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Estufa

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 7 min

Produtores de pimentão investem em mudas cuidadas

Arco Íris investe em mudas cuidadas e colhe pimentões coloridos

Texto: Márcia Buzalaf

As estufas Arco Íris, propriedade agrícola de Santa Cruz do Rio Pardo que produz pimentões e pepinos japoneses principalmente, vende não apenas os produtos que colhe quanto as mudas, os insumos agrícolas, as estufas e a tecnologia para o cultivo dos pimentões. Isso ajuda a manter a região como a terceira no Estado na produção de pimentões.

A propriedade rural é formada por cinco setores distintos: a loja, que comercializa insumos agrícolas previamente testados pelos agricultores; o viveiro de mudas, que é o carro-chefe das vendas; estufas de produção, que são tidos como o "espelho da casa"; a metalurgia, que produz estufas em forma de arco; e a administração, que coordena os investimentos da Arco Íris.

Júnior Bassetto e Luís Carlos Bassetto são os dois irmãos que coordenam as estufas. Filhos de uma família de 15 filhos, ambos aprenderam logo cedo com o pai a forma de lidar com a terra e, dela, tirar a sobrevivência.

Apesar de sempre estarem em contato com o setor agrícola, aprendendo a trabalhar desde cedo, há apenas oito anos os irmãos começaram a fazer o cultivo em estufas. Júnior conta que, no início, a produção era em estufas artesanais, feitas de madeira. Depois, eles optaram por uma forma mais simples e moderna, as estufas em arco, que originaram o nome da empresa formada, Estufas Arco Íris.

Mas não é apenas pela forma das estufas que a empresa ganhou este nome. As sementes dos pimentões cultivados no local são de origem francesa e, por isso, são coloridos. Ao todo, Júnior conta, a propriedade apresenta de oito a dez cores de pimentões, entre elas, roxo, lilás, marrom, creme, verde, amarelo, laranja e até verde-limão. Os pimentões coloridos são menos ácidos e mais cheirosos e "carnudos" do que os pimentões verdes.

Algumas destas variedades podem ser cultivas a campo, mas Júnior alerta que as estufas são mais propícias para a germinação de algumas espécies. Além disso, o cultivo em estufas aumenta o volume produzido, baixa o custo e o uso de agrotóxicos. "E isso é uma tendência mundial", lembra Júnior.

Para o desenvolvimento destas técnicas, Júnior viajou para Israel, onde fez um curso de plasticultura, e para o Chile, que mantém uma política agrícola muito importante na atividade local deles.

A viagem à Europa também trouxe frutos. De acordo com Júnior, apesar da França e da Itália serem bastante desenvolvidas na pesquisa e no cultivo a campo, a Holanda e a Espanha têm culturas predominantemente em estufas. "Uma das regiões da Espanha é o maior pólo de concentração de estufas do mundo", conta.

Cultivo

Júnior conta que a implantação de um programa de Qualidade Total fez com que a empresa mudasse de cara. Para o técnico agrícola, o desperdício e a produtividade aumentaram significativamente depois da implantação do programa. "A gente coloca uma semente para cada buraco", afirma.

As mudas são produzidas quase que artesanalmente dentro das estufas de germinação. As mudas que não produzem ou as mais fracas são excluídas dos lotes, que são vendidos aos clientes agricultores.

A muda de pimentão, por exemplo, fica pronta em 50 dias, enquanto que a de pepino costuma demorar em torno de 30 dias.

A lista de compradores da Arco Íris é de mais de 900 produtores, mas o enfoque do produtor não é limitado aos produtos comerciais. Júnior afirma que quer tornar a empresa em um pólo de informações, onde os produtores possam buscar mais conhecimentos sobre as novas técnicas.

As Estufas Arco Íris testam todos os produtos que vendem. De acordo com Júnior, um dos vendedores de produtos ofereceu um item que teria apenas o resultado comprovado depois de dois anos. "Eu falei para ele que teria que comprovar a eficácia do produto, e ele deixou aqui. Depois de dois anos eu liguei para ele e ele começou a vender para a gente", explica Júnior.

