Caminhada homenageia soldado constitucionalista
Caminhada homenageia soldado constitucionalista
Texto: Adriana Rota
Uma caminhada pela cidade, organizada pela Associação de militares inativos, pensionistas e ex-combatentes das forças armadas e da Revolução Constitucionalista de 1932
(Asmipe) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), vai homenagear os soldados constitucionalistas que lutaram em 1932 no próximo domingo. A 6.ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM), o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), o Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai) e o Conselho Municipal do Idoso apóiam o evento.
A saída será às 8h30, da portaria do Sesi, que fica na avenida Duque de Caxias. O posto intermediário, para beber água, será o supermercado Confiança Max e o ponto de chegada, o Bauru Shopping Center. O trajeto percorrido será a rua Rubens Arruda, rua José da Silva Martha, Praça Portugal, avenida Getúlio Vargas, rua João Abo Arrage, rua Saint Martin, avenida Otávio Pinheiro Brizola, aeroporto e Bauru Shopping.
Um dos idealizadores da caminhada, o presidente da Asmipe, Tito Pereira, 56 anos, espera contar com a participação de boa parte da população de Bauru e cidades vizinhas, para homenagear os poucos ex-combatentes que ainda estão vivos. "Esses homens entraram na revolução com a cara e a coragem sem saber se retornariam para suas famílias. Eles não podem ficar esquecidos!", alertou.
O presidente da associação dos Ex-combatentes de 1932, Heni Scafi, 88 anos, confirmou sua participação e encarregou-se de contatar outros companheiros de luta. Ele não soube precisar quantos estarão em condições de participar da caminhada porque, dos 20 que estão vivos em Bauru, menos de 10 têm condições de andar sem muitas dificuldades. Todos eles estão com idades superiores a 85 anos. "Achei essa iniciativa ótima. A gente só tem a agradecer", disse, satisfeito.
Revolução foi fruto de decepção com Vargas
Em 1930, uma revolução derrubou o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo. Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as Câmaras Municipais. Os governadores dos Estados foram depostos, sendo nomeados interventores em seus lugares.
Isso desagradou as oligarquias estaduais que o apoiavam, especialmente a de São Paulo. Os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório. O descontentamento aumentou quando Vargas reconheceu os sindicatos dos operários, tornou legal o Partido Comunista e permitiu o aumento dos salários dos trabalhadores.
Em 1932, uma greve mobilizou 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários uniram-se contra Vargas. No dia 23 de maio foi realizado um comício reivindicando uma nova constituição, resultando num conflito armado que levou à morte os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujas iniciais dos nomes formam a sigla MMDC, símbolo da revolução.
Em julho explodiu a revolta. O apoio da imprensa paulista levou a população a aderir espontaneamente, indo aos fronts ou fazendo doações para financiar a luta. No entanto, as tropas federais eram mais numerosas e bem equipadas: 100 mil soldados contra 35 mil civis. Os revoltosos esperavam a adesão de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o que não ocorreu.
Em outubro, os paulistas apresentaram rendição, seguida de prisões, cassações e deportações. Estatísticas oficiais apontam 830 mortos, mas estima-se que foram mais de 100 no maior confronto militar brasileiro no século XX. Apesar da derrota, dois anos depois uma assembléia eleita pelo povo promulgou uma nova Constituição, a terceira da história do Brasil independente.
Fontes - http://www.tvcultura.com.br/resguia/historia/cenas/rev32.htm
http://www.iis.com.br/~rib/neres06.htm
http://www.fcl.com.br/historia/terevolu.htm