Workshop apresenta novidades em paralisia facial
Workshop apresenta novidades em paralisia facial e regeneração e nervos
Botucatu - A Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina de Botucatu promove nos próximos dias 19 e 20 de junho o 4º Workshop de Microcirurgia e Cirurgia de Mão. Este ano o evento vai abordar as principais novidades na área de regeneração de nervos periféricos e paralisia facial, com a presença de dois convidados internacionais, Ake Nystrom e Lloyd Champaign, da Universidade de Pittsburgh (EUA).
Segundo o professor Fausto Viterbo, um dos organizadores do evento, o Brasil está entre os países que mais tem desenvolvido pesquisas nesta área. A divulgação destes conhecimentos entre a comunidade acadêmica-científica
é fundamental para que a população tenha acesso às novas técnicas cirúrgicas.
Em 80% dos casos de paralisia na face que afeta as expressões faciais, tão características no ser humano como o sorriso na alegria ou a imobilidade na tristeza, a causa é um vírus, chamado herpes zorter. Geralmente, pessoas com baixa imunidade como os diabéticos e mulheres grávidas são as que mais correm risco de se contagiar.
Os principais sintomas da infeção pelo vírus são semelhantes ao da gripe, tais como abatimento, febre, enfraquecimento da musculatura facial, dor no ouvido e na face. A paralisia pode também ocorrer devido a uma otite interna.
"A pessoa perde o movimento porque o vírus provoca a degeneração do nervo de um dos lados da face e faz com a pessoa não movimente a boca, não feche um dos olhos podendo até mesmo provocar cegueira", acrescenta Viterbo.
Uma das técnicas cirúrgicas que serão apresentadas no evento por Viterbo é a ligação de nervos do tipo término-lateral, para recuperar o movimento. O cirurgião retira um nervo da perna e o transplanta para a face, ligando uma das extremidades do enxerto lateralmente ao nervo sadio da face e a outra extremidade ao nervo lesado, do outro lado. Esta técnica de ligação de nervos término-lateral , criada há mais de 10 anos por Viterbo em Botucatu. "É muito importante que o diagnóstico seja rápido para evitar a atrofia da musculatura da face e assim aumentar as chances de sucesso da cirurgia", acrescenta. O ideal é que a cirurgia seja feita quatro meses após a doença se manifestar.
Nos casos de longa duração, quando os músculos da face já se atrofiaram, o músculo temporal é ligado ao canto da boca, fazendo com que o paciente recupere o movimento labial, fundamental para restaurar o sorriso, além de melhorar a estética e a expressão facial.
Outra causa, menos comum, é a congênita. No Brasil não há dados sobre incidência, mas a literatura indica 7 casos de paralisia facial ao nascimento por cada 100 recém-nascidos.
Em Botucatu, 10 pessoas são operadoras para recuperação de paralisia facial por ano.
Na área de regeneração de nervos periféricos, o sueco Ake Nystrom vai apresentar resultados de uma técnica que utiliza tubos de silicone para unir o nervo cortado. Ele acredita que os tubos facilitem o crescimento das fibras nervosas, direcionando-as e permitindo melhor recuperação de nervos e consequentemente os movimentos de mãos lesadas por acidentes.
Outra novidade que será apresentada no workshop pelo professor da USP, Ciro Ferreira da Silva, serão medicamentos que podem também acelerar o crescimento de nervos. Estas drogas ainda estão sendo testadas experimentalmente em animais de laboratório, mas se constituem numa grande promessa nesta área.
O Workshop tem apoio da Fundunesp, do capitulo de Microcirurgia da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, além de outras empresas. As inscrições podem ser feitas no local do evento, anfiteatro Nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu. Maiores informações pelos telefones
(014) 820 6230 ou 9751124/8225414