A integração entre os produtores das estufas com a família Bassetto é grande. De acordo com Júnior, várias pessoas têm parte da participação nos resultados da empresa e são mais motivadas a trabalhar dessa forma. Nos 18 hectares, trabalham um total de 20 pessoas.

"Com o programa de Qualidade Total, os trabalhadores ficaram com mais autonomia. Até os clientes sentiram a diferença", relata Júnior.

Serviço

Quem quiser entrar em contato com as Estufas Arco Íris, pode ligar para (14) 983-9042 / 983-9232 ou mandar um e-mail para arcoiris@argon.com.br.

Pepinos enxertados aumentam produção

Outro diferencial na produção das Estufas Arco Íris que já está sendo cultivado é o enxerto de pepinos japoneses no pé de abóbora. A técnica

é simples de descrever mais complexa no cultivo de produtos agrícolas. Os resultados, entretanto, compensam o esforço.

Basicamente, Júnior planta um pé de pepino e outro de abóbora bem próximos, no espaço de uma muda. Depois, faz um corte no pé de pepino arrancando a parte de baixo da planta - com raiz e tudo - e prendendo com um clip os dois pés.

O crescimento das plantas devem se dar com muito cuidado, para que haja cicatrização e o pé de pepino nasça com parte do pé e da raiz da abóbora. "As raízes de abóbora são mais longas e conseguem mais nutrientes", explica.

Os resultados são vários e positivos. O produto fica mais "crocante", menos ácido e sua casca perde o brilho opaco, dando um visual envernizado. Na comercialização, o ganho é no volume produzido, que costuma ser 50% maior do que o pepino japonês normal. "Com metade dos pés de pepino enxertado, nós conseguimos uma produção bem maior do que sem o enxerto", justifica.

O enxerto é uma técnica relativamente nova no Brasil, que vem sendo desenvolvida há um ano. A perda nos enxertos costuma ser de 15% das mudas, mas, na Arco Íris, é de 5%.

Várias novidades estão nos planos das estufas Arco

Íris, como a comercialização de morangos em vasos e a introdução dos pimentões coloridos diretamente nos supermercados. Esta última novidade, segundo Júnior, poderá ser acompanhada de outro diferencial

- receitas culinárias para o uso dos pimentões.

Júnior conta que, em comparação com os países europeus, o Brasil consome muito pouco pimentões. "Na França, o pimentão é servido no café da manhã, como patê", conta.

Com a esposa nutricionista, Júnior afirma que tem o objetivo de colocar receitas que envolvem pimentões em uma embalagem para a venda em supermercados. Com isso, poderia incentivar o consumo e abrir mais um nicho de cultivo para os produtores rurais.

Notas

Campeonato ABQM: o evento reuniu 2.260 inscrições de cavaleiros e 950 cavalos, de haras de todo o País, batendo o recorde em provas oficiais da ABQM. O XXII Campeonato Nacional e o XX Potro do Futuro da raça Quarto de Milha de Trabalho e Conformação, ocorridos de 19 a 24 de julho, no recinto Mello Moraes e a final do Potro do Futuro da Linhagem de Corrida, realizado dia 25 de julho, no Jockey Clube de Sorocaba

(SP), superaram seus limites. As provas de Trabalho foram válidas também pela American Quarter Horse Association (AQHA), berço da raça.

Agendinha

Café de Marília

A Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Marília vai realizar o V Encontro de Cafeicultores de Marília, entre os dias 23 e 24 de setembro. O objetivo do encontro é divulgar e discutir trabalhos científicos do setor. Mais informações pode ser obtidas na própria Coopemar, pelo fone: (14) 433-9954.

Leilão do Vale

O Grupo LR vai leiloar 100 animais Nelore no Recinto Mello Moraes no próximo dia 21, a partir das 10 horas, sendo 80 touros e 20 fêmeas. O pecuarista Evaldo Rino Ribeiro vai leiloar os animais juntamente com outros 16 grandes pecuaristas. Mais informações com a Programa Leilões, pelo número: (14) 230-3088.

IAC

O Instituto Agronômico de Campinas vai realizar, entre os dias 11 e 14 de agosto, um curso sobre biotecnologia na propaganda de flores ornamentais. O evento será sediado em Holambra e os interessados devem entrar em contato pelo número:

(19) 241-9091.

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