Ato contra FHC é reprimido pela PM
Ato contra FHC é reprimido pela PolÃcia Militar
Texto: Luciano Augusto
Durante a realização de ato encampado pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região, ontem, chamado de "operação anti-abafa", que cobrava a continuidade das investigações sobre o envolvimento do presidente Fernando Henrique Cardoso no processo de privatização da Telebrás com um dos grupos concorrentes no leilão, a PolÃcia Militar (PM) interviu tentando retirar os cartazes que estavam sendo colocados em frente
à loja Bunny's, na quadra cinco do Calçadão da Batista de Carvalho.
O soldado PM Jorge Santos, chegou em meio aos manifestantes e começou a retirar os cartazes que estavam pregados em frente
à vitrine da loja. Segundo informações do gerente regional da Bunny's, Delton Ramos, 28 anos, teria sido ele quem pediu a intervenção da PM, porque os cartazes estavam atrapalhando a entrada de clientes em sua loja. Em seguida, os manifestantes vieram cobrar uma posição do soldado PM e iniciou-se uma discussão. Os policiais que fazem a ronda no Calçadão decidiram chamar reforço para acalmar os ânimos.
O tenente Costa Duarte, da PolÃcia Militar, atendendo ao chamado do gerente regional da Bunny's, conduziu os manifestantes Marcos Aurélio Silvestre, Laércio Pereira, ambos do sindicato dos bancários, e Marcus Vinicius Marim, integrante do Movimento dos Sem Terra (MST) de Iaras, até o 3.º Distrito Policial, onde eles foram ouvidos. Ramos também acompanhou os policiais até o distrito policial.
Lá foram feitos dois boletins de ocorrência. Um por desacato e ameaça ao soldado Jorge Campos, e outro, pelos sindicalistas, por abuso de autoridade.
"Operação anti-abafa"
A "operação anti-abafa" feita ontem à tarde pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região, teve como intenção principal chamar a atenção da sociedade para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o sistema financeiro. Para o sindicato, a polÃtica do presidente Fernando Henrique Cardoso beneficia os grandes grupos econÃmicos, principalmente os bancos.
O sindicato dos bancários afirma que nas investigações relacionadas com a CPI do sistema financeiro fizeram de tudo, num primeiro momento, para não aprofundarem em uma investigação em todo o sistema financeiro, numa tentativa de abafar os fatos e atrapalhar a apuração dos fatos.
Como aponta Laércio Pereira, diretor do sindicato dos bancários,
"se tivesse uma investigação em todo o sistema financeiro, com certeza o governo cairia de uma hora para outra". Ele prega ainda a necessidade de realização de novas eleições para presidente, caso FHC perca o cargo.
Nesta semana, a imprensa divulgou gravações telefÃnicas, as quais demonstram que o presidente tomou conhecimento e autorizou a pressão para que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, o Previ, se associasse ao Banco Opportunity, de propriedade do ex-presidente do Banco Central no primeiro mandato de FHC, Pérsio Arida.
No ato, o sindicato distribui mil panfletos explicativos para a população e adesivos para carros. Também estavam sendo vendidas camisetas, por R$ 3,00, com os dizeres:
"Fora FHC e o FMI".