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Análise econômica

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

"Se fosse crise, passava", garante consultor brasileiro

"Se fosse crise, passava", garante consultor brasileiro

Texto: Márcia Buzalaf

Se o momento em que vivemos fosse mesmo um período de crise, ele passaria. O que o mundo está vivendo - e o Brasil com mais intensidade - é uma revolução única, que deve intensifica ainda mais nos próximos anos. Esta

é a opinião de um dos mais famosos consultores de empresas do Brasil, Marco Aurélio Ferreira Vianna. Em palestra proferida em Jaú, na última segunda-feira, Viana mostrou como alguns de seus clientes e não clientes conseguiram se adaptar ao novo modelo de gestão empresarial e outros, não. Além do debate, ele apontou o consórcio de micro e pequenas empresas como uma saída para o fortalecimento dentro do mercado atual.

A sala principal do Teatro Municipal de Jaú lotou para ouvir a palestra de um dos mais experientes consultores do Brasil. Trazido pela agência do Sebrae-SP de Bauru e pela consultoria de Carlos Roberto Sette, Vianna falou para aproximadamente 700 pessoas alertando que suas conclusões têm como base as consultorias que deu através da empresa que preside, o Instituto M.Vianna Costacurta Estratégias e Recursos Humanos - a MVC. "Eu não quero ensinar nada. O verdadeiro mestre não ensina, ele inspira", afirma.

Entre sua lista de clientes, estão nomes como o do Banco Central, Coca-Cola, Antartica, Infraero, Rede Globo, Mercedez Bens, IBM, BankBoston, Fiat, Ford, Unibanco, 3M, Unimed, Volkswagen entre tantas outras.

O resultado da sua experiência é um belo puxão de orelha nos empresários que só reclamam do governo. Para Vianna, a empresa deve se voltar para ela mesma, e deixar para as entidades representativas, como a Fiesp, o dever de discutir o custo Brasil. "Eu já perguntei para mais de cinco mil empresário quem é o culpado pelo mal resultado da empresa e 99,9% respondeu que é o governo", ironiza.

Para Vianna, o empresário que quer se adequar ao novo conceito empresarial deve, primeiramente, trazer para si a responsabilidade da empresa. "Tem que ter responsabilidade individual", orienta.

Entretanto, quando o empresário assume a direção do sucesso - e também do fracasso - da sua empresa, ele deve ter consciência da época em que está vivendo. Para Vianna, o Planeta Terra nunca viu tal revolução.

"A massa de conhecimento e tecnologia dobra a cada ano e, quem não se atualizar, perde 50% desta capacidade por ano", garante. Segundo a previsão norte-americana para 2020, a duplicação de conhecimento e tecnologia será a cada 80 dias.

Isso significa que a competição deve se tornar ainda mais acirrada nos próximos anos, excluindo de vez a possibilidade da atual fase ser designada de crise.

Um terceiro conselho dado por Vianna é que a pessoa deve ter humildade para vencer. "As causas da derrota do futuro são as derrotas do presente, mas o troféu do presente não é a garantia do futuro", afirma.

Com seu jeito irreverente, Vianna pede para que empresas e funcionários deixem de lado antigos modelos, crenças e valores que já ficaram para trás. As experiências que devem inspirar as ações no meio empresarial devem ter o prazo de validade de, no máximo, dois anos.

Nas lições finais, Vianna recomenda:

- ter um sistema controlado de administração do tempo para o desenvolvimento pessoal;

- fazer uma completa revisão sobre as crenças e valores pessoais;

- aprender a desaprender o passado;

- dedicar importante parcela para si de desenvolvimento e conhecimento pessoais;

- ter um forte diferencial;

- manter mente, corpo e cérebro ativos;

- focar as oportunidades;

- trocar a lei de Gerson pela lei da "contribuição";

- aprender técnicas relativas ao campo das habilidades duráveis (controle da mente, neurolingüística, memorização...). O site do Instituto MVC fornece, gratuitamente, um serviço chamado Insight MVC, publicação voltada para a gestão de talentos e aumentos de performance organizacional. Mais informações podem ser conseguidas através do site: www.institutomvc.com.br.

Associativismo: caminho para as MPEs

Em resposta às fusões de grandes empresas no Brasil, o consultor Marco Aurélio Ferreira Vianna aponta o associativismo como uma saída para as micro e pequenas empresas. "O pequeno tem que se associar para ganhar escala em algumas coisas", afirma.

Vianna afirma que a grande maioria dos micro e pequenos empresários só pensam em lucro, e por isso, não se adequam ao atual modelo. "E, cada vez mais, quem quer só ter lucro, não tem. O lucro é o subproduto das coisas bem feitas", garante. E ainda completa: "Hoje, 85% das pessoas que vão ao balcão Sebrae para abrir um negócio perguntam o que é que está dando dinheiro".

Para ele, quem vai ganhar dinheiro é quem agregar valores ao produto e serviço que vende, quem investir no seu funcionário, quem colaborar com a sociedade... Vianna diz é que o proprietário de uma empresa quem deve ir atrás das mudanças:

"ele tem que encantar o cliente, procurar os melhores seres humanos para trabalhar, tem que ter um novo entendimento da empresa".

Em um de seus livros, "Vale a Pena", um estudo de 40 cases de micro e pequenas empresas, Vianna concluiu que o empresário que dá certo é muito diferente do estereótipo vendido para e comprado por brasileiros: "empresário rico, empresa pobre". Além disso, a fórmula essencial para o empresário é trabalhar, trabalhar e trabalhar. Com gosto.

Exemplos é o que não faltam. Vianna fala que um motorista de táxi de São Paulo bem sucedido consegue R$ 4 mil no final do mês, o dono de um barraca de cachorro-quente na capital chega aos R$ 6 mil. "Tem uma pequena loja de doces em uma cidadezinha no interior do Rio, mas que faz a melhor empada, e tira 10 mil por mês. Será que tem crise para esta empresa?", questiona. (MB)

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