Monumento da Revolução de 32 é reinaugurado
Monumento da Revolução de 32 é reinaugurado
Texto: Ieda Rodrigues (*)
Será reinaugurado hoje, às 10 horas, o monumento em homenagem aos veteranos bauruenses da Revolução Constitucionalista de 1932. O obelisco, erguido em granito em 1936 e que nos últimos anos, depois de ser deslocado para quatro lugares distintos da cidade, esteve guardado no depósito da Prefeitura, será, agora, instalado na Praça dos Pioneiros, na avenida Rodrigues Alves (próximo ao Cemitério da Saudade).
O prefeito Nilson Costa assumiu o compromisso de devolver o monumento ao público, mesmo porque é uma reivindicação dos ex-combatentes. O monumento estava parcialmente depredado, mas com a colaboração de algumas empresas, foi recuperado.
A inauguração terá a presença do prefeito e a apresentação do "Coral Arte Viva', que cantará o "Hino de 9 de Julho" e o "Hino a Bauru", de autoria de Manoel Domingos de Oliveira, pai dos jornalistas Valzinho e Hermógenes de Oliveira. O Batalhão da Polícia Militar, que normalmente realiza a solenidade de 9 de Julho, neste ano transferiu o ato para a Praça dos Pioneiros. A solenidade também contará com a presença de ex-combatentes.
A Revolução de 32 foi um movimento militar no qual o Estado de São Paulo lutou contra as tropas do então presidente Getúlio Vargas, que havia derrubado o governo dos grandes latifundiários de São Paulo e Minas Gerais e abolido todas as instituições, desde o Congresso Nacional até as câmaras municipais. Os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujas iniciais dos nomes formam a sigla MMDC, símbolo da revolução, morreram durante um protesto, em São Paulo, reivindicando uma nova constituição. Os paulistas acabaram se rendendo, mas apesar da derrota, dois anos após, uma assembléia eleita pelo povo promulgou uma nova Constituição, a terceira da história do Brasil independente.
Terminada a Revolução, conforme Luciano Dias Pires, editor do suplemento Bauru Ilustrado, do JC, e diretor do Instituto Histórico "Antônio Eufrásio de Toledo", iniciou-se uma campanha para a edificação do monumento em homenagem aos bauruenses que participaram e morreram em combate. O obelisco foi projetado pelo engenheiro Heitor de Andrada Campos e inaugurado, no dia 9 de julho de 1936, no cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Gustavo Maciel.
Ao ser inaugurado, o monumento era ornado com capacetes, pentes de bala e fuzis, em bronze, e o nome dos civis bauruenses mortos. Mais tarde, devido ao movimento de veículos no local, o obeslico foi transferido para a mesma avenida Rodrigues Alves, desta vez em frente ao antigo Grupo Escolar Rodrigues de Abreu
(hoje Colégio São José).
Posteriormente, foi transferido para a Praça 9 de Julho, em frente à Instituição Toledo de Ensino
(ITE) e, depois, foi instalado em frente ao Quartel do 4.º Batalhão da Polícia Militar. Com o decorrer do tempo, todas as peças que adornavam o obelisco foram desaparecendo. Os blocos de pedra não foram furtados provavelmente por serem bastante pesados.
Restauração
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) restaurou cerca de 300 metros de extensão dos canteiros centrais na avenida Rodrigues Alves, em frente à Praça dos Pioneiros. O monumento da Revolução de 32 já foi deslocado quatro vezes.
Em março de 1997, ao assumir o Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura, o professor Gabriel Ruiz Pelegrina abriu um processo para viabilizar a instalação ao lado do Velório Municipal Liberato Taiano, numa praça que, segundo o professor, deveria se chamar "Celina Viguê Loureiro", por ter sido a mulher que praticamente comandou o movimento feminino em Bauru, em apoio ao Soldado Constitucionalista.
* Colaborou Luciano Dias Pires
Bauruenses morreram na revolução
Bauru participou ativamente da Revolução, com militares e civis. Três civis - Rubens Fraga de Toledo Arruda, Alfredo Ruiz e Agenor Meira - morreram em combate e, hoje, dão nome a ruas da cidade. Vivem em Bauru, todos com idade superior a 85 anos, 20 veteranos da revolução.
Também morreram em combate os militares José Pereira, Mário Rodrigues, Alcenio Guilherme, Torquato Gonçalves de Andrade, Antônio Venâncio de Araújo, Severino Nunes da Costa, Francisco de Assis, Pedro Barbosa, Celso Morais Pinto, José Leite, Manoel Rodrigues da Rocha, Manuel Faria Inojosa, José Soares e Joaquim Nunes Cabral.
O dia 9 de julho, dia que a Revolução de 32 foi deflagrada, era considerado ponto facultativo e entrou para o calendário oficial de feriados do Estado há dois anos, conforme lembra o historiador Roberto Milanda Chinalha. Ele ressalta que representa, na história do País, o marco do maior conflito militar ocorrido no Brasil neste século.
Instituto Histórico lembra a Revolução de 1932
O Instituto Histórico "Antônio Eufrásio de Toledo" dedicou um espaço especial à Revolução de 1932. Os visitantes poderão apreciar não apenas uma série de publicações sobre o acontecimento
(livros, jornais e folhetos), como também fotografias, pinturas a óleo, capacetes, medalhas, entre outros objetos.
O sucesso da mostra se deve, de acordo com Luciano Dias Pires, diretor do Instituto, ao apoio de vários bauruenses, que fizeram importantes doações. Atualmente, o Instituto, todo o material é só uma curiosidade, como também serve de subsídios, principalmente aos estudantes, para trabalhos escolares quanto a pesquisas e consultas.
Serviço
O Instituto Histórico "Antônio Eufrásio de Toledo" está instalado na rua Capitão Gomes Duarte, 13-41, e funciona das 9 às 17 horas de segunda a sexta-feira, e das 8h30 às 10h30 no sábado. As escolas podem agendar visitas pelo telefone 234-2508.