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Acidente de trabalho

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Indústria fala em prevenção de acidentes

Indústria fala em prevenção de acidentes

Texto: Luciano Augusto

Qualquer pessoa conhece um trabalhador que já tenha sofrido algum tipo de acidente em decorrência de seu trabalho ou a caminho dele. O Brasil, no período de 25 anos, já atingiu a casa dos 29 milhões de acidentes, registrados, com mais de 100 mil óbitos. Entretanto, esta triste realidade vem sendo combatida. Como comparação, no ano passado foram registrados 401.254 acidentes do trabalho contra 1,9 milhão em 1975. Para melhorar estes números, as indústrias nacionais lançaram, mais uma vez, a "Campanha da Indústria para Prevenção de Acidente no Trabalho - 1999".

Também o coeficiente de acidentes fatais no trabalho, que era de 40 óbitos para cada 100 mil trabalhadores na década de 70, hoje está estabilizado em torno de 17 a 20 mortes por 100 mil trabalhadores. Mesmo assim, em 98 morreram 3.785 pessoas, que é tido pela própria indústria como um demonstrativo que a questão dos acidentes ainda continua elevada.

A quantidade mensal de acidentes do trabalho, em 1998, variou entre 30 e 35 mil por mês, não registrando nenhuma acréscimo ou decréscimo significativo. Os trabalhadores mais afetados por acidentes apresentam faixa etária de 20 a 29 anos.

Em São Paulo, foram registrados 186.228 acidentes no ano passado, representando uma ligeira redução de 0,46%, em relação a 97, quando aconteceram 194.862.

O Brasil, segundo o último ranking mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1998, ocupa o 15.º lugar.

A campanha da indústria para a prevenção de acidentes, de acordo com o diretor do Serviço Nacional da Indústria (Senai), em Bauru, José Carlos Signoretti, 49 anos, não é nova. "O que está havendo

é uma intensificação pelas empresas. Inicialmente, isso (campanhas de prevenção) era feito pelo Governo. Pelo menos nos últimos quatro, as indústrias têm intensificado as campanhas por sua própria parte", complementa.

Signoretti argumenta que as indústrias partem do princípio de que o acidente de trabalho é anti-produtivo e que, além do dano social, ele é inviável economicamente. O custo de um acidente é muito caro e, "numa economia competitiva e globalizada como a que se apresenta", não

é interessante arcar com todos as implicações agregadas ao acidente.

Somente no ano passado, os acidentes e doenças profissionais representaram um prejuízo aproximado de R$ 9 bilhões, em custos mínimos totais (diretos e indiretos). O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) sozinho, concedeu em benefícios por acidentes de trabalho o valor de R$ 1.797.256.356,34, que representa os custos diretos (previdenciários e de indenizações). Os custos indiretos foram de R$ 7.189.025.425,36. Na média

, os acidentes custaram, em 98, R$ 22.395,49.

No Estado de São Paulo, o custo mínimo total somou quase R$ 3,7 bilhões (ver tabela sobre custos de acidentes em São Paulo). Em custo direto, foram gastos R$ 739.319.485,70, enquanto que os custos indiretos atingiram R$ 2.957.277.942,80. Por outro lado, o custo médio por acidente na indústria paulista ficou mais baixo que a média nacional, R$ 19.849,85.

Os maiores problemas, segundo Signoretti, ainda estão na construção civil, embora a situação nesta área esteja melhorando bastante. Até por isso, a campanha de prevenção promovida pela Confederação Nacional da Indústrias (CNI) deste ano, que começou em 13 de setembro e segue até o final de dezembro, tem como enfoque principal justamente os trabalhadores e empresários das indústrias da construção civil e metalúrgica. Esses dois segmentos estão entre os três mais fiscalizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, segundo o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE).

A iniciativa da campanha também conta com o apoio do Sesi, Senai, IEL e as 27 federações estaduais da indústria.

O Senai, inclusive, mantém uma parceria com a regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) num canteiro-escola ondes são realizados treinamentos com trabalhadores da

área de construção civil.

Além do canteiro, o órgão da indústria também realiza cursos de treinamento nas áreas de segurança, medicina e trabalho, como em transporte rodoviário de produtos perigosos, direção defensiva, prevenção de acidentes para componentes das comissões internas de prevenção de acidentes (Cipa), operador de empilhadeira

(parte de segurança), mapeamento de risco (onde se equacionam todos os lugares de risco com quadro de segurança), segurança no trabalho, primeiros socorros, segurança de operador de empilhadeira, entre outros. Além disso, o Senai também promove palestras e outros eventos ligados à prevenção de acidentes.

Na região, Signoretti argumenta que "até graças ao trabalho do Senai, a questão da prevenção tem melhorado bastante, especificamente na área industrial, e há uma boa receptividade dos empresários". Trabalhando junto com a Subdelegacia do Ministério do Trabalho de Bauru, o Senai atua também junto àquelas empresas que apresentaram problemas, fazendo a conscientização dos trabalhadores.

Corretamente, ele diz que a mudança completa deste quadro só poderá ocorrer através da educação de empresários e, principalmente, da mão-de-obra.

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Os trabalhadores na construção civil tem características bastante peculiares. Trabalham em situações adversas, na maioria da vezes têm escolaridade baixa e sem muita noção dos riscos que correndo.

A grande barreira, destacada pelo diretor do Senai, é a utilização correta dos equipamentos de segurança, como cintos e capacetes. "As indústrias têm fornecidos os equipamentos, porque inclusive o próprio sindicato atua em cima disso", garante o Senai, mas muitas vezes, são usados incorretamente.

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