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Cooperativa

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 5 min

Cooperativismo se fortalece com o Neoliberalismo

Cooperativismo se favorece com o Neoliberalismo

Texto: Luciano Augusto

Com o modelo neoliberal e com a abertura da economia para o mercado internacional, os sistemas cooperativos saem favorecidos. Tanto pelo lado bom, da competitividade e da introdução de novas tecnologias, como pelo lado ruim, da recessão econômica.

Está provado historicamente que, em momentos de crise, os sistemas cooperativos de produção crescem. Isso, segundo os especialistas, pressionado pela falta de perspectivas. Como uma opção de captação de renda, o cooperativismo acaba sendo a tábua da salvação para muitas pessoas que já haviam esgotado suas expectativas no mercado de trabalho comum, aquele com carteira de trabalho assinada e

regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Marco Aurélio Fuchida, 31 anos, superintendente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) explica que no momento em que o Governo transfere algumas atividades que eram exclusivamente suas, abrindo espaço para que a sociedade assuma estas atividades, surge o cooperativismo como uma importante alternativa para a sociedade assumir estas tarefas.

Por outro lado, com a adaptação da economia nacional

à globalização determinados grupos acabam ficando sem oportunidades de emprego. O cooperativismo, então, seria uma outra forma de organização do trabalho,

"na qual se consegue pelo menos amenizar um pouco o desemprego".

Para o superintendente da Ocesp, as cooperativas estão se adaptando à este modelo econômico mais competitivo, que veio junto com as empresas estrangeiras, assim como toda a sociedade. Porém, ressalta que esta abertura tem que ser inserida de uma forma que continue dando condições para que as cooperativas possam participar de maneira igualitária com as empresas, ou até mesmo cooperativas, internacionais.

Entretanto, Fuchida destaca que o cooperativismo não deve ser encarado somente como um gerador de emprego, mais sim um gerador de trabalho e de renda. "Todos falam em emprego, mas temos que falar em trabalho e renda, seja de forma contratada, via CLT ou qualquer outra forma", complementa.

O momento, segundo o superintendente da Ocesp, é bom para as cooperativas. Alguns ramos cooperativistas vêm ganhando força nos últimos anos. Um deles é o cooperativismo de trabalho, justamente porque surge como uma alternativa relação

à aplicação da força de trabalho. Em termos de potencial, ele é enorme. Temos desde cooperativas de catadores de papel até as de alta tecnologia, que prestam serviço, por exemplo, para a Embraer (empresa brasileira que fabrica aviões).

Já as mais comuns e antigas, as cooperativas agropecuárias, continuam muito representativas, lembra Fuchida, em função da grande produção agropecuária brasileira e deve crescer ainda mais. Também o segmento educacional, impulsionado pela crescente insatisfação com o sistema educacional público e pelas altas mensalidades do sistema privado, tem crescido bastante.

"Temos o cooperativismo surgindo como uma ferramenta, com uma estrutura forte que vai estar influenciando diretamente na economia e que vai, melhor ainda, gerando uma alternativa maior para a sociedade", avalia o representante da Ocesp.

O entusiasta do cooperativismo diz que este sistema próprio de produção é uma doutrina, que visa corrigir os problemas sociais através do econômico. É uma sociedade que tem ao mesmo tempo a parte social e econômica, atuando como empresa. "A cooperativa busca no econômico resolver um problema social, sempre mantendo um controle democrático pelos sócios".

É bem verdade que o cooperativismo no Brasil já sofreu algumas derrotas. Um exemplo muito conhecido foi o caso da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), que faliu. Marco Aurélio Fuchida analisa que todo o problema aconteceu porque a CAC teve que fazer financiamentos bancários a juros mais elevados, por causa do fechamento de linhas de crédito governamentais, e com isso teve que se utilizar de seu capital de giro, dado como garantia. Aí, veio a defasagem e houve a dívida com o sistema financeiro. "Não foi problema administrativo, houve o problema econômico que afetou diretamente a cooperativa". Experiência de uma cooperativa educacional

Texto: Luciano Augusto

Um grupo de pais da cidade de Pederneiras já colhem os frutos da Cooperativa Educacional de Pederneiras (Coedup). Enquanto o ensino público vêm se desmantelando e as escolas particulares, muitas vezes, a mensalidade é cara demais para os tempos de recessão, na escola cooperativa, ainda que também paguem uma mensalidade, há o envolvimento de toda a família, que também dividem "os lucros".

A diretora da Coedup, Terezinha Hilário Silva de Oliveira, 53 anos, explica a experiência como "cooperativa de pais, onde eles são os donos da escola". Para isso,

é necessário adquirir uma quota única

para cada filho matriculado na Coedup, que está em 850 ufirs (pouco menos de R$ 850,00), com validade de 20 anos. A escola conta atualmente com 251 alunos, matriculados no ensino fundamental e no ensino médio.

Esta quota pode ser passada, ainda, de um irmão para outro, sem necessidade de um novo pagamento.

Se antes de completar os 20 anos de direito o aluno se desligar da escola, o pai tem direito de receber o valor restante da quota corrigido, correspondente à quantidade de anos faltantes.

Fora a quota, existe uma mensalidade fixa de R$ 140,00, que é a mesma, tanto para ensino fundamental quanto para o ensino médio. Estes recursos são usados para cobrir a folha de pagamento, a manutenção da escola e a aquisição de equipamentos.

O principal diferencial da Coedup, e das outras cooperativas educacionais,

é a participação da família, "porque quem decide tudo são os pais". A escola é regida por um conselho administrativo, um conselho pedagógico e um conselho fiscal, eleitos em assembléia geral. As decisões mais importantes têm que ser tomadas em assembléia geral.

Com essa maior proximidade da família com a escola e, consequentemente, com a vida escolar do filho problemas atuais como violência, por exemplo, são melhores combatidos. "Aqui os problemas são resolvidos junto com os pais. Numa escola pública as decisões vêm de cima e na escola particular é a direção que resolve", complementa Tereza Hilário Silva de Oliveira, que tem 25 anos de experiência na direção de escola pública.

A diretora da Cooperativa Educacional de Pederneiras, que foi aberta em 97, "a cooperativa tem uma proposta diferenciada; ela visa não só preparação para os vestibulares como também preparar o cidadão para o Século XXI", destaca a diretora.

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