Garra e descontração marcam Regionais
Garra e descontração marcam Regionais
Texto: Fábio Grellet
Barra Bonita - Gritos de guerra, acomodações improvisadas que se tornam a cada dia mais bagunçadas, garra e determinação em busca da vitória durante o dia e tempo para relaxar e paquerar, à noite: mais uma edição dos Jogos Regionais, a 43.ª, se encerrou ontem mas, certamente, os atletas vão se lembrar, durante muito tempo, de algum aspecto significativo da competição - não necessariamente as partidas disputadas.
Embora algumas cidades contratem jogadores profissionais para representá-las em alguns esportes - como é o caso de Boracéia que, no basquete masculino, foi representada pela equipe mineira do Ginástica, na qual atua o pivô Gérson, aquele mesmo que durante anos defendeu a seleção brasileira -, a imensa maioria dos 5 mil atletas enviados pelas 47 cidades participantes são adolescentes, que treinam em escolinhas municipais mas têm que priorizar os estudos e fazem do esporte que praticam não mais que um hobby - levado muito a sério, sim, quando o jogo começa, mas prejudicado porque não pode ser considerado uma prioridade na vida da maioria dos atletas.
Além disso, aos 15, 18 anos, sair de casa com os colegas e permanecer alojado - junto com eles e outros milhares de jovens - durante até uma semana, mais que a chance de conquistar um título para a cidade que representa,
é a oportunidade de "zoar", paquerar e fazer novos amigos.
Atletas conciliam esporte e estudos
Maioria das delegações é composta de jovens que frequentam escolinhas de esporte mas têm de priorizar o estudo
Barra Bonita - Para flagrar um pouco do dia-a-dia da galera que defende com muita vontade as cores de sua cidade, mas não tem a obrigação de exibir um desempenho profissional durante as partidas e, sem maiores preocupações, também não dispensa as outras atrações que os Jogos Regionais proporcionam, o Jornal da Cidade visitou os alojamentos de algumas delegações e conversou com os atletas, na última quarta-feira. Muita gente, porém, já havia voltado pra casa, derrotados logo nas primeiras disputas.
Duartina, por exemplo, levou para Barra Bonita equipes de basquete masculino, atletismo masculino, futebol de campo e de salão, além do caratê. Na quarta-feira, permaneciam na cidade apenas os 18 atletas do futebol de campo, já praticamente classificados para a terceira fase da competição. O caratê ainda seria disputado, e os atletas não haviam chegado; as disputas de atletismo já haviam se encerrado
(e a equipe de Duartina conquistou, aliás, duas medalhas de bronze e uma de prata), enquanto as equipes de basquete e futebol de salão já haviam sido eliminadas.
Paulo Francisco Sabatini Júnior joga futebol de campo por Duartina. Ele tem 18 anos e desde os 5 treina na escolinha da cidade. Embora esteja se destacando como esportista
(foi até convidado para treinar em Bauru, no Noroeste, onde está desde abril), Sabatini não dispensa os estudos: cursa a faculdade de Direito na Unip, em Bauru. Élio Piveta também tem 18 anos, treina futebol de campo há sete e integra a equipe que representa Duartina nos Jogos Regionais pela quarta vez. A melhor posição conquistada pelo time, desde que ele o integra, foi o sexto lugar, há dois anos. Piveta também não dispensa os estudos: faz cursinho pré-vestibular em Bauru. Já Daniel Sacatamburlo tem 17 anos e cursa o segundo colegial, na própria cidade de Duartina. Para eles, os estudos, por ora, deixaram de ser prioridade: a equipe está avançando no torneio de futebol e todos se concentram nas orientações do técnico Sérgio Rotondaro, que dirige a equipe em campo mas não consegue impedir que, fora dele, os atletas aprontem das suas: em todos os momentos de convivência, a descontração
é marca registrada - e a bagunça também é campeã, como revela o quarto onde dorme parte dos jogadores...
A delegação de Lençóis também é composta por muitos atletas que encaram os Jogos Regionais como uma oportunidade para se destacar no esporte, mas não se esquecem de seus outros compromissos, especialmente com os estudos. Édson José Gotardi, por exemplo, defende Lençóis no torneio de damas, esporte que pratica desde os 11 anos. Hoje, aos 16, ele continua se dedicando ao jogo e defende com orgulho sua cidade, mas não se descuida dos estudos - cursa o 2.º colegial numa escola de Lençóis. Segundo o coordenador das equipes de damas e xadrez, Rodrigo César Viotto, os jogadores das duas modalidades têm outras atividades
- e, consequentemente, outras preocupações, tornadas secundárias durante os Jogos Regionais.
As equipes lençoenses de futebol de campo e de salão, conforme explicam seus técnicos Admílson Manoel da Silva, o Mita, e Raul Ramos da Silva, são compostas por atletas que, quando não estudam, já trabalham em algum lugar. Alguns deles, inclusive, não conseguiram dispensa do serviço e, ao invés de integrar a delegação, permanecem em Lençóis, viajando para Barra Bonita nos dias de jogos. Aqueles que puderam ficar alojados, porém, não perderam a chance de aprontar muitas brincadeiras, enchendo de descontração o ambiente.
Jaú, embora seja uma cidade de maior porte, também levou aos Jogos equipes compostas por atletas-estudantes. Layra Newman tem apenas 12 anos e já defende a cidade nas provas de natação - esporte que ela pratica há 3 anos. Foi a primeira vez que ela participou dos Jogos Regionais, que constituem apenas uma das preocupações de Layra; a outra são os estudos - ela cursa a 6.ª série, numa escola de Jaú. Danielle Lopes tem 12 anos, cursa a 7.ª série e também integra a equipe jauense que mergulha em busca de medalhas na natação. O técnico da equipe, Rinaldo Luchesi, explica que a média de idade da equipe é de 14 anos.
Muitos desses jovens, embora provavelmente sonhem em desenvolver carreira nos esportes prediletos, não deixam de se dedicar aos estudos. Durante os Jogos Regionais, porém, aliam a garra à habilidade para defender suas equipes - sem deixar de curtir, também, os momentos de descontração e alegria que atribuem uma cor especial ao evento!
Aos vencedores, as batatas...
Vendedores ambulantes que se instalam na porta dos ginásios não têm do que reclamar quanto aos Jogos Regionais. São 5 mil atletas (sem contar os dirigentes e eventuais equipes de apoio, como motoristas e cozinheiros) que fazem aumentar muito a venda de diversos produtos - principalmente comidas, bebidas e camisetas alusivas ao evento.
Maria Aparecida Venâncio Silva é um exemplo: ela vende batatas fritas, espetinhos de frango e refrigerantes no carrinho "Batata Mania", que habitualmente fica estacionado na Praça do Teleférico, tradicional ponto turístico de Barra Bonita. Por ocasião dos Jogos Regionais, porém, a vendedora se transferiu para a porta de um dos ginásios onde acontecem os jogos do torneio. Os preços dos pacotes de batatas variam entre R$ 1 e R$ 2 e Silva disse que estava comercializando, diariamente, cerca de 200 quilos do produto. Havia comprado, antes do início do evento, 50 sacos de 20 quilos e, após seis dias de jogos, já planejava comprar mais batatas, para utilizar nos dias seguintes. Ela disse que não havia calculado, ainda, o lucro que obtivera, mas não tinha motivos para tristeza...