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Mercado de trabalho

Luciano Augusto
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Tralhadores formais em Bauru somam mais de 57 mil

Trabalhadores formais em Bauru somam mais de 57 mil

Texto: Luciano Augusto

A agência de banco de dados Datamec ligada à Caixa Econômica Federal e que presta serviço ao Ministério do Trabalho, firmou "parceria" com a Sub-Delegacia do Ministério do Trabalho em Bauru, para atualizar, a cada três meses, oos números relativos ao mercado de trabalho. Pela primeira estatística divulgada pela delegacia, somando todos os setores da economia, Bauru tem atualmente 57.073 trabalhadores adultos na economia formal, entre empregados e desempregados.

É importante ressaltar que as informações utilizadas para a formação destes dados estatísticos são retirados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados

(Caged). Mas, como, segundo o subdelegado do Ministério do Trabalho em Bauru, Sérgio da Silva Branco, 49 anos, cerca de 40% dos empresários não passam as informações identificando o trabalhador formal brasileiro, estes dados estatísticos estão sujeitos à estas variações.

Branco afirmou, esta semana, durante a apresentação da estatística que os dados, além de fornecerem um estudo de qual setor da economia está crescendo ou qual está menos aquecido, direcionando os investimentos na área de qualificação e requalificação, poderão ainda direcionar e fomentar dados para a racionalização da aplicação dos recursos. As informações podem facilitar, dessa maneira, as políticas de desenvolvimento econômico e social.

Buscando "uma informação mais fidedigna possível", o Ministério do Trabalho, de acordo com o subdelegado, vai estar atuando com o seu corpo de agentes fiscais na fiscalização das informações passadas através do Caged, tentando elevar o índice de exatidão dos números de emprego e desemprego. "Os nossos empresários estão bastante conscientizados da importância da informação do Caged, mas nós não estamos satisfeitos, enquanto autoridade do Ministério do Trabalho", garantiu Branco. Para o representante do Ministério do Trabalho em Bauru, mais importante do que saber dos dados, ou sejam, de que 60% das empresas passam as informações corretamente, "é saber porque estes 40% não estão informando ao Caged". A intenção é a de alimentar o município com as informações da Bauru formal. As empresas que não informam corretamente a Rais podem ser multadas pelo Ministério do Trabalho.

É preciso ressaltar que no total de demissões, está incluido, por exemplo, desligamentos por programas de demissão voluntária (PDV) e dispensa por vontade própria.

Os números esclarecem (ver tabelas) que o total de trabalhadores na indústria atingiu, nos últimos treze meses, 13.584

(em 01/01/99). Os meses de fevereiro de 98 (com saldo de 91 negativos), agosto de 98 (com 37 demitidos), dezembro de 98 (com 144 demitidos) e fevereiro deste ano (com 64 demitidos) foram os mais problemáticos. Já no comércio, a soma de trabalhadores atingiu em primeiro de janeiro deste ano, 14.226 trabalhadores, sendo que o pior mês, no embate entre admissão e demissão, foi dezembro de 98, com um saldo negativo, ou seja, com as demissões superando as admissões, de menos 148. Para a construção civil, que tinha em janeiro de 99 4.465 trabalhadores, os piores resultados foram nos meses de fevereiro e março de 98, com saldo negativo de 61 e 126, respectivamente, e nos meses de novembro de 98 (com 19 desligados), dezembro de 98 (com 39), janeiro de 99, com 55 desligados e fevereiro com 14 desligamentos.

O setor de serviços, o que mais emprega em Bauru, com um total de 24.798 trabalhadores em janeiro de 99, o pior desempenho foi registrado no segundo semestre de 98, entre os meses de junho a dezembro de 99. Neste período o setor teve uma retração de 1106 trabalhadores no setor.

Como a base de dados é formada a partir das informações contidas na Rais e no Caged fica fora da estatística o trabalho informal. "Mas se nós temos uma bo informação sobre a tendência da economia formal, podemos estimular o trabalho informal para aquele setor da economia que está crescendo, de tal sorte que se diminua a informalidade", ponderou Sérgio da Silva Branco. Garantiu ainda que a política do Ministério do Trabalho em emprego é fomentar justamente a geração de emprego e, se possível fazer com que o trabalho informal entre na formalidade, "porque o ônus (da informalidade na qualidade de vida da população) fica para o trabalhador formal, que recolhe seus impostos".

A principal mudança viria na forma de um aumento na arrecadação,

" não do furor arrecadatório do Estado, mas na melhoria na qualificação dos serviços".

Para Branco, esta "parceria" do Ministério com a Datamec, que centraliza as suas operações em São Paulo, representa um avanço para o interior porque mostra uma preocupação não só em relação aos níveis de emprego nas grandes cidades, "mas também com os rincões do Estado". Essa aproximação, garante, qualifica muito melhor a informação podendo inclusive ser usadas por outros organismos municipais que atuam na área do trabalho, como por exemplo, o Cepet (órgão ligado à Secretaria Municipal do Bem Estar Social).

De acordo com Branco, "Bauru tem o privilégio de ter uma economia bastante diversificada em termos de pequenas empresas e pequenos varejos" e por isso, o impacto da crise econômica e do forte desemprego não é sentido integralmente. Mas o subdelegado do Trabalho aponta alguns problemas que já ocorreram como, por exemplo, a perda de quase 5 mil postos de trabalho com a transferência da antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) para a Novoeste. A cidade, segundo ele, soube recolher este impacto em termos sociais, mas os cidadãos sentiram na pele a perda do posto de trabalho.

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