Criatividade pode ser a saída no comércio
Criatividade pode ser saída comercial
Texto: Adriana Amorim
A criatividade pode ser o trunfo dos comerciantes diante da atual situação econômica do País. A opinião
é do economista Marcel Solimeo, diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo. Atuando há 36 anos na área comercial, ele diz que os empresários do setor precisam se diferenciar para enfrentar a concorrência cada vez mais acirrada. Leia a seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Jornal da Cidade.
JC - O tema de sua palestra foi o comércio no atual cenário econômico. Que tipo de avaliação geral podemos fazer sobre esse ramos de atividade?
Marcel Solimeo - Estamos vivendo um período de incerteza na economia, que é ecorrente da instabilidade política. Aquilo que se esperava de um segundo semestre muito bom para o comércio não vai ocorrer. E o cenário para o próximo ano está muito ligado à questão política. Se o governo conseguir restabelecer a credibilidade e fazer o ajuste fiscal, o câmbio deve estabilizar e permitir que tenhamos um crescimento, embora nada de espetacular.
Jornal da Cidade - Então o senhor não tem uma perspectiva muito otimista.
Solimeo - Eu diria que a perspectiva otimista é de um cenário medíocre porque temos problemas tão graves que o cenário otimista não é grande coisa. Mesmo assim eu prefiro acreditar na racionalidade do presidente.
JC - Como o comerciante deve se portar?
Solimeo - Ele ter consciência de que o cenário não é brilhante, que vai haver melhorar, mas ao mesmo tempo não pode se iludir com melhoras circunstanciais. Precisa ter muita cautela, lembrar que o consumidor está muito mais exigente que anteriormente e saber que a competição está muito mais acirrada. Diante disso, o comerciante tem que buscar formas de se diferenciar da concorrência e ser mais eficiente.
JC - Mas dá para fazer isso mesmo com pouco dinheiro em caixa?
Solimeo - É mais difícil, mas a criatividade muitas vezes substitui os recursos. Nós vimos empresas com muitos recursos quebrarem, o que mostra que o problema muitas vezes é de falta de gestão. O principal é cair no gosto do cliente. Muitas vezes o atendimento pessoal vale mais que um preço mais baixo.
JC - Mas o comerciante não está muito mais preocupado em manter as portas abertas do que pensar em alternativas ?
Solimeo - Mas para manter o estabelecimento aberto, é preciso que ele pense em tudo isso. O comércio está sofrendo um processo violento de concentração. As vendas estão se concentrando em super e hipermercados, as empresas estrangeiras estão vindo disputar esse mercado, está surgindo o comércio eletrônico e os camelôs fazem concorrência. O comerciante tem que ter consciência de que o cenário mudou e por isso ele tem que mudar.
JC - Essa tendência das grandes empresas tomarem mais espaço deve se acentuar também em cidades do Interior?
Solimeo - Isso tem sido uma tendência, que estabelece muitas vezes uma concorrência que em certo ponto deveria ser proibida. Com a estabilidade e a tecnologia, a concentração
é facilitada. Para o comércio tradicional esse é um desafio a mais.