Geral

ECCB

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 8 min

Concordata da ECCB vence em novembro

Concordata da ECCB vence em novembro

Texto: Nélson Gonçalves

A diretora Carmem Quaggio, disse que empresa no exterior foi para comprar ônibus em operação de leasing

A diretoria da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) convocou a imprensa, ontem, às 12 horas, para comentar acusações feitas pelo Sindicato dos Condutores sobre a existência de uma empresa em nome das sócias-proprietárias da família Quaggio no exterior, em Dublin, Inglaterra. Carmem Quaggio falou em nome da ECCB afirmando que foi criada a empresa Redmore no exterior para ser uma joint venture que possibilitaria a compra de 95 ônibus em operação de leasing, no valor de US$ 6,5 milhões. A ECCB também divulgou, na entrevista, que a primeira parcela da concordata, num valor de R$ 380 mil, vence em novembro deste ano.

Sobre a tentativa de comprar ônibus fora do País, Carmem Quaggio disse que a operação de leasing acabou não se concretizando porque a ECCB não teve como apresentar certidões negativas de débitos junto ao Banco Central, sobretudo em relação à dívidas com o INSS e FGTS. A responsável pela empresa mencionou que, em suas viagens ao exterior para tratar do assunto, acabou conhecendo o pastor Caio Fábio, com quem passou a estabelecer contato trocando informações sobre a tentativa de efetuar a operação de leasing.

A existência de uma empresa em nome das sócias-proprietários da ECCB no exterior (Redmore) gerou uma acusação pelo presidente do Sindicato dos Condutores, Elias Pinheiro. Carmem Quaggio garante que a empresa não foi utilizado e que não houve operação financeira em dólar. A situação financeira da empresa também gera especulações por aqui. A diretoria aponta o lançamento de R$ 2,766 milhões em um balanço, em nome dos ex-diretores Edilson Prudêncio e Adhemar Previdello, mas diz que vai responder pelo valor somente quando for concretizada auditoria interna. Na Justiça, a ECCB denunciou, através do Ministério Público, ter pago cerca de US$ 2,2 milhões em propina para a gestão passada, constando que os valores saíam como adiantamentos em nome da diretoria.

Imprensa - Há ou não transações financeiras da ECCB fora do Brasil?

Carmem Quaggio - Nós fizemos contato com empresas da Inglaterra, da Europa, que quisessem investir no Brasil. Fizemos um projeto e enviamos toda a documentação. Não tem nada do que tentaram dizer.

Imprensa - E o processo de leasing para a compra de 95

ônibus. Qual seria o valor, com quem e por que não foi concretizado?

Carmem - Todo esse trabalho começou no final de 96, continuou no ano seguinte. Você conseguir parceiros no exterior é uma tarefa trabalhosa. Você tem que fazer projetos de trabalho, planos definidos. Nosso projeto era a troca da frota com 95 ônibus. Na época o ônibus estava US$ 68 mil cada um, com chassi e carroceria. Se você multiplicar por 95 dá os US$ 6,5 milhões que estávamos tentando contratar. Nosso projeto era esse e fomos atrás de quem quisesse trabalhar em parceria com a gente.

Imprensa - Por que não foi conseguido o leasing?

Carmem - Nós trabalhamos até o final de 98 e não conseguimos internalizar esse processo no Brasil. Porque quando você dá entrada no Banco Central com um processo, tem 30 dias para entrar depois de assinado, tem que ter toda a documentação da empresa em ordem. E como demorou muito para sair a linha de crédito a Empresa Circular não tinha as CNDs em mãos. São as CNDs do INSS e FGTS.

Jornal da Cidade - Se a ECCB não tem essas certidões negativas como ficou a concordata?

Carmem - O juiz que responda isso. Nós estamos em processo de parcelamento, tanto do INSS quando do Fundo de Garantia. Já estamos com o protocolo disso.

JC - E a empresa Redmore o que significa?

Carmem - A Redmore seria uma empresa que trabalharia em joint venture, lá fora, com a Alexandre Quaggio Ltda.

JC - E qual a participação do revendo Caio Fábio nessa negociação?

Carmem - O revendo Caio Fábio foi uma pessoa que eu conheci tentando também fazer negócios. Conversei com ele pessoalmente duas vezes. O Caio Fábio acompanhou minha angústia, como ele diz num fax dele. Nesse processo todo eu conversei com ele como pastor.

Imprensa - O Sindtran acusa que o patrimônio da ECCB e pessoal está sendo dilapidado. Isso se confirma?

Carmem - Se você coloca uma frota nova na empresa, a frota velha sobra e você faz dinheiro. Essa era a idéia do leasing. Como demorou muito a operação, nós precisamos emprestar dinheiro. Algumas escrituras são de pacto de retro-venda. O que quer dizer. A hora que eu pagar, devolve o imóvel. Se não pagar, fica com o imóvel. São imóveis particulares do meu avô. Não tem nada da Alexandre Quaggio Transportes e imóveis que não estão com escritura de pacto de retro-venda eu tive que dar como pagamento de juros.

JC - Qual seria o patrimônio da empresa hoje para fazer frente à concordata?

