Duas cadeias são interditadas na região
Duas cadeias são interditadas na região
As cadeias de São Manuel e Garça onde ocorreram rebeliões estão com estruturas danificadas e sem previão de recuperação
As cadeias públicas de Garça e São Manuel estão sendo interditadas por determinação do juiz corregedor de cada uma dessas cidades, por causa dos danos causados após rebeliões que tornaram praticamente impossível a permanência dos presos nas celas. Nos dois casos, os presos estão sendo transferidos para cadeias ou penitenciárias da região, até que as reformas, que ainda não têm data prevista, sejam providenciadas.
Em São Manuel, a rebelião começou na noite do dia 13 de julho e terminou na madrugada do dia seguinte. Segundo informações da polícia, a rebelião teve início após uma tentativa frustrada de fuga. Em consequência do tumulto, a cadeia amanheceu praticamente destruída e teve ainda, como conseqüência, dois detentos feridos durante pancadaria entre os próprios rebelados.
Após serem flagrados na tentativa de fuga por um carcereiro e sem chances de fugir, os presos promoveram um verdadeiro quebra-quebra no interior do imóvel. Grades de ferro foram arrancadas e nove batentes foram danificados. Os presos ainda queimaram colchões, cuja fumaça deixou o local com uma aparência péssima. Parte do reboco das paredes foi arrancada. Apenas uma cela foi preservada.
Diante do estrago e da precariedade que ficou o interior do imóvel, o juiz corregedor Luís Antonio de Campos Júnior determinou no dia 15 de julho a interdição da cadeia.
A maioria dos presos foi transferida no dia seguinte à rebelião. Ficaram apenas 12 ocupando a cela que não havia sido danificada e, de lá para cá, essa única cela passou a comportar também os presos dos flagrantes do dia a dia. O número de presos, segundo o delegado Antenor de Jesus Zeque, chegou a 18 e ontem 12 deles foram levados para cadeia de Botucatu. Os outros, com sentença já definida serão encaminhados até o final da semana para penitenciárias da região.
De acordo com o delegado, de agora em diante, em todas as prisões que forem feitas na cidade, os detidos terão que ser encaminhados imediatamente para outra cadeia, provavelmente a de Botucatu.
Reforma
Desde a rebelião, a recuperação da cadeia pública de São Manuel ainda não foi definida. A Prefeitura Municipal de São Manuel havia se prontificado em colaborar com a recuperação e chegou a enviar uma equipe da Secretaria de Obras para fazer um levantamento dos estragos. O problema, segundo o prefeito Celso Luizetto (PMDB)
é que o levantamento apontou a necessidade de se realizar obras que consumirão recursos aproximados de R$ 25 mil, quantia que foge do alcance da administração municipal. Mas afirmou que estará se empenhando para ajudar na reivindicação de recurso junto ao governo estadual.
Luizetto disse que não se trata de má vontade, mas
é uma quantia alta e que implicaria inclusive na contratação de mão-de-obra para o trabalho. Além disso, lembra ele, a Prefeitura precisa de autorização do Legislativo, que estará em recesso até o final do mês.
O prefeito explicou que de imediato havia se prontificado a colaborar, mas não imaginava que os danos fossem exigir tanto. Mesmo assim, ele disse que após a rebelião a Prefeitura enviou uma equipe para ajudar na limpeza da cadeia.
Garça
Na cadeia de Garça a situação é praticamente a mesma: recuperação da cadeia ainda indefinida e presos sendo transferidos para outras localidades. A rebelião naquela prisão ocorreu no dia 21. Presos fizeram um carcereiro e três presos como reféns. O tumulto durou quatro horas.
Alguns dias antes da rebelião sete detentos já haviam fugido da cadeia durante a madrugada através de um túnel cavado pelos presos.