AHB inicia fechamento de leitos do Manoel de Abreu
AHB inicia fechamento de leitos do Manoel de Abreu
Texto: Paulo Toledo
Desde a zero hora de ontem, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) parou de aceitar internações no Hospital Manoel de Abreu, apesar das solicitações existentes, principalmente, do Pronto-Socorro Municipal (PSM). A atitude faz parte da desativação de 153 dos 176 leitos daquela unidade hospitalar. O diretor da Divisão Regional do Serviço
Único de Saúde (DIR-X), Flávio Badin Marques, 40 anos, iniciou negociações para tentar amenizar o problema.
Reinaldo Silvestre Rocha, 42 anos, diretor da AHB, informou que, ontem, 82 pacientes estavam internados e, conforme tiverem alta, as vagas não serão ocupadas. Só continuarão, por enquanto, em operação, 13 leitos para tuberculosos e 10 para portadores de HIV. O Manoel de Abreu é o único hospital que atende doentes de Aids em 41 municípios da região. Antes, existiam 32 vagas para esse tipo de doença.
Ontem pela manhã, houve uma renião entre o diretor da DIR-X, Flávio Badin Marques, 40 anos, e o presidente da AHB, Joseph Saab, 53 anos, na qual Marques solicitou a Saab que a diretoria da AHB revisse a desativação de, pelo menos, parte dos leitos. Para ele, da forma que está será impossível para o Pronto Socorro. A resposta deve ser dada hoje.
Marques disse que conversou, na tarde de ontem, com o coordenador de Saúde do Interior, Luiz Mussolino, que agendou um encontro com a diretoria da AHB, na próxima terça-feira,
às 17 horas, para discutir o assunto. O diretor da DIR-X disse que o problema do Manoel de Abreu é muito mais financeira do que estrutural do prédio. "A parte estrutural do prédio já está ruim há um bom tempo. Agora, está fechando, principalmente, por esse bloqueio de 10% do faturamento (que foi determinado pela Justiça Federal). Estamos tentando negociar, pois não vai dar para suportar dessa forma, vai ser muito complicado", destacou.
Na última sexta-feira, Saab disse que não há mais condições de manter o funcionamento, em razão da falta de segurança para os pacientes.
Desde o ano passado, parte do prédio, contruído em 1951, que abriga a cozinha do Manoel de Abreu, já havia sido condenada. Para o engenheiro da AHB, Salvador Aversano, 44 anos, há risco de desabamento, que poderia comprometer
áreas que estão pouco afetadas atualmente, num efeito em cadeia. Além disso, há risco de explosão na caldeira que atende à unidade.
Também na última sexta-feira, a secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, 47 anos, previu que o caos vai se instalar no atendimento público de saúde de Bauru. Ontem, porém, apenas sete pessoas esperavam no Pronto-Socorro internação no Manoel de Abreu. Mas, a secretária informou, via Assessoria de Imprensa, que a segunda-feira foi atípica, "com uma calma fora do normal".
Vale lembrar que, com a desativação, Bauru passa a ter o mesmo número de leitos de 1966, quando foi desativado o Hospital Salles Gomes, que era mantido pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
De acordo com a AHB, o Estado está ciente das condições e riscos do Manoel de Abreu, há mais de um ano. O déficit financeiro gerado pelas internações pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) no Manoel de Abreu foi de US$ 1,3 milhão. A recente sentença da Justiça Federal na instância de Bauru, determinando a retenção compulsória de 10% da sua receita junto ao SUS, para abater débitos com o INSS também influenciou a desativação.
Fisioterapia
Desde ontem, a Fisioterapia do Hospital de Base deixou de receber pacientes novos, passando a cuidar apenas dos agendados. Serão concluídos os tratamentos já iniciados e a unidade funcionará apenas para pacientes internos, durante o período que durar a internação. Ontem, ainda foram atendidos cerca de 150 pacientes.
A Fisioterapia acumula prejuízos há anos, face a baixíssima remuneração do SUS. No ano passado o déficit foi de R$ 78 mil. Neste primeiro trimestre já ultrapassou R$ 38 mil.
Serviços ambulatoriais como quimioterapia, radioterapia, laboratório, raio-x, serviço de endoscopia e eletrocardiograma não serão afetados, informa a associação.
Prazo
Para Reinaldo Rocha, dificilmente será possível reativar os leitos do Manoel de Abreu, pois isso só poderá ocorrer quando a unidade tiver segurança para voltar a receber pacientes. De acordo com ele, uma solução rápida demoraria, pelo menos, 60 dias, uma vez que é necessário demolir e reconstruir a cozinha, além de checar as outras paredes afetadas e eliminar os riscos que a caldeira apresenta. Mas, para isso, é necessário que se tenha dinheiro, o que a entidade não possui. "A questão é física, estrutural. Não podemos ficar arriscando a vida de funcionários e pacientes", afirmou.
Secretaria
A diretora de Departamento da Coordenação de Saúde do Interior, Silvany Portas, 38 anos, disse, ontem à Agência Folha, que a Secretaria da Saúde está avaliando a proposta do repasse de recursos. Segundo ela, o hospital desrespeitou a cláusula do convênio com o SUS que estabelece prazo de 90 dias para o rompimento. Rocha disse que o convênio não foi rompido. "Só estamos reduzindo o atendimento, principalmente por causa das condições precárias do prédio, com risco de desabamento" , disse.