Carmem - O patrimônio está lá na concordata. Tem prédios, os ônibus. Os imóveis do retro-venda foram transferidos.

JC - Como a ECCB vai responder ao processo da Prefeitura?

Carmem - Esse processo para nós é a primeira situação real de defesa que vamos ter. Está caminhando normalmente.

JC - Além de problemas com falta de certidão negativa do INSS e FGTS tem um cheque sem fundo de parcelamento de débito da Prefeitura?

Carmem - Esse assunto é interessante. Esse processo tem a ver com o Mário Sérgio Chieco. Nós só descobrimos que esse raio desse cheque estava sem fundo agora, por causa dessa história.

JC - O cheque é da empresa.

Carmem - Então, só que não éramos nós que éramos administradores aqui na época. Detectamos que seria aquele parcelamento que o Mário Sérgio Chieco tinha alcançado para a Empresa Circular. Foi dado pra ele um cheque e o cheque voltou. Vi isso pelo extrato bancário, R$ 9.814,88. Dia 20 de setembro se não me engano. No dia 22 de setembro ele reapresentou o cheque, e o cheque voltou. A Empresa Circular fez um doc no mesmo valor pra que ele resgatasse o cheque e pagasse o financiamento.

JC - Vocês descobriram só agora que era esse o cheque?

Carmem - Agora que nós estamos com auditoria interna.

JC - E sobre a declaração que seria para a retratação com o ex-prefeito. Consta que a senhora teria ido até à Prefeitura, mesmo depois de ter denunciado a extorsão?

Carmem - Não tem nada a ver. Aquele documento que está no mercado é falso.

JC - Qual é o verdadeiro então?

Carmem - O verdadeiro diz que 'contra a pessoa do senhor Antonio Izzo Filho' nós não temos nada. Contra a pessoa. Ai aquele termo 'ilegal' não existe. Já fomos falar com a promotoria e nos posicionamos sobre isso.

JC - Esse documento, era essa retratação que o Izzo usa agora na defesa dele?

Carmem - Era. Nós não fomos até a Prefeitura depois. Isso foi feito num escritório. Aqueles termos que têm lá não foi o que foi assinado. E a promotoria já sabe disso.

JC - Quando vence a primeira parcela da concordata?

Carmem - Uma linha fala que é em fevereiro, outra em novembro. Nós estamos trabalhando para novembro. O valor

é de R$ 380 mil, por aí. O valor total é R$ 800 mil. A concordata é R$ 800 mil. São os créditos quirografados (papéis, duplicatas, notas promissórias, etc.). A dívida total da empresa são esses créditos quirografados, a dívida com o INSS e FGTS e outros.

JC - Por R$ 55 mil retidos pela Emdurb a ECCB atrasou o salário há alguns dias. Como não ocorrer o mesmo quando vencer a parcela de R$ 380 mil da concordata?

Carmem - A concordata a gente está, a primeira parcela acho que está quase toda programada. Nós trabalhamos com programação aqui. São coisas diferentes. A gente trabalha com dia tal entra tantos mil reais da Emdurb e dia tal nós temos que pagar tanto para salários e fornecedores. Dos 10% retidos pela Emdurb não nos foi avisado de forma oficial. Eu estou trabalhando com a programação.

JC - Qual o faturamento mensal da ECCB?

Carmem - É em torno de um milhão e pouco. R$ 1,2 milhão, depende do ciclo. No mês de férias por exemplo é R$ 1,1 milhão.

JC - Qual o valor da folha de pagamento?

Carmem - Em torno de R$ 500 e poucos mil. A folha tem encargos.

JC - Quanto é o valor total da folha?

Carmem - Em torno de R$ 800 mil a R$ 900 mil. Não dá 100% né. Dá, vale R$ 209 mil, folha de pagamento R$ 314 mil (líquido) e encargos. Daria por ai, uns R$ 900 mil. Se não tiver programada a saída de R$ 59 mil de forma rápida, abrupta como foi, atrasa o pagamento do salário.

JC - Tem um balanço que aparece um lançamento de R$ 2,766 milhões em nome do Adhemar e do Edilson, que foi o diretor seguinte, do setor financeiro. O que é esse valor?

Carmem - Isso hoje é com o contador né. Estamos com uma auditoria interna que eu quero levantar todos os números. Nós estamos na administração da empresa, eu e minha mãe, de janeiro para cá.

JC - Mas o valor de R$ 2,766 milhões está na contabilidade?

Carmem - Sim, ele está lá. E é exatamente que trouxemos um auditor para ver exatamente isso. É um auditor independente. A partir do momento em que ele termine o relatório, dê o laudo dele, ele assinando o laudo, aí a gente fala sobre esse assunto.

JC - O documento contábil lança os R$ 2,766 milhões para o Edilson e o Adhemar. Eles cuidavam, quando eram diretores, da entrada e saída de dinheiro. Esse valor seria caixa 2?

Carmem - Não, não é isso. Tem os recibos que estão na contabilidade. O auditor é que poderá responder. Nós estamos falando de auditoria em 30 anos. Quero falar com conhecimento de causa. A explicação foi dada na promotoria, é o que está nos processos.

Comentários

Comentários