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Supermercado Econômico

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

Inquérito investiga denúncias contra o Econômico

Inquérito investiga denúncias contra o Econômico

Texto: Adriana Amorim

Um inquérito policial está em andamento na Polícia Federal em Bauru para apurar denúncias feitas contra os supermercados Econômico por ex-funcionários da empresa. Várias denúncias, entre elas a de forjamento da falência, foram apresentadas ao Ministério Público Federal (MPF) no final do ano passado e ainda estão sendo investigadas.

O MPF ouviu 12 ex-funcionários que apresentaram a mesma versão. O procurador Rodrigo Valdez de Oliveira explica que as denúncias davam conta de que a empresa criava um passivo fictício, na tentativa de forjar a falência.

"Contabilmente eles tinham um faturamento pequeno e as dívidas com os credores seriam maiores, mas em caixa existiria o dinheiro", esclarece. A empresa encerrou as atividades em dezembro do ano passado e a informação de ex-funcionários

é de que os sócios-proprietários teriam capital para montar outros negócios.

Foram feitas denúncias também de sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). De acordo com os funcionários, o procedimento era feito diariamente através de softwares usados para controlar o faturamento das máquinas registradoras. No final de cada dia, o caixa com maior faturamento era escolhido. Códigos e senhas eram digitados para apagar as vendas, definindo desse modo o pagamento do tributo. "Era a sonegação através da informática", resume o procurador.

Oliveira diz que houve denúncias ainda de falsificação de carteira de trabalho e constrangimento ilegal. Funcionários afirmaram que foram obrigados a emprestar cartões de crédito e cheques para a empresa - que estava com dificuldades financeiras - que eram utilizados na compra de mercadorias.

Para isso, a própria empresa, segundo os ex-funcionários, forjavam os holerites, imprimindo valores mais altos aos salários para que os funcionários tivessem mais crédito junto aos fornecedores. "Nós encaminhamos o caso para que seja investigado, mas até que se prove o contrário, os acusados continuam sendo inocentes", diz o procurador, repetindo o jargão.

Sem culpa

A ex-proprietária dos supermercados Econômico, Tais Brizola Conversani, desmente as denúncias e diz que as acusações foram feitas por apenas uma funcionária da empresa. Segundo Tais, ela queria adquirir uma firma e continuar trabalhando no supermercado, interceptando mercadorias roubadas para revender ao Econômico e outros estabelecimentos. "Eu não concordei e ela saiu da empresa para montar seu próprio negócio. Como não deu certo, ela foi chamada para trabalhar novamente conosco".

Ela explica que a alteração na carteira de trabalho foi feita devido a esse motivo e posteriormente anulada porque a funcionária não permaneceu no local. "É uma coisa particular que vai ser resolvida na Justiça", afirma Tais. "Tudo o que eu estou falando eu tenho provas".

Com relação às denúncias de sonegação, ela diz que a empresa serviu de bode expiatório. "Se houve, houve de vários e não só o meu, se é que pode ser provado que houve". Ela diz que uma prova de que a empresa trabalha corretamente é o fato de ter fechado.

"Se estivessemos sonegando, estaríamos bem". Tais explica que não foi decretada a falência e muito menos falência fraudulenta. "Tenho como provar que não enriqueci", garante.

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