Desemprego também preocupa crianças
Desemprego também precupa crianças
Texto: Andréia Alevato Ascari
O desemprego preocupa muito os adultos. E também as crianças.
Guilherme Ferreira dos Santos, 10 anos, ouviu em casa que o tio estava desempregado e muitas outras na TV e leu em revistas que o desemprego aumentou. Guilherme ficou curioso em saber o que era desemprego, por isso, foi repórter por um dia e saiu entrevistando um monte de gente sobre o desemprego.
Na escola em que ele estuda, no Sesi, perguntou para professores, diretora, funcionários e alunos o que era desemprego, se era uma coisa boa ou ruim, e no final, fez um relatório, com sua opinião.
"As pessoas sofrem com o desemprego, não conseguem acabar com ele, e o governo não faz nada para melhorar isso, só promete, diz que está fazendo, mas não faz nada", afirmou Guilherme.
Thiago Rafael Silva Carrechi,14 anos, disse que fez um trabalho na escola sobre o desemprego.
"Antes do trabalho eu só tinha ouvido falar em desemprego pela TV. Com o trabalho, eu pude saber mais sobre esse assunto. Mas o desemprego traz muita trizteza para as pessoas, principalmente quando você está próximo dessa pessoa. O pai do meu amigo ficou desempregado. Ele ficou triste e nós também", completou Thiago Rafael.
A irmã de Thiago, Drielle Caroline Silva Carrechi, 10 anos, comentou que o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que fala sobre desemprego, foi bom, porque mostra bem a realidade que nosso país está vivendo.
" O tema da Campanha da Fraternidade deste ano foi muito bem escolhido. Eu acho que o desemprego é uma coisa muito chata, porque as pessoas não têm as mesmas oportunidades. E tem muita gente que tem mais de um emprego e ocupa o lugar de outro. Isso não é legal. Todo mundo deveria ter um emprego", ressaltou Drielle Caroline.
Mas, mesmo os pais não estando desempregado, as crianças se preocupam em ajudar. É o caso de Van Basten Souza Carvalho, 10 anos, que guarda carros nas ruas da cidade.
"Na minha casa não tem ninguém desempregado, mas eu trabalho para ajudar um pouco", disse Van Basten.
Vander Carlos da Cruz, 14 anos, entrega panfletos na rua. Ele também trabalha para ajudar no orçamento.
"Antes de parar de estudar eu não trabalhava. Agora que eu parei, porque tinha gente na escola mexendo comingo, eu estou trabalhando para ajudar em casa, porque é muito ruim ficar sem dinheiro", afirmou Vander.
A psicóloga Marly Rodrigues Bighetti Godoy explicou que as crianças se interessam por todos os assunto como os adultos, principalmente quando há um caso na família.
"A criança é muito curiosa, principalmente quando há casos próximos, dentro da família ou um amigo que esteja enfrentando algum problema. Por exemplo, se o pai fica desempregado e fala para a criança explicando o que aconteceu sem ser negativo é muito melhor, porque o negativismo gera ansiedade na criança. E essa ansiedade não é necessária", explicou a psicóloga.
Ela também disse que as crianças de hoje recebem muita informação, através da televisão, rádio e internet, por isso são mais "antenadas" nos assuntos "que deveriam ser de adultos".
"Os pais não devem esconder as coisas das crianças. Devem responder as perguntas ou levá-las até alguém que possa responder, mas não devem preocupá-las com seus problemas, não devem ser negativista. E nem antecipar a fase adulta da criança, como por exemplo, colocar a criança num curso de informática para prepará-la para o mercado de trabalho. Isso não é legal, porque até essa criança começar a trabalhar muita coisa terá mudado. A criança que não vive toda sua infância, que não brinca quando tem que brincar, será um adulto inseguro", finalizou a psicóloga.