Esses tais de transgênicos
Esses tais de transgênicos
Texto: Roberta Mathias
Você percebeu que há algum tempo está todo mundo falando sobre transgênicos? É um tal de "sementes modificadas", "plantas manipuladas", "geneticamente alteradas", enfim, uma série de palavras diferentes para falar de um assunto que vai mexer com todo o planeta. Os transgênicos são plantas que sofreram uma alteração genética. O quê? É mais ou menos assim: todos os seres vivos possuem um código genético (você também tem!) que determina todas suas as características. No caso dos seres humanos, por exemplo, o código genético define desde a cor dos cabelos até se a pessoa vai ser alta ou baixa. Nas plantas ocorre a mesma coisa. O código genético também determina se aquele organismo é forte o suficiente para suportar doenças e invasores. Por exemplo, tem certas plantas que são resistentes a determinadas pragas e a outras não. As transgênicas são aquelas plantas que tiveram seu código genético modificado em laboratório para ficar mais resistentes a herbicidas, ter uma produção maior, ou até ser forte para "espantar" os insetos.
Como assim?
Pense em uma plantação normal de soja. Normalmente, são usados cinco tipos de agrotóxicos para matar as ervas daninhas. O que pode prejudicar a lavoura. A soja transgênica
(aquela que foi modificada geneticamente) ganha um gene que a deixa forte e resistente a um herbicida específico, chamado Roundup Ready, que mata todas as ervas daninhas de uma só vez. Como a planta está mais forte, o agricultor precisa ficar atento para que não seja usada uma quantidade maior do herbicida, que pode contaminar o solo, os rios e os alimentos.
Além disso, como o uso de transgênicos no mundo ainda
é muito recente (os Estados Unidos e alguns países da Europa consomem há cerca de 10 anos), ninguém sabe o que essas mudanças genéticas podem causar a longo prazo. É tudo muito recente para ser afirmado, sem erro, que não há riscos para a saúde das pessoas que consomem os transgênicos. Por isso está havendo muita discussão sobre esse assunto. A meninada precisa estar por dentro e também ficar de olho nos transgênicos.
Nos últimos meses o Brasil passou apertado e quase abriu as portas para a produção de transgênicos no País. Em maio, Ministério da Agricultura chegou a autorizar a produção de cinco variedades de soja transgênicas por uma empresa multinacional. Mas, felizmente, na última semana, o juiz federal Antônio Souza Prudente suspendeu todas as autorizações para o cultivo de transgênicos no Brasil e deu autorização para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) exigir um estudo prévio dos problemas que esse tipo de plantação pode causar para o meio ambiente. Com isso, os transgênicos devem demorar um tempinho (cerca de dois anos) para serem plantados no Brasil.
Mas os transgênicos já estão aqui!
Como assim? É isso mesmo. Apesar de no nosso País não haver produção de transgênicos em escala comercial, muitos produtos que vêm de fora podem ter sido fabricados com elementos geneticamente modificados. É verdade. As batatas fritas Pringles, o Kinder Ovo e a Pimenta Tabasco são alguns produtos que contêm transgênicos. Mas isso não dá para saber pela embalagem. É que ainda não existe uma legislação específica para isso. O Idec conseguiu a garantia que todos os produtos brasileiros que contiverem transgênicos são obrigados a informar no rótulo. Isso é muito bom. Mas seria interessante que os produtos estrangeiros também tivessem que avisar na embalagem, não é? Como ainda fica difícil de entender esses transgênicos, a idéia é ficar bem informado sobre o que estão falando sobre o assunto, os problemas que podem ser causados e ficar de olho no que se está consumindo, procurar os produtos nacionais que não contenham transgênicos.
Só pra informar...
Saiu na Superinteressante que um tipo de milho alterado geneticamente pode estar acabando com borboletas, nos Estados Unidos. Nos testes, a mudança do milho não causou nenhum dano ao homem nem às abelhas que passeiam pelo milharal. Mas as borboletas não escaparam do pólen tóxico, que acaba sendo levado pelo vento sobre as folhas de outras plantas. Chato, né!