MST fecha estrada em protesto por água e lona
MST fecha estrada em protesto por água e lona
Texto: Marcos Zibordi
Acesso à rodovia Bauru-Jaú foi interrompido causando engarrafamento
Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Sem-terra interditaram a rodovia Bauru-Jaú, no final da tarde de ontem, em protesto que pedia lonas e água para os acampados. Estes itens faziam parte do acordo de desocupação da fazenda Val de Palmas, anteontem, e não haviam sido cumpridos.
A interdição da rodovia começou por volta de 17 horas, quando os sem-terra atearam fogo em pneus e se postaram transversalmente à pista, formando uma espécie de barreira humana, impedindo a passagem dos carros. Somente uma ambulância e um carro com uma gestante foram autorizados a passar. Com foices e enxadas nas mãos gritavam, além das palavras e hinos de ordem, os motivos daquela interdição:
"água e lona".
A pista ficou interditada por quase duas horas, até o final da tarde. A polícia militar rodoviária esteve no local e mediou as negociações. Os comandantes fizeram o pedido de água aos bombeiros, que levaram ao local 1.800 litros de água no caminhão de combate a incêndios.
Até que o caminhão chegasse, somente um lado da pista foi liberado, no sentido Bauru-Jaú, quando o engarrafamento já media 3 quilômetros.
A outra via, no sentido Jaú-Bauru, só foi desimpedida quando a água começou ser distribuída entre os acampados. Naquele sentido de tráfego, o engarrafamento formou uma fila de 5 quilômetros, num dos horários de maior fluxo na rodovia.
Val de Palmas
Uma integrante do MST, que esteve acampada em Val de Palmas e preferiu não se identificar, rebateu as acusações sobre a depredação da fazenda.
Ela disse não ter conhecimento sobre a queima de quadros e outros objetos de valor histórico e artístico que estariam na fazenda. "Eu não tenho conhecimento. Foram queimados os barracões velhos que estavam demolindo".
Sobre as supostas ligações que ameaçam de morte os proprietários da fazenda, ela disse que "é o contrário. Nós temos ameaças à pessoas do movimento e outras que nos apóiam, como o vereador Batata e o Sandro, seu assessor. Nem armas nós temos. Nós fazemos nosso ato em público, nós não temos nada escondido".
A sem-terra reclama de duas negociações não cumpridas, uma em Brasília Paulista em relação a lonas e a segunda sobre a água e as lonas prometidas na negociação de desocupação da Val de Palmas. As crianças do acampamento estavam passando por dificuldades, sem água para banho e comida. Segundo ela, mais de trinta crianças mamam na mamadeira no acampamento.
Perguntada sobre a perspectiva dos sem-terra para os próximos dias, ela disse que "a perspectiva nossa é eles não cumprirem o que prometeram. Se o Incra não fazer vistoria e não desapropriar a terra nós vamos fazer ocupação e nossos atos vão continuar. Doa a quem doer, nós precisamos matar nossa fome e de terra para alimentar nossos filhos".