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Falências

Márcia Buzalaf
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Pedidos de falência de 99 superam os de 98

Pedidos de falência de 99 superam 98

Texto: Márcia Buzalaf

Os pedidos de falência dos primeiros oito meses de 99 já superaram o mesmo período de 98, que somou 129 pedidos. De janeiro a agosto deste ano, foram registrados 135 pedidos, um aumento de 4,65%. No mês de agosto, quando deram entrada 10 novos pedidos, ocorreu uma queda de 44,44% em relação ao mesmo mês do ano passado e referente a julho, que tiveram, ambos, 18 pedidos, segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial, Claudemir Jair da Silva.

Em Julho, fazendo a comparação com o mês de junho, que registrou 21 pedidos de falência, houve uma queda de 14,29%. Desde maio, os pedidos de falência vem decrescendo

(veja quadro).

Na opinião do professor-chefe do Departamento de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino

(ITE), Wagner Aparecido Ismanhoto, o fato de agosto ter registrado o segundo menor índice deste ano não deve ser motivo de ânimo, já que os dados não são apresentados em comparação com as empresas abertas. "Se os dados fossem comparados com as empresas que estão sendo abertas, ai sim, você poderia ter um índice de melhora", explica.

A queda nos pedidos de falência em relação ao mês anterior não registra um melhor desempenho das empresas. Muito pelo contrário. Para o economista, as empresas mais fracas já foram sendo fechadas nos últimos meses. "No processo natural, as empresas mais fracas estão morrendo ao longo do percurso, sobrando as empresas com um fôlego maior, mas elas também vão sucumbindo", analisa Ismanhoto.

O economista afirma que a situação ainda está muito difícil para as empresas, que estão prejudicadas em dois parâmetros. Em relação ao consumidor, a empresa perde vendas em decorrência do desemprego e do elevado juro que é cobrado também nas vendas. Para financiar estas perdas e manter a empresa, o juro cobrado pelos recursos financeiros também é alto. "Não teve nenhum fato animador que justificaria a a queda no número de falências. Depende do fôlego da empresa", afirma .

Ismanhoto diz que as empresas têm uma grande dificuldade em lidar com esta situação, já que pedir falência é sempre sinônimo de "ficar queimado no mercado". Por outro lado, quanto mais a empresa tenta adiar o pedido de falência, mais agrava sua situação de insolvência.

O grande problema apontado pelo economista não é apenas o número de pedidos de falências, mas, sim, a falta de abertura de empresas, que atualmente é quase impossível de ser calculada. A elevada carga tributária tem incentivado a informalidade das empresas. "Nós vemos a abertura de empresas informais. Nós assistimos as pessoas fechando as empresas e começando a trabalhar na informalidade. A empresa informal não entra como empresa que abriu nem como empresa que morreu, aí você perde a estatística", explica Ismanhoto.

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