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Apicultura

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Concorrência entre abelhas prejudica apiário

Concorrência entre abelhas prejudica apiário

Texto: Márcia Buzalaf

A concorrência entre abelhas que vem para a região na época da florada está prejudicando a produção de mel, que caiu cerca de 70% no Apiário Guaianás.: Gerenciado por uma família,

Ao contrário do que muitos pensam, a produção de mel não é fácil de ser feita e enfrenta concorrência maior do que muitos setores agrícolas. Tanto os apicultores que vem de fora na época da florada quanto a venda de mel falso, feito de açúcar queimado

(veja matéria ao lado), tendem a prejudicar o sucesso da venda das oito mil colmeias dos apicultores da região.

Na opinião do apicultor do Apiário Guaianás, Gérson Antônio Travain, outro fator que vem prejudicando a produção de mel é o tempo. "O frio chegou cedo este ano", afirma ele. Os ventos gelados desta

época do ano são prejudiciais para a produção de mel. Se o frio persistir no próximo mês, quando começa a produção de mel silvestre, o resultado também pode ser prejudicado. No ano passado, uma geada de dois dias acabou com a produção do mel silvestre. Este ano, a florada de eucalipto fracassou: muita abelha e tempo ruim.

Travain afirma que são três os fatores que influenciam a produção de mel: a qualidade da florada, o clima e o tamanho dos enxames. "O clima tem que ser úmido e quente, os enxames, fortes, populosos", garante o apicultor.

A proporção entre o tamanho da propriedade com o número de colmeias também é importante. Travain diz que a abelha precisa de 1,5 milhão de flores para produzir um quilo de mel. A relação entre o tamanho da propriedade e da colmeia também é importante: para um alqueire de florada, são necessários três colmeias.

"Se tiver mais que isso, é muita competição", garante Travain.

O problema principal da concorrência na apicultura, na opinião do apicultor, é que os produtores vem de fora, para aproveitar a florada da região, não revertem o lucro da produção de mel para a própria atividade. "Eles vêm de fora, colhem o mel, vendem e não revertem para a apicultura", alega Travain.

Outra situação recente enfrentada pelos apicultores

é a exigência do Serviço de Inspeção Federal (SIF), de usar todos os tambores em inox. "Cada tambor custa R$ 3 mil", afirma a esposa de Travain, Miria.

Produção

Os instrumentos usados na apicultura são simples: espátula, fumegador (conhecido como fólen), melgueira, quadros, caixas de madeira, uma centrífuga e roupas com máscara protetoras. Segundo Travain, a primeira providência a ser tomada é montar as caixas de dois andares.

Os filhotes ficam na parte de baixo e o apicultor apenas colhe os favos de mel em cima. As abelhas demoram dois dias para encher o favo e 15 para a melgueira ficar lotada.

Depois de prontas as caixas, elas são levadas para perto da plantação. A florada do eucalipto é entre o período de janeiro a março; a florada silvestre

(originária da flor do campo), é entre os meses de agosto a setembro; e a florada de laranjeira começa em setembro e vai até o início de novembro. "Se deixar fora da região de florada, não pára o enxame", alega Travain.

Depois de colhidos os favos, eles vão para a centrífuga, onde o mel é retirado. Segundo Travain, várias pessoas costumam pedir para os apicultores irem tirar colmeias de suas casas ou de buraco de capim.

O Apiário Guaianás comercializa metade da produção para empresas de Pariquera Açú, região sul do Estado, Ribeirão Preto e São Carlos. Os outros 50% de toda a produção são vendidos diretamente no próprio apiário. Os produtos principais são própolis, cêra, geléia real, pólem e sachê.

Serviço

O Apiário Guainás fica logo na entrada da cidade. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 253-1140 e 253-1144.

Mel sofre concorrência desleal de açúcar queimado

"Estão usando o nome do Apiário Guainás para vender mel falso", denuncia a família de produtores. Segundo os apicultores, o mel falso, feito de açúcar queimado, está prejudicando a imagem dos cultivadores de mel.

Travain diz que, em três estabelecimentos de Pederneiras, está sendo vendido mel falso como se fosse do Apiário Guainás. Um dos consumidores que comprou o tal mel falso foi reclamar lá no apiário, e se surpreendeu quando percebeu que a pessoa que tinha vendido e mel para ele não era o proprietário do apiário. "`Mas não foi ele que me vendeu o mel', o cara falou", conta Travain. Segundo ele, as pessoas estão vendendo o mel e passando o nome e o endereço do Apiário Guainás.

Mas a fraude não fica limitada na região. Segundo Travain, é muito comum ver gente vendendo mel no centro de Bauru, a maioria, falso. Por isso, o apiário alerta que o preço do litro do mel é R$ 6,00 - para qualquer pessoa. "Além disso, não temos revendedor nenhum na região", garante Travain.

Os apicultores dão uma dica para o reconhecimento do produto original: o mel verdadeiro cristaliza", garante Travain.

(MB)

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