Crise de credibilidade motivou problema no câmbio
Crise de credibilidade motivou problema no câmbio
Texto: Márcia Buzalaf
O momento em que o País está vivendo é de crise de credibilidade, que pode afetar tanto o futuro econômico quanto político. A opinião, emitida pelo economista e professor universitário, Reinaldo César Cafeo, dá um parâmetro da situação atual do Brasil. "Se perder este momento, o Brasil pode pegar o caminho errado", justifica.
A análise do economista afirma que a crise no câmbio vivida pelo País na última semana é um sintoma da falta de controle do Presidente da República em relação
às discussões do futuro do País. Na opinião de Cafeo, foi este descontrole que motivou uma série de acontecimentos que prejudicaram a estabilidade do real, tanto internamente - discussão com o presidente do Senado - quanto externamente - descredibilidade dos investidores.
O dólar e a taxa de juros, segundo explica o economista, são os pontos mais sensíveis da economia quanto a credibilidade de um país é afetada. Em vista da desvalorização do real frente ao dólar na
última semana - a cotação passou de R$ 1,88 para R$ 1,90 de segunda a sexta - o governo optou por emitir bônus indexados em dólar.
Esta postura é deferente daquela que foi adotada pelo Banco Central depois da liberação do câmbio, em janeiro. Naquela época, para controlar o preço que a moeda norte-americana estava atingindo, o governo colocou à venda dólar. Desta vez, Cafeo afirma, o Banco Central optou por vender os títulos cambiais em uma demonstração clara de credibilidade.
Além disso, Cafeo vê positivamente esta saída encontrada pelo governo e a atitude tomada pelo presidente FHC de falar sobre a economia no último domingo, na entrevista que pincelou todo o Fantástico. "A ausência do presidente da república deixando os interlocutores falarem por ele é natural que crie uma crise de credibilidade", afirma.
Alternativas
A partir desta posição atual, Cafeo explica, o Brasil pode trilhar dois caminhos distintos: fazer as reformas de base e colher os frutos em médio e longo prazo ou não conseguir levar as reformas em votação e ter que controlar a inflação com recessão.
O primeiro caminho, de se levar adiante as reformas, principalmente a tributária, para Cafeo é um dos itens mais importantes e que pode passar do ponto. "No ano que vem, com as eleições municipais, fica mais difícil votar a reforma", afirma Cafeo.
Para o economista, é importante que se discuta, inclusive, o conteúdo da reforma tributária "remendada" que está em tramitação no Congresso Nacional.
"A reforma tributária que estão propondo é um remendo que serve para agradar corporativismos e pressão de vários lados", defende Cafeo.
Se o Brasil perder o momento certo e deixar virar o ano 2000 sem as reformas aprovadas, Cafeo afirma, o País pode ser obrigado a manter a recessão em alta - taxas de juros elevadas e falta de incentivo à produção - para poder cumprir as cláusulas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso, o presidente deverá usar de medidas paliativas para controlar a economia.
Nestas condições, Cafeo afirma, a projeção que os banqueiros estão fazendo da cotação do dólar, de R$ 2,12, para o próximo ano deve se confirmar.