Minhocultura é salvação para pequena propriedade
Minhocultura é salvação para pequena propriedade
Texto: Márcia Buzalaf
Com um investimento relativamente baixo e dedicação parcial à produção, a minhocultura está ganhando espaço nas pequenas propriedades. O apelo para o desenvolvimento desta cultura é simples: a preservação da ecologia, os ganhos com a produção, a importância no uso de adubos orgânicos e as novas pesquisas em relação ao uso nutricional da minhoca. Piracicaba inclusive já tem uma fábrica de farinha de minhoca - para alimentação animal e humana.
Minhocultor há 15 anos, Manoel Tablas é apaixonado por minhocas. Segundo ele, a riqueza da minhoca vai além da sua produção de húmus, rico e caro adubo orgânico. Para o Mané Minhoca, como é conhecido, a minhoca é importante para a manutenção da cadeia ecológica, já que o inseto pode reciclar quase todos os resíduos orgânicos. "Ela recicla resíduos de indústria, de agroindústria, agropecuária e os resíduos domésticos", afirma.
Apesar da paixão, Tablas afirma que o cultivo da minhoca não tem como base apenas a ideologia ecológica ou alimentar (veja matéria abaixo). O resultado do cultivo
é econômico, ele garante.
Tablas conta que a produção de minhocas está sendo inclusive discutida pela Organização das Nações Unidas (ONU). Através de um programa, o organismo internacional está incentivando a criação da minhoca para sua função ecológica.
Atualmente, existem 60 mil minhocultores no País. Na Itália, por exemplo, que é do tamanho do Estado de São Paulo, tem 150 mil minhocários. "No Brasil, poderia ter 600 mil minhocultores, visto o tamanho do território e da agricultura nacional", afirma Tablas.
Com uma pequena área, a minhocultura pode ser um bom negócio. Segundo Tablas, um minhocultor pode ganha de R$ 3 mil a R$ 5 mil com a criação. "O minhocário pode ser instalado pelo cara que mora na cidade e que tem uma pequena propriedade", afirma Tablas.
Para se montar um minhocário é preciso montar-se caixas com prateleiras internas. A construção do módulo é feito geralmente com tijolos baianos. A proporção é de 550 tijolos para 51 metros quadrados.
Na caixa, coloca-se o chamado material de maternidade, com húmus, ovos e minhocas de todos os tamanhos. Para cada metro quadrado,
é usada uma lata do material.
Depois de 40 a 45 dias, o preparado está pronto, transformado em húmus. Tem produtor que prefere usar matrizes no lugar do material, mas Tablas diz que o processo fica menos prático.
O alimento usado para o minhocário é o esterco de qualquer animal, acrescido de torta de filtro (resíduo da indústria sucroalcoleira). Segundo Tablas, basta apenas deixar o minhocário úmido para manter a produção. Depois, é só peneirar e ensacar o húmus.
Tablas afirma que a minhocultura é uma atividade que não demanda dedicação integral. Algumas poucas horas por semana, garante o minhocultor, são suficientes para o minhocário.
Farinha de minhoca já tem fábrica em Piracicaba
A fábrica Minhocultura Green Seal é o resultado da criação de um grupo de 750 minhocultores espalhados pelo Estado, inclusive de Bauru, Jaú, Agudos e Dois Córregos. A fábrica tem contrato com os minhocultores para o cultivo, e se compromete a comprar a produção durante cinco anos. A meta é chegar até o final do ano com 1500 minhocultores como fornecedores.
A grande descoberta da Green Seal é ter transformado a farinha de minhoca, já usada na alimentação para animais, em suplemento alimentar para seres humanos. A fábrica da farinha de minhoca já foi inaugurada e deve ter basicamente duas vertentes de público-alvo: os atletas e os doentes.
Tablas explica que a minhoca possui 58% de proteína, por isso, pode alimentar de verdade doentes em hospitais públicos e ser usada como suplemento alimentar para esportistas. "O doente de câncer de garganta ou do estômago, por exemplo, que tem problemas em ingerir sólidos, pode ser muito beneficiado pela farinha de minhoca pelo valor nutritivo", diz Tablas.
O material oferecido na divulgação do Green Seal
é um dos mais completos sobre minhocultura, incluindo desde a questão ambiental, até a biológica, a nutricional, a econômica e a agrícola.
Durante as palestras sobre minhocultura, realizada todo sábado em uma diferente parte da cidade, são servidos quitutes feitos com farinha de minhoca. Segundo Tablas, este é o primeiro passo para se quebrar o preconceito.
Serviço
Quem tiver interesse em entrar em contato com a Minhocultura Green Seal, o telefone da fábrica é: (019) 427-1606. Por e-mail: cioterra@zaz.com.br