Escritor agita biblioteca
Wagner Costa: menino escritor
Texto: Roberta Mathias
Quem visitou a Biblioteca Municipal, na última quarta-feira, para o bate-papo com o jornalista e escritor Wagner Costa não se arrependeu. Além de falar sobre literatura infantil e jornalismo, Costa deu uma aula sobre cidadania, ética, respeito. Sonhador e idealista, o escritor mostrou para a meninada
(apesar que gente grande também estava presente) a importância do amor, da amizade e da compreensão. Sua experiência como repórter policial, que instiga a curiosidade das crianças, despertou no homem uma visão diferente do mundo. Ele aprendeu a ver sempre os dois lados da situação (dever de todo jornalista ético) e a respeitar a todos os seres humanos.
"Ninguém rouba porque quer. Ninguém mata porque quer. O histórico de vida de cada pessoa não pode ser esquecido." Voluntário na Febem, Costa fala da realidade de crianças que não têm família, lar e amor. E é pensando nesse contexto social em que vivem muitas crianças no Brasil que ele optou por deixar a correria da redação para partir em busca de um ideal: melhorar o mundo. Em suas andanças - Wagner viaja o País inteiro para conversar com crianças e jovens em escolas
(públicas e particulares) e bibliotecas - ele está plantando sementinhas que devem geminar um mundo melhor para todos.
"Enquando houver uma criança que acredita na possibilidade de mudar o mundo, todo o esforço vale a pena", enfatiza o escritor. Participativa, a platéia aproveitou o papo para matar a curiosidade sobre diversos assuntos. Ele falou também que procura usar suas histórias para mostrar alguns caminhos
à meninada: que a amizade é importante e que o preconceito
é uma coisa horrível, que infelizmente está em muitos corações. Brincalhão, Wagner Costa roubou risos da turma e, mais uma vez, deixou sua marca, para sempre, no coração daqueles jovens.
Costa veio a Bauru a convite do JC Criança e da Editora Moderna para prestigiar a cidade em comemoração ao seu aniversário e foi o primeiro escritor a visitar o novo prédio da Biblioteca Municipal "Rodrigues de Abreu", que agora está no Centro Cultural (avenida Nações Unidas, 8-9). A arte-educadora Nadja Rodrigues convida toda a turma para ir conhecer o novo espaço, fazer pesquisas e brincar. Ela aproveita para lembrar quem tem um livrinho que não vai ler mais ou um brinquedinho em bom estado, faça uma doação para a brinquedoteca, muita criança vai aproveitar esse presente.
Peça ecológica
"A história não é bem assim" é o espetáculo teatral do grupo Matá-Matá que conta uma versão muito legal do conto-de-fada "Chapeuzinho Vermelho". Segundo Mariza Basso, responsável pela direção e sonoplastia da peça, tudo começou com uma curiosa coincidência. "A gente queria fazer um trabalho voltado ao meio ambiente. No mesmo período, surgiu a possibilidade de montar uma peça para o aniversário do Zoológico Municipal. Unimos as duas coisas e recontamos a história do Chapeuzinho Vermelho", explica Mariza. Mas nessa versão, o lobo não é mau, é o lobo-guará e a floresta é o nosso cerrado, habitat natural do lobo. Mariza salienta a importância de se falar destas duas espécies em extinção: o lobo-guará e o cerrado. O vilão, que na história original é o mocinho, é o caçador. O legal é que Bauru está localizada em uma região de cerrado, onde o lobo-guará sempre viveu. Hoje, infelizmente, há bem poucas matas. O grupo se apresentou no Zoológico Municipal e em vários outros locais, como escolas, teatros, etc. Quem quiser agendar, é só entrar em contato com a Mariza Basso pelo telefone (14) 222-7358.
"A terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra; todas as coisas são ligadas como sangue que une uma família. O apetite voraz do homem poderá devorar a terra sobrando somente um deserto." (Chefe Seatle - carta do índio - de 1854)