Preso é assassinado na Penitenciária II
Preso é assassinado na Penitenciária II
Texto: Ieda Rodrigues
O detento David Rodrigues, 26 anos, foi assassinado por volta do meio-dia de anteontem no interior da Penitenciária II de Bauru. Ele foi morto a estiletadas e suas duas orelhas foram decepadas. Há informações de que as orelhas foram enviadas, pelos presos, aos diretores do presídio como forma de demonstração de força e tentativa de intimidação.
Desde a última terça-feira, em função da fuga dos 36 presos na segunda-feira à noite, o presídio
é administrado por uma junta formada por Wilson Elorza Júnior, diretor da Penitenciária I; Edilson Araújo Valim, do Instituto Penal Agrícola (IPA), e Antônio Paulo Veronezi, diretor da Penitenciária de Pirajuí.
O detento Uimilton Roberto dos Santos, 28 anos, se apresentou
à direção da PII como autor do homicídio. No entanto, o presídio vai abrir sindicância para apurar se realmente ele é o autor do crime, ou foi obrigado, por outros detentos, a assumir a culpa. Os presos da cela onde a vítima foi encontrada estão sendo ouvidos pela direção do presídio.
Rodrigues foi encontrado morto, por um funcionário do presídio, na cela que ocupava. No entanto, segundo Elorza, que integra a junta diretiva, ainda não se sabe se o crime foi cometido dentro ou fora da cela. Isso porque, no horário do homicídio, os presos estavam soltos, todos juntos, no pavilhão.
De acordo com Erloza, um dos presos alertou um funcionário do crime. Rodrigues foi encontrado no interior da cela com várias perfurações de estiletes, cerca de 28. Ele chegou a ser socorrido ao Pronto-Socorro Central, mas chegou sem vida ao hospital.
Depois do crime, Santos afirmou à direção do presídio que ele era o autor do crime. Ontem, ele foi apresentado ao 1.º Distrito Policial, onde o homicídio foi registrado. Erloza disse que desconhece qualquer rixa entre o preso que morreu e Santos.
Rodrigues cumpria pena por roubo, portanto não era o tipo de preso que costuma sofrer represália dos colegas de cela. Por medida de segurança, Santos foi transferido para a Penitenciária I e responderá processo por homicídio, salvo se ficar constatado que ele não foi o autor do crime.
A reportagem não conseguiu confirmar, com os diretores da PII, se eles realmente receberam as orelhas do preso assassinado. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirma que as orelhas foram cortadas. Um agente do presídio, no dia da fuga em massa, disse que a PII é dominada por presos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa facção daria as ordens no presídio e, inclusive, estaria impedindo a entrada de presos que não pertenciam ao grupo.
Avaliação
Wilson Erloza, que integra a junta diretiva da PII, disse que está sendo feita uma avaliação para identificar os problemas existentes no presídio. É que existe uma série de denúncias de irregularidades que estariam ocorrendo, inclusive que os presos têm liberdade de trânsito dentro do presídio e que ocupam as celas que querem.
Após a avaliação, em conjunto com a Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coespe), a junta diretiva deve tomar algumas medidas. Erloza garantiu que o clima no presídio é de normalidade. Dos 36 presos que fugiram na segunda-feira à noite, 16 foram recapturados e um morreu numa troca de tiros com a Polícia Militar. Portanto, 19 ainda estão na rua.
Na revista interna realizada na terça-feira, foram encontrados apenas dois alicates e alguns estiletes, de acordo com o diretor. Ele ressaltou que o pequeno número de objetos encontrados pode ser devido a uma blitz realizada há poucas semanas.