Preço do álcool varia em 155% na região
Preço do álcool varia em 155% na região
Texto: Márcia Buzalaf
O preço do álcool varia em 155,85% nos postos de combustÃveis de Bauru e região. A porcentagem foi calculada levando-se em conta o preço à vista e a prazo, em postos de revenda de Bauru, Barra Bonita, Bariri, Dois Córregos e Jaú. O preço mais baixo encontrado para o litro do álcool à vista foi de R$ 0,299, em um posto de Jaú. O mais caro, R$ 0,765, é praticado em Bauru pelo litro do álcool comum a prazo.
A denúncia de que alguns postos da região estariam vendendo álcool mais barato partiu de um consumidor, Sérgio Ricardo Rodrigues, 30 anos. O representante comercial, que viaja bastante pelo interior, afirma que em muitas cidades, sua economia poderia ser reduzida pela metade, só pela compra do álcool em postos que praticam preços mais baixos.
Apresentando quatro notas fiscais de postos de Bauru, Igaraçú do Tietê, Dois Córregos e Sorocaba, nota-se que o litro mais barato por ele encontrado é o de Sorocaba (R$ 0,299) e o de Bauru, R$ 0,457, é o mais caro. "Para quem viaja, não tem como não perceber a diferença de preços", diz Rodrigues.
Os preços de Bauru à vista giram na casa dos R$ 0,40 (entre R$ 0,41 e R$ 0,4 8). A prazo, a faixa é entre R$ 0,549 e R$ 0,765).
Na opinião do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (SincoPetro), Davilço Graminha, 43 anos, a diferença de preços cheira ou irregularidade fiscal - sonegação de ICMS e PIS/Cofins
- ou perda de lucro por parte do proprietário. "Para vender álcool a R$ 0,299, com certeza absoluta, o posto não está recolhendo um centavo de imposto", garante Graminha.
No cálculo dele, só de impostos o proprietário de posto tem que pagar 25% de ICMS e 3,65% de PIS/Cofins. "Ao todo, é 28,65% só de impostos", afirma.
Apesar de dizer que cada posto tem sua polÃtica, preço do litro do álcool não é menor do que R$ 0,40 se for comprado diretamente de uma distribuidora séria, que recolhe seus impostos. A este preço, pode ser somada uma margem de lucro de aproximadamente R$ 0,13, que na opinião do presidente do sindicato é o ideal. "Quando o preço era definido pelo governo, a margem de lucro de R$ 0,19. Alguns proprietários de postos, entretanto, afirmaram que atualmente está sendo colocada uma margem de R$ 0,10 por litro.
Algumas revendedoras de combustÃveis, na opinião de Graminha, podem até estarem comprando álcool diretamente da usina de cana, o que é ilegal.
Quando questionado sobre a diferença de preços nos postos de Bauru e região, ele afirma que o preço do transporte de combustÃveis é igual em cidades localizadas em um raio de 40 Km.
Na última semana, as usinas aumentaram o preço em 66,7%. De acordo com Graminha, alguns distribuidores pequenos que estavam praticando R$ 0,23 já reajustaram para R$ 0,34 o litro do combustÃvel. Já as grandes empresas passaram de R$ 0,30 para R$ 0,39, aproximadamente.
Na segunda-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, anunciou que o preço entre R$ 0,23 e R$ 0,24 por litro de álcool anidro é praticável, sim. Na última semana, o Governo Federal comprou 96,8 milhões de litro do combustÃvel de empresas de São Paulo para poder manter o preço baixo. O litro do álcool saiu pela média de R$ 0,25 para o órgão público.
Já com a gasolina, o menor preço do litro da gasolina em Bauru, de acordo com Graminha, é de R$ 0,919. Na distribuidora, o preço do combustÃvel é de R$ 0,83 por litro, segundo o sindicato.
Diante destes dados, o sindicalista afirma que a gasolina sofre com o problema da adulteração dos combustÃveis, da isenção fiscal e da diminuição da margem de lucro.
Na opinião do sindicalista, o consumidor deve tentar aliar preço e qualidade, para não prejudicar nem seu veÃculo nem o PaÃs.