Aprovada a proposta salarial entre CPFL e eletricitários
Aprovada a proposta salarial entre CPFL e eletricitários
Texto: Luciano Augusto
Depois de seis rodadas de negociações entre os eletricitários e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) foi finalmente aprovado o acordo coletivo da categoria. Segundo o sindicato dos eletricitários, o acordo foi benéfico para os trabalhadores, tanto sob o ponto de vista econômico quanto do ponto de vista da manutenção do emprego.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Eletricitários na Indústria de Energia Elétrica de Campinas e do Sinergia pró-CUT, Jesus Francisco Garcia, 43 anos, disse que justamente a política de manutenção do emprego desenvolvida pelo sindicato era o que estava impedindo o avanço das negociações.
Mesmo assim, afirmou Garcia, "nós não abrimos mão de uma proposta que desse uma certa tranqüilidade aos eletricitários, principalmente, por conta dos efeitos negativos da privatização em nível de recursos humanos".
O processo de negociação salarial só caminhou depois que o sindicato da categoria enviou a proposta para o Conselho de Administração da CPFL, uma instância superior
à diretoria da empresa, e este decidiu que se saísse do impasse.
Dentre os diversos pontos acordados entre empresa e trabalhadores, o diretor sindical destacou a reposição das perdas inflacionárias aos salários, a quota da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a garantia do emprego.
O acordo fechado pelos eletricitários, prevê 1% de reposição da inflação do período, de junho de 98 a maio de 99, além de um abono de 30% a ser pago em duas parcelas. Conseguiram ainda um abono fixo de R$ 200,00, a ser pago em novembro, que repõe a inflação e o poder de compra do salário neste período.
Ficou garantida também uma PLR de R$ 2.600,00, divididos em três pagamentos. Dois terços deste valor serão pagos igualmente para todos os empregados. O restante, 28%, será pago seguindo a proporcionalidade salarial.
Caso as metas de produtividade estipuladas pela empresa forem ultrapassadas, os eletricitários terão direito a um adicional de até R$ 260,00. "É uma das maiores PLRs do Brasil", comemora o sindicalista.
Do ponto de vista da política de manutenção de emprego, Garcia avaliou que "embora não seja uma estabilidade plena e sim o princípio de empregabilidade, ninguém mais será demitido; só nos casos de justa causa".
Mesmo com a restruturação da empresa depois da privatização, onde alguns setores serão extintos, os funcionários serão reaproveitados em outras áreas.
Os benefícios sociais, como cesta básica e assistência médica, também foram todos mantidos.
Agora, os eletricitários fazem assembléias em toda a sua base na região para depois comunicarem a empresa sobre a deliberação dos trabalhadores. Na assembléia realizada ontem à tarde, em frente a CPFL em Bauru, a proposta foi aprovada por unanimidade.