Economia & Negócios
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Márcia Buzalaf
Incentivo vira subsídio
O incentivo à instalação da Ford na Bahia vai virar subsídio regional para não ferir regra da Organização Mundial do Comércio (OMC). O esboço de propostas que será apresentado ao presidente até quarta-feira, quando deve dar ok para a instalação no estado baiano, atende às exigências de "subsídios regionais" negociadas pelo Brasil durante a Rodada Uruguai do Gatt, que deu origem à OMC. A organização poderia invocar com a "ajudazinha", por isso, mudou de nome: passa de "incentivos fiscais" para "subsídios regionais". Na prática, nada mudou.
Incômodo externo
Tem outra questão. Na decisão do governo, pode ser incluída a proibição da exportação dos carros da Ford-Bahia aos parceiros do Brasil no Mercosul. A pressão da Argentina pelos incentivos fiscais que serão concedidos à montadora vem sendo mais do que um incômodo. O regime comum automotivo que vigora com o vizinho portenho determina a ausência de qualquer tipo de incentivo ligado ao "desempenho exportador".
Ford alemã
Mais Ford. A montadora vai ter que revisar 160 mil carros vendidos na Europa. O modelo em questão (ou revisão?) é o Focus, produzido desde outubro de 97 até março do ano passado, e que apresentou um problema elétrico de corrosão devido a certas infiltrações de
água. Vale lembrar que o Ford Focus foi chamado do carro europeu do ano.
Salariozinho
O salário fica cada vez mais curto. De acordo com pesquisa realizada pela Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo (Fecesp), o reajuste do salário-mínimo em 1.º de maio deste ano foi de 4,61%, sendo que o de 98 foi de 8,33%, o que passou o referencial de R$ 120,00 para R$ 130,00. A equivalência com o dólar - que é justificativa para todos os reajuste que estamos tendo, de eletricidade a tevê a cabo e combustível - mostra a redução do poder da compra.
Equivalência do mínimo
Hoje, o salário mínimo vale no Brasil US$ 81,00. Quando valia R$ 130,00, era equivalente a cerca de US$ 108,00. Nunca é demais ressaltar o valor do salário mínimo nos outros países, em valores aproximados da moeda brasileira: na Argentina, é de R$ 380,00; no Uruguai, R$ 340,00; no Paraguai, R$ 262,00; na Itália, R$ 975,00; na França, R$ 1,3 mil; e na Espanha, R$ 585,00.
Fiesp e USP
A Fiesp e a USP acertaram uma parceria para a realização de cursos para a formação de dirigentes para micro e pequenas indústrias. Com duração de 360 horas/aula e a duração de um ano, o Programa de Formação de Novos Empresários e Dirigentes para Micro e Pequenas Empresas terá 30 vagas e deverá começar no dia 9 de agosto, no Centro de Treinamento da USP. A mensalidade é meio salgada: R$ 525,00 para os não-associados. Informações: (11) 252-4688.
Recorde de Santos
O porto de Santos movimentou um volume recorde mensal, que superou os 4,12 milhões de toneladas registrados em agosto de 1997. Em junho, a marca história foi de 4,27 milhões de toneladas, com alta de 8,18% em relação ao mesmo mês de 98, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo. As exportações cresceram 37% sobre junho de 1998, e somaram 2,72 milhões de toneladas. As importações
(1,55 milhões de toneladas) caíram 21,08%, confirmando a tendência da desvalorização.
Pão de Açúcar e BNDES
O Grupo Pão de Açúcar vai reinaugurar as duas lojas paulistanas arrendadas recentemente do Mappin até o final do ano. O grupo inaugurou ontem a loja Extra da marginal do Tietê, a primeira da rede Paes Mendonça, arrendada em maio último. Até o final do ano, a bandeira Extra terá 44 hipermercados, incluindo as lojas do Mappin. Para a transformação das lojas do Paes Mendonça em Extra, o Grupo Pão de Açúcar está investindo cerca de R$ 70 milhões, vindos do BNDES.
Regime automotivo
O Brasil e a Argentina estão próximos de um acordo que estabeleceria um regime comum automotivo, que deve entrar em vigor a partir de janeiro do próximo ano. A princípio, o novo regime permitirá um "comércio bem administrado" de veículos na região, principalmente nos mercados brasileiro e argentino. Apesar de não estar definido, a base seria o estabelecimento de quotas negociadas entre as montadoras, durante um período de transição, que se estenderia do ano 2000 até 2004.