em ação penal que responde por crime de injúria contra o promotor Carlos Roberto Simioni, autor de várias denúncias contra a pessoa e o governo do ex-prefeito. Ele foi ouvido pelo juiz da 3.ª Vara Criminal, João Augusto Garcia, por exatos 25 minutos, acompanhado do advogado Ailton Gimenez. Os promotores José Roberto Martins Segalla e Hércules Sormani também participaram da audiência.

Izzo deixou o 1.º DP pouco antes da uma hora da tarde, escoltado por três policiais civis. Ele foi conduzido ao Fórum em uma viatura do Garra e chegou para depor sem algemas. Apesar do direito à cela especial, Izzo, pela condição de preso, deveria ter sido algemado. A lei não faz distinção entre preso especial ou comum nesse caso.

Com um sorriso inclassificável no rosto, o ex-prefeito chegou em meio ao atropelo de jornalistas e curiosos, sendo levado diretamente à sala do juiz. Ele se recusou a falar com a imprensa ao chegar e ao sair, pronunciando indistintamente a palavra "não" para todas as perguntas que lhe foram feitas. Segundo o advogado Ailton Gimenez, Izzo Filho não concederá entrevistas enquanto não obtiver resultado do habeas-corpus solicitado ao Superior Tribunal de Justiça

(STJ), em Brasília. A instância judiciária ainda examina o processo, mas pode julgar o mérito da questão a qualquer momento.

Apesar de estar preso por outras acusações, Izzo Filho depÃs em relação à declaração feita à imprensa de que Carlos Roberto Simioni era parcial. Na época, ele fez o comentário em resposta ao não-acolhimento pela Promotoria de algumas denúncias contra seu antecessor, Tidei de Lima (PMDB), as quais julgava dignas de apuração por parte do Ministério Público.

O juiz João Augusto Garcia, designado pelo Tribunal de Justiça (TJ) para ouvir o ex-prefeito, informou que o acusado confirmou ter feito a declaração, mas que negou ter tido intenção de dizer que Simioni prevaricou, ou seja, que faltou com o dever de receber a denúncia no intuito de prejudicar ou beneficiar esta ou aquela parte. "Ele afirma que usou o termo parcial apenas para manifestar o que julgou ser um tratamento desigual", resumiu o juiz, salientando que sua função no caso é de ouvinte, não de julgador. Como o fato ocorreu na época em que Izzo ainda era prefeito, o processo foi para foro especial e será julgado pelos desembargadores do órgão - o relator

é Ângelo Gallucci.

O depoimento do ex-prefeito será encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, juntamente com a defesa prévia que deverá ser anexada aos autos dentro dos próximos três dias. A defesa escrita terá a mesma sustentação do que foi dito em juízo: a ausência da intenção de ofensa. O processo deverá retornar a Bauru para que o Fórum local providencie a oitiva das testemunhas arroladas e da própria vítima

- no caso, o promotor Simioni. A tramitação de processos dessa natureza costuma ser longa e a previsão é que a sentença seja proferida somente no próximo ano.

Advogado diz que Izzo está tranqÃilo

Texto: Josefa Cunha

O advogado de Antonio Izzo Filho em Bauru, Ailton Gimenez, acompanhou o depoimento de seu cliente e deixou o Fórum logo após a recondução do ex-prefeito ao 1.º Distrito Policial. Gimenez falou das expectativas em relação ao habeas-corpus - em vias de ser julgado - e de como anda o ânimo de Izzo desde que foi encarcerado, há 10 dias. A seguir, trechos de entrevista concedida pelo advogado, na saída do Fórum.

Imprensa - O que o ex-prefeito declarou ao juiz?

