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Rebelião em São Manuel

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Presos quebram cadeia em São Manuel

Presos quebram cadeiaem S. Manuel

Texto:Tânia Fonseca

Após tentativa frustrada de fuga, detentos se rebelaram, promoveram grande desordem e machucaram três presos. A maioria foi transferida

São Manuel - A cadeia pública de São Manuel amanheceu praticamente destruída ontem, após uma rebelião de presos que teve ainda, como conseqüência, dois detentos feridos durante pancadaria entre os próprios rebelados. Os motivos do tumulto ainda não estavam bem claros ontem à tarde. Falava-se em uma tentativa de fuga em massa que, após descoberta acabou em rebelião. Os presos aproveitaram a oportunidade e a presença do juiz da comarca para fazer reivindicações.

O tumulto na prisão teve início por volta das 20 horas de anteontem quando presos de uma cela estouraram a grade e saíram para o corredor. Um carcereiro percebeu que havia preso fora da cela e acionou a direção da cadeia, trancando as portas de acesso ao setor carcerário, evitando assim a fuga. Sem chance de sair, os presos teriam passado então a promover um verdadeiro quebra-quebra no interior do imóvel. As grades de ferro foram arrancadas e nove batentes foram danificados. Os presos ainda queimaram colchões, cuja fumaça deixou o local com uma aparência péssima. Parte do reboco das paredes foi arrancada. Apenas duas celas foram preservadas.

Além da quebradeira, os presos também brigaram entre eles mesmos, o que resultou em dois feridos, mas segundo o delegado regional, Roberto Mello Anníbal, nada de muito grave, tanto que não foi necessário a internação de nenhum deles.

Numa tentativa de sensibilizar a direção da cadeia e as autoridades que estavam presentes, os presos divulgaram a informação de que um dos presos estava morto. Segundo o delegado regional, um preso, de fato ficou deitado no chão, fingindo-se de morto.

Os rebelados exigiam um telefone celular para falar com familiares e advogados, revisão de seus processos e a implantação de visitas íntimas. As negociações estenderam-se até por volta da meia-noite. O prédio foi cercado pela tropa de choque da Polícia Militar. Diante da ameaça de invasão, os rebelados amotinados renderam-se, mas ficaram no pátio para a revista. Foram apreendidos dois pedaços de serra e um estilete.

Os policiais militares entraram na cadeia, com a devida autorização do juiz e o tumulto passou, então, a ser controlado. Até o amanhecer de ontem os policiais ficaram de prontidão, visando a segurança no local.

Superlotação?

O delegado regional admite que a cadeia vinha abrigando mais presos além de sua capacidade sim, como é comum em muitos presídios. Mas a cadeia, segundo ele é considerada boa e passava por uma fase de calmaria nos últimos tempos. Quando o tumulto começou, 68 homens estavam presos.

De acordo com o delegado Antenor de Jesus Zeque, a cadeia tem 50 vagas o que, pela situação atual do sistema carcerário, não indica superlotação. Negou que haja problemas processuais entre os presos e afirmou que o juiz e o promotor da cidade comparecem mensalmente no presídio para verificar a situação de cada preso.

Transferência

Com as celas danificadas, a direção da cadeia não teve outra alternativa a não ser a de transferir a maioria dos presos para prisões da região. A transferência começou por volta das 10 horas e no começo da tarde já estava concluída. Os detentos foram levados para cadeias da região de Botucatu e Avaré. Apenas doze presos permaneram na cadeia e serão mantidos nas duas celas que não foram danificadas.

Recuperação

As providências quanto à recuperação da cadeia foram rápidas e ontem mesmo o delegado regional manteve contato com o prefeito de São Manuel, Luiz Celso Luizeto e, num primeiro momento, este teria se comprometido a ajudar na recuperação.

Enquanto as providências da recuperação estão em andamento, a direção da cadeia se ocupa também de dar seqüência ao inquérito e a uma sindicância instaurados para apuração dos fatos.

O delegado Roberto Mello Anníbal disse acreditar que num prazo estimado em 30 dias, a cadeia já esteja em condições de voltar a abrigar os presos que tiveram que ser transferidos ontem.

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