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Antibióticos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Bactéria já resiste às drogas mais potentes

Bactéria já resiste às drogas mais potentes

Texto: Sabrina Magalhães

O tratamento com antibióticos deve começar sempre pelas drogas mais fracas. Se elas não resolvem, então o médico prescreve as mais potentes

Uma bactéria chamada Staphylococcus aureus está aterrorizando os médicos de todo o mundo. Quando identificada, era eliminada por três dos antibióticos mais potentes desenvolvidos até hoje. Agora, de acordo com a infectologista Denise Arakaki, ela só é sensível a uma destas drogas. "É o germe que mais aparece nas infecções hospitalares atualmente. Se você apresentar uma infecção por este germe - e em geral são infecções graves -, você só pode lançar mão deste remédio, senão, não tem o que fazer. E ele mata."

A afirmação é reforçada pela também infectologista Cibele Ghedini AntÃnio, responsável pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, do Hospital de Base, em Bauru. Segundo ela, esta bactéria, que hoje é o principal exemplo de resistência, seguida de outros germes, pode causar desde infecções de pele e pneumonia até infecções generalizadas.

"Imagine que você tem um bichinho X, que morre com um remedinho Y muito suave, que apresenta pouca reação

(ao organismo humano). Se todo o mundo usar esse remedinho Y, com o passar do tempo, esse bichinho não vai responder mais àquele remédio. Aí, quando você tiver uma infecção por esse germe, vai ter que tomar um remédio mais forte. E mais forte significa mais caro e com mais efeitos colaterais. Isto é a resistência bacteriana", explica Arakaki.

Em outras palavras, o medicamento mata a bactéria em questão, mas algumas, mais fortes, sobrevivem e são transmitidas para outra pessoa. Quando esta pessoa tomar aquele medicamento, a bactéria não será eliminada - ela já sobreviveu àquela droga uma vez, já está resistente ao remédio e só será combatida por um antibiótico mais potente.

As especialistas ressaltam que esta resistência está aumentando proporcionalmente ao mau uso dos antibióticos, donde se destacam: a auto-medicação, associação de antibióticos, administração precoce de drogas mais potentes, doses inadequadas, interrupção de tratamentos. Atitudes que precisam ser revistas a curto prazo.

Começar pelo mais fraco

"Uma das funções da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar é ajudar o médico a fazer a escolha do melhor antibiótico para seu paciente", afirma Cibele. Ela observou que o objetivo é iniciar o tratamento sempre com fórmulas mais simples. Se o paciente não responder ao medicamento, o médico troca por algo um pouco mais potente, sucessivamente, até a cura da doença. "Se você iniciar o tratamento com antibióticos mais potentes, e que, por sua vez, são os mais caros, talvez resolvam as infecções mais depressa (...) Mas optando pelos mais simples, a gente poupa aqueles que têm maior poder de atuação (para tratar casos mais complexos)."

Para fazer esse controle, segundo a infectologista, o Hospital classificou os vários tipos de antibióticos em três grupos: os medicamentos liberados, os controlados e os restritos. Os liberados são os simples, que podem ser prescritos conforme os critérios do profissional. Os outros dois exigem que o médico preencha uma ficha de Solicitação de Antimicrobianos.

"Nesta ficha, o médico vai colocar o nome do paciente, alguns dados sobre o que está acontecendo com ele, sobre a infecção, se ele passou por uma cirurgia e, daí, surgiu uma infecção, ou se era uma pneumonia e precisa ser tratada com aquele antibiótico. Essa ficha passa pela avaliação da Comissão. Se houver necessidade, a gente senta para discutir o caso com o médico, para escolher a melhor terapia para o paciente, sempre pensando que aquele antibiótico pode trazer algum problema no futuro para o paciente, como a resistência."

Desperdício antigo

Há dois anos, o Ministério da Saúde divulgou que cerca de 30% dos 12 milhões de pacientes que se internaram pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no intervalo de 12 meses tomaram antibióticos sem apresentar qualquer tipo de infecção. Considerando-se que o Governo Federal gastava, na época, R$ 500 milhões por ano com esses medicamentos, podia-se calcular um desperdício anual de R$ 20 milhões.

Na época, o Ministério já citava o uso indiscriminado das drogas como o principal responsável pelo alto índice de infecções hospitalares no Brasil. Em 1996, de cada 100 pacientes internados em hospitais brasileiros, 13 contraíram algum tipo de infecção hospitalar. Em hospitais públicos, eram 18 a cada 100 internados. Em setores como a UTI neonatal e a unidade de queimados, esse índice ficara acima dos 38%, enquanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que este índice não ultrapasse os 10%.

De lá para cá, o Governo já investiu em várias campanhas junto à comunidade médica contra o abuso dos antibióticos. A meta era reduzir os índices em 70% até 98. Ainda não há informações oficiais sobre os resultados. (Fonte: Internet)

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