Ailton Gimenez - Ele confirmou o que havia declarado à imprensa, mas alegou que a intenção daquela afirmação jamais é a que consta na denúncia, na qual ele é citado por acusar o promotor de prevaricação. A verdade é que ele mandou ao Ministério Público algumas denúncias contra o Tidei de Lima, as quais ele entendia ser de relevância para apuração. O MP não tomou providências. Quando em sua gestão, porém, denúncias iguais restaram em processo, enquanto as que ele havia feito não tiveram o mesmo encaminhamento. Ele apenas manifestou sua estranheza. Quando disse parcial, ele na verdade quis dizer que estava ocorrendo interpretações diferentes para casos que ele, Izzo, julgava iguais. Daí a fazer uma afirmativa de que o promotor prevaricou está bem longe. Ele não falou isso e nem tinha condições técnicas para fazer tal afirmativas. Ele não disse que o promotor prevaricou, jamais disse que ele deixou de praticar ato para beneficiar ou prejudicar alguém.

JC - Mas em outras oportunidades, o ex-prefeito dirigiu ofensas e críticas aos promotores...

Gimenez - Esse processo está tratando exatamente deste caso. Eventuais outras colocações não estão sendo julgadas. Além disso, ele não procurou ninguém para falar contra o promotor; foi a imprensa que o procurou quando da declaração da parcialidade.

Imprensa - Os comentários de que o Izzo estaria sendo transferido para o Cadeião são procedentes?

Gimenez - Ele tem direito à cela especial, ou seja, a um tratamento diferenciado, por sua formação superior. Se caso ele for transferido para outro local e esse local possuir essas especialidades não vejo problema nenhum.

JC - Quem está pedindo ou cogitando essa transferência?

Gimenez - Eu não tenho nada de oficial sobre isso, mas, segundo informações que recebi, a transferência seria por motivos de facilidade funcional. No Cadeião, já existe quadro de funcionários fixo e isso dispensaria o deslocamento de efetivo só para atender à cela do 1.º DP.

Imprensa - Há comentários de que o próprio Izzo pediu a transferência por questões de segurança...

Gimenez - Eu não sei se os motivos que eu citei agora realmente são procedentes; pelo menos foi o que eu ouvi. Mas eu posso garantir com toda a segurança que, em absolutamente, ele não pediu isso. No que depender de nós, nenhuma mudança será pleiteada.

Imprensa - No dia em que o ex-prefeito foi preso, o senhor disse que haveria uma entrevista coletiva, na qual ele até apresentaria documentos provando sua inocência. Essa intenção continua?

Gimenez - Não, não continua. Ele não está mais pretendendo dar entrevistas. O Izzo se chateou com um repórter que adentrou no setor da carceragem no dia da prisão. Esse repórter insistiu para que ele desse entrevista, agindo, no meu ponto de vista, de maneira até anti-ética, desrespeitando inclusive a ordem da autoridade policial. Acredito que esse fato tenha motivado o silêncio dele.

JC - Como vêm sendo os dias de Izzo desde a prisão e quais as expectativas do senhor quanto à liberdade dele?

Gimenez - Olha, posso dizer que ele está passando esses momentos com serenidade. Quanto ao habeas-corpus, digo que sempre que a gente toma uma iniciativa na área jurídica, a expectativa é de que o resultado seja positivo e continuo pensando assim, achando que conseguiremos uma decisão favorável.

Imprensa - E sobre aquele sorriso que ele esboçou ao entrar e sair do Fórum?

Gimenez - Às vezes, se ri de nervoso, de contente ou para não chorar. Não posso dizer por ele, mas posso afirmar que ele tem demonstrado certa tranqÃilidade quanto à sua inocência. Ele acha que num julgamento sereno, conseguirá ser absolvido.

JC - Hoje faz 14 dias que ele está preso, sendo que o julgamento era esperado para os dias seguintes à sua apresentação. A estratégia deu errado?

Gimenez - Eu digo e repito que não houve nenhuma estratégia processual no fato do Izzo se entregar. Ele se apresentou exclusivamente porque julgou ser o momento oportuno, principalmente sob o aspecto psicológico. Nós, advogados, já sabíamos e transmitimos a ele que o julgamento do habeas-corpus demoraria. Dissemos a ele que se esse fosse o motivo, ele deveria aguardar mais, que aquele não era o momento.

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