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Tráfico de drogas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Apreensão de crack cresce quase 300% em Bauru

Apreensão de crack cresce quase 300% em Bauru

Texto: Ieda Rodrigues

A quantidade de crack apreendido em Bauru, nos primeiros quatro meses deste ano, praticamente triplicou em comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a abril de 1998, foram apreendidas 238 gramas da droga, quantidade que saltou para 704 gramas nos primeiros quatro meses deste ano. A pedra de crack comumente vendida a R$ 10,00 pesa menos de 1 grama.

Objetivando combater o crescimento do crack na cidade, que está ocorrendo em todas as cidades do mesmo porte de Bauru do Estado de São Paulo, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) vai intensificar a fiscalização, priorizando áreas consideradas mais críticas. Para esse trabalho, a Dise conta com a ajuda da população, que pode denunciar, sem identificar-se, a ocorrência de tráfico.

O delegado titular da Dise, Renato Cagnacci, explicou que o crack está ocupando o lugar de outras drogas, como a cola de sapateiro, maconha e cocaína. Ele ressaltou que o crack, por ser altamente viciante - estudos apontam que na terceira vez de uso a pessoa já está viciada - é uma droga que preocupa muito, pois desencadeia outros crimes.

Conforme explicou Cagnacci, o usuário de crack, para sustentar seu vício, muitas vezes, torna-se um pequeno traficante, furta ou rouba. Ou, ainda, alucinado com a droga, com a sensação de estar sendo perseguido, agride outras pessoas - até familiares - e até comete homicídio.

O delegado disse que vários pais deram depoimentos, na Dise, de que seus filhos viciados em crack destruíram móveis quando estavam sob efeito do crack. Outro aspecto que mostra o potencial destrutivo do crack, em comparação a outras drogas, ressaltou Cagnacci, é a dificuldade de recuperação do usuário dessa primeira droga.

Prisão de traficantes

Com base nos dados que a Dise dispõe sobre venda e consumo de crack, serão priorizadas as áreas consideradas mais críticas. Nessas áreas, a Dise vai intensificar a fiscalização, em parceria com a Polícia Militar, visando prender os traficantes, a única maneira de reduzir o consumo de crack na cidade.

Cagnacci disse que a prisão dos traficantes não

é fácil devido às táticas adotadas. Eles usam menores, os "aviões, para entregar a droga ou a esconde na via pública - em arbusto, árvore e pedra - para não ser incriminado caso a polícia descubra o entorpecente.

Nos primeiros quatro meses deste ano, 55 pessoas foram presas por tráfico, contra 36 no mesmo período do ano passado. O aumento, de acordo com o delegado da Dise, mostra que o policiamento já vem sendo intensificado. Para conseguir reduzir o tráfico de crack e de drogas de maneira geral, Cagnacci espera contar com a ajuda da população, que pode denunciar, pelo telefone 147, a ocorrência de tráfico ou qualquer suspeita do crime.

A idade de ingresso no crack, segundo o delegado da Dise, Renato Cagnacci, é a pré-adolescência - dos 12 aos 15 anos. Sobre o usuário, ele ressaltou que a maioria dos usuários são pessoas que têm menos acesso

à informação, das classes mais baixas.

Crack apreendido em Bauru

* Janeiro, fevereiro, março e abril de 1998 - 238 gramas

* Janeiro, fevereiro, março e abril de 1999 - 704 gramas

Presos por tráfico

* Janeiro, fevereiro, março e abril de 1998 - 36

* Janeiro, fevereiro, março e abril de 1999 - 55

Idade de ingresso na droga

* Pré-adolescência (entre 12 e 15 anos)

Perfil do usuário

* Com pouca informação, geralmente da classe baixa

Região de maior venda e consumo

* Bairros da periferia

* Área central

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