Ônibus podem parar por falta de segurança
Ônibus podem parar na próxima semana por falta de segurança
Texto: Adriana Rota
Motoristas e cobradores da empresas de ônibus da cidade podem cruzar os braços na próxima semana em protesto aos constantes assaltos aos coletivos que colocam em risco a vida deles e dos passageiros. Uma reunião com representantes das empresas, da Polícia Militar (PM) e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) está agendada para às 9 da manhã da próxima segunda-feira, na tentativa de amenizar a situação.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
(Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, disse que a categoria está revoltada e amedrontada com a média de dois ou três roubos por dia, especialmente no último mês. "Antes tinha alguns pontos problemáticos, agora, eles assaltam em qualquer lugar, qualquer horário e qualquer empresa, a maior parte das vezes armados", afirmou.
Silva critica a atuação do governador Mário Covas, quando diz não estar satisfeito com a segurança pública, porque acredita depender dele a tomada de atitudes.
"Se precisa de recursos, que faça mais pedágios. Isso é competência da PM. Não vamos esperar acontecer aqui o mesmo que em São José dos Campos, onde um cobrador foi assassinado. O que adianta ser considerado herói depois disso?".
O presidente do Sindtran assinalou, ainda, que a decisão de fazer paralisações durante algumas horas ou um dia todo na próxima semana caso não haja alguma solução para o problema inclui uma preocupação com a segurança do usuário, que corre tanto risco quanto os funcionários das empresas de ônibus. "Por isso pedimos a compreensão da população", disse.
Silva sugere a realização de bloqueios-surpresa em dias e pontos alternados da cidade, nos quais os passageiros fossem submetidos a revistas por PMs. Os "cidadãos idôneos", segundo ele, não se oporiam, apesar dessa atitude ser considerada constrangedora. O presidente do Sindtran afirmou que esse tipo de ação já foi realizado em Bauru, mas não se recorda exatamente quando.
"Foi em 1993 ou 1994. Na época eu fazia a linha Jaraguá/Cidade".
De acordo com o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM, é possível fazer o trabalho. Para isso, basta que o sindicato indique os pontos e que haja a definição de uma estratégia.
Prejuízo
Silva disse ter como preocupação maior a integridade física dos usuários e dos funcionários, mas destacou que ainda existem casos em que o cobrador é obrigado pela empresa a pagar o dinheiro roubado (ou o motorista, em caso de batidas), ainda que em parcelas, geralmente sem que o sindicato fique sabendo e possa intervir. Isso porque eles têm um valor-limite que pode ser deixado no caixa, colocando o "grosso" do dinheiro no cofre. Mas até os cofres têm sido violados ultimamente segundo o líder sindical. A luta é pelo fim dessas cobranças e mesmo de outras punições internas por parte dos empregadores.