Caio de Botucatu retoma produção
Caio de Botucatu retoma produção
Entre as medidas para sair da concordata, empresa está lançando modelo de ônibus urbano com venda garantida
Botucatu - A Companhia Americana Industrial de Ônibus
(Caio) já começa a retomar sua produção e resolver as pendências com fornecedores e credores, três meses depois dos acionistas anunciarem o pedido de concordata preventiva. As novidades estão em diversas frentes: industrial, administrativa, financeira e comercialização.
A novidade industrial é o lançamento, neste mês de setembro do modelo Apache S-21, novo ônibus urbano, incorporando novos conceitos de engenharia e produção que permite baixo custo de manutenção e operação para os frotistas, design moderno, além de conforto aos passageiros.
Industrial
Ao ser apresentado, na semana passada, em Brasília, durante o Fórum da Associação Nacional de Transporte Urbano (ANTU), 50 unidades do Apache foram comercializadas. "Apesar da crise por que passa o setor, os proprietários de frotas de ônibus acreditam nos produtos da Caio e já encomendaram meia centena de ônibus. Da semana passada até esta terça-feira, já vendemos 60 novos Apache", afirmou José Massa Neto, diretor industrial da Caio.
Ontem, dia 1, a linha de produção da Caio começou a produzir os novos modelos. Para atender as mais de 50 novas unidades encomendadas, a cadência de produção da fábrica será de cinco ônibus por dia. A direção da empresa está negociando mais algumas dezenas de ônibus para a segunda quinzena deste mês, ampliando ainda mais a produção diária de
ônibus em Botucatu. "Estamos vivendo a retomada da produção, o que significa que o mercado está confiante no nosso trabalho e nós temos certeza que estaremos honrando nossos compromissos com os trabalhadores da empresa, fornecedores e credores", comemorou Massa Neto.
Renegociação
Como a negociação com os bancos e governo estão bem adiantadas e a apresentação do planejamento com os fornecedores será feita no decorrer de setembro, a expectativa dos diretores da Caio, é fechar o ano de 99 com a concordata liquidada. "O alongamento dos pagamentos permitirá à diretoria e equipe da Caio concentrar-se em vender ônibus. Estamos sentindo uma tendencia de recuperação nas vendas. No primeiro semestre quando entramos em crise o mercado estava em crise, agora que estamos saindo o mercado também está reagindo e nós vamos aproveitar essa fase boa", comenta o diretor industrial.
Salários
Até amanhã, dia 3, a empresa deve pagar os salários de julho dos 830 funcionários que estão trabalhando em turno reduzido. "Vamos anunciar para os funcionários e ao sindicato dos metalúrgicos que até o dia 3 de setembro os salários referentes ao mês de julho estarão sendo quitados". De acordo com os diretores da Caio a regularização dos salários dos 830 trabalhadores da empresa é a principal meta a curto prazo.
Patrimônio da CAIO é
garantia de pagamento
Para saldar a dívida que levou a Caio à concordata, avaliada em torno de R$ 70 milhões, no menor prazo possível e devolver a normalidade à produção e vendas, os acionistas disponibilizaram o patrimônio da empresa, avaliado em torno de R$ 90 milhões. De acordo com José Massa Neto e Cláudio Regina o mercado precisava sentir que os acionistas têm condições de saldar a dívida acumulada durante a gestão profissionalizada que foi implantada na empresa há quase dez anos.
Os acionistas, que atualmente estão dirigindo a empresa, afirmam que a
decisão é uma demonstração de empenho aos proprietários de frotas que durante mais de 53 anos apostaram nos produtos desenvolvidos pela Caio. "Não
é interessante para o mercado que ainda tem uma grande frota de nossos ônibus que a empresa venha a falir, pois isso provocaria depreciação maior da frota para as empresas", afirmou Claudio Regina,
um dos sócios.
Os diretores da Caio, empresa que atua no mercado de ônibus urbano no Brasil há 53 anos disseram que as expectativas devem melhorar para os
próximos meses para todos que atuam no mercado de encarroçadoras. Eles destacam o anúncio de aumento de investimentos sociais e entre os itens
está a renovação da frota de ônibus urbano, com novas linhas de créditos.
Apache S-21 um
ônibus para o futuro
Do conceito do que seria o novo modelo de ônibus urbano da Caio, o Apache S-21, à venda de 60 unidades já confirmadas no dia 31 de agosto, os engenheiros, designers, setor de projetos e desenvolvimento de produtos, linha de produção e o setor de vendas da Caio tiveram menos de cem dias. Segundo José Massa Neto as respostas rápidas de todos os setores da fábrica demonstrou o envolvimento da equipe de funcionários para ajudar a resolver o problema da concordata da empresa, que estava ameaçando o emprego direto de 900 pessoas. "Temos um dos mais modernos centros de projeto e engenharia implantados exclusivamente para produção de ônibus e da idéia do que queríamos, um onibus robusto, sem deixar de ser confortável ao passageiro e que incorporasse novas tecnologias sem perder a simplicidade e o baixo custo de manutenção, chegamos a esse produto que agradou os maiores frotistas reunidos em Brasília, na semana passada", afirmou José Massa Neto.
José Massa Neto disse também que o novo modelo de
ônibus foi desenhado levando em consideração o que o proprietário de frota queria. "Nossa equipe de vendas, engenharia, setor de custos e pós-venda entre outros, colheram dados com os frotistas e o ônibus que estamos colocando no mercado é um ônibus desenvolvido de acordo com as necessidades de quem opera linhas urbanas no Brasil".
Esse novo modelo incorpora novos conceitos de conforto para o passageiro: maior altura interna, melhor ventilação, melhor iluminação, bancos individualizados em diversas opções de cores. As janelas são altas, seguindo uma tendência internacional de veículos urbanos, que contribuem com a ventilação e a qualidade do ar que os passageiros respiram.
O novo modelo de ônibus, desenvolvido dentro dos mais modernos conceitos e linhas inovadoras, permitirá aos frotistas elevado valor de revenda e tempo de sobrevivência no mercado, graças à simplicidade de substituição das peças da carroceria, motor, suspensão e sistema elétrico. Tudo no Apache é simplificado e padronizado, permitindo facilidades na manutenção dos ônibus.
"Nosso novo modelo foi produzido de acordo com as normas técnicas do setor para o Brasil e exterior. Quem comprar o Apache S-21 não tem de
adaptar nada, é só colocá-lo na linha", diz o diretor da Caio.
O Apache S-21 substitui o Alpha, modelo lançado há mais de 4 anos. Os últimos modelos saíram da linha de produção na última terça-feira e
foram para uma empresa de Salvador, na Bahia.