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Polícia Civil

Nélson Gonçalves
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Polícia Civil tem novo comando

Polícia Civil tem novo comando

Texto: Nélson Gonçalves

Depois da aposentadoria do Regional, Moysés José Cocito, alto comando também designou novo titular para a Delegacia Seccional

A cúpula da Polícia Civil em Bauru tem novo comando. Depois da aposentadoria do Delegado Regional, Moysés José Cocito, ontem foi a vez de mudança também na Delegacia Seccional, saindo Luiz Augusto de Oliveira Castro. As alterações foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE). No lugar do Seccional já está sendo designado Antonio

Ângelo Cioca, de Campinas. Com a aposentadoria de Moysés Cocito o nome mais indicado para a Delegacia Regional tem sido

Álvaro Cardin. Com passagem por Marília, Cardin já vinha sendo indicado para assumir a Regional de Polícia de Bauru.

A alteração na Delegacia Regional não é considerada surpresa nem nos gabinetes da própria Polícia Civil nem nos escritórios políticos que têm alguma ligação com o governo do Estado. Moysés Cocito, na verdade, estava mais perto de ser uma unanimidade entre os desafetos do que o inverso, dentro da corporação. Nos bastidores, também foi ventilado que sua passagem por Bauru foi uma circunstância do último estágio antes da aposentadoria. Sua vinda para cá, em junho do ano passado, já era colocada como ocasional. Cocito poderia ter ido para Presidente Prudente, mas teria sido "ajeitado" em Bauru, dentro das possibilidades da época, por ficar mais perto de sua região de origem, Batatais, perto de Ribeirão Preto.

A chegada de Moysés Cocito, entretanto, inaugurou uma fase de desentendimentos com outros departamentos. Da Dise à Seccional, o Delegado Regional não conseguiu sensibilizar seus subordinados de seus propósitos administrativos, já na época de sua chegada. A demonstração de que a relação não era positiva está em processos internos da própria Polícia Civil. Moysés Cocito foi representado junto ao alto comando pelo delegado assistente da Seccional, Edson Cardia. A representação contra o ex-delegado Regional está nas mãos do Delegado Geral de Polícia no Estado, Luiz Roberto Ramada Spadafora.

Por outro lado, também se sabe que Moysés Cocito pediu, por mais de uma vez, a destituição de Luiz Augusto de Oliveira Castro do cargo de Delegado Seccional. Com as mudanças, a partir da aposentadoria de Cocito, fica a indicação de que o Delegado Regional foi descansar das funções na polícia levando na bagagem a exoneração do Seccional. Luiz Augusto de Oliveira Castro faz um pronunciamento técnico sobre o assunto. "Recebi, pelo Diário Oficial do Estado, a publicação da mudança administrativa. O cargo é de confiança e o que posso dizer é que, como profissional, passo a deixar de responder pela Delegacia Seccional, cumprindo a deliberação", sintetiza.

Entretanto, também é conhecido o descontentamento da equipe da Seccional com o ex-chefe. Moysés Cocito foi criticado por realizar mudanças na equipe interna da Seccional sem ao menos comunicar o titular. Ele também alterou horários para plantões de serviços entre as 18 delegacias subordinadas a Bauru. Foi citado até o caso de desaparelhamento de um simples, mas necessário, equipamento de comunicação interno.

Novos delegados

O delegado Álvaro Cardin responde pelo expediente da Regional de Bauru e pode ser confirmado para o cargo. Cardin conta com manifestação de apoio de representantes do Judiciário e, sobretudo, do meio político. O nome de Álvaro Cardin já tinha sido ventilado por representantes do PSDB em junho do ano passado.

O delegado, que tem passagem por Marília, só não assumiu em Bauru porque Cocito foi colocado mais perto de sua região de origem, entre as opções da época. O novo delegado Seccional já tem nome: Antonio Ângelo Cioca, que já está em Bauru, vindo de Campinas.

Representação

As relações entre o Regional e o Seccional não eram de harmonia, mas de tolerância profissional. Um exemplo foi o comedimento demonstrado pelo Seccional Luiz Augusto de Oliveira Castro quando de entrevista com a imprensa depois de ser desvendada a autoria de atentados contra vereadores. O Seccional preferiu não responder à pergunta sobre a ausência da Delegacia Regional na participação do mais grave episódio político que a cidade tem conhecimento, nos últimos anos.

Moysés Cocito nunca foi visto participando do trabalho de investigação. Em manifestação junto ao alto comando, O ex-delegado Regional tenta explicar com um ataque, comentando que fez seu trabalho sem buscar evidência, numa crítica direta aos seus "colegas" da Seccional. O Delegado Regional, entretanto, não escapou de críticas pelo delegado assistente da Seccional, Edson Cardia, em representação de junho último.

Moysés Cocito, em vias de aposentadoria, foi criticado por não fixar residência em Bauru, apesar de assumir o cargo em junho do ano passado. Cardia também apontou que o Regional não costumava cumprir expediente com regularidade. Das semanas de trabalho, Cardia acusa que Cocito costumava se ausentar, com frequência, a partir da metade das sextas-feiras até a segunda metade da sequente segunda-feira. O assistente da Seccional defende a aplicação de sanção nos períodos indicados no processo. Cocito se defende alegando cumprimento de jornadas de trabalho em outras regionais da Polícia Civil, citando Bauru, Jaú e Lins.

Moysés Cocito também é criticado por se ausentar em períodos como eleitorais e de feriados. O caso Izzo também é citado como "ausência" do comando da Regional. Edson Cardia aponta prejuízos para o planejamento, orientação e fiscalização dos trabalhos e das atividades da polícia judiciária, administrativa e preventiva especializada.

Em sua resposta, no mesmo processo, o ex-delegado Regional contra-ataca, mencionando que a reação de Cardia foi determinada por descontentamento, represália, em relação

à sua saída da Dise, no ano passado. Cocito rebate que "diante da ineficiência na Dise de Bauru e pela ausência na Coordenadoria de Ensino de Bauru, este Regional não teve outra alternativa a não ser a substituição da nomeada autoridade".

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