Mulher maravilha
Mulher maravilha
Texto: Gustavo Cândido
1,62m de altura e 57kg de músculos perfeitamente definidos. Aos 29 anos, a catarinense Luciane Vieira, acabou de vencer pela segunda vez o Campeonato Paulista de Fitness. O campeonato brasileiro ela venceu o ano passado e atualmente é a terceira da Américas nesse esporte que mistura a beleza da ginástica olímpica com a força do fisiculturismo. Moradora de Bauru, ela deve disputar agora o seu primeiro Campeonato Ibero-Americano. Enquanto se prepara, com treinos diários e uma dieta especial, ela falou ao Jornal da Cidade sobre músculos, alimentação e anabolizantes.
Jornal da Cidade - Quando e onde surgiu o fitness?
Luciane Vieira - Surgiu nos Estados Unidos em 1997.
JC - No que consiste a modalidade na prática?
Luciane - É uma modalidade que julga a performance atlética, existem duas categorias, uma para quem tem até 1,60m e outra para quem é mais alta. Não é por peso. Os quesitos julgados são a performance atlética, feita com uma coreografia, com movimentos de força e flexibilidade. Existe também um quesito de corpo atlético, por definição dos músculos. Esse quesito vale duas vezes mais do que a performance coreografada. A atleta tem que ter um corpo atlético, bem definido e mostrar uma boa performance.
JC - O fitness é um esporte só para mulheres?
Luciane - Aqui no Brasil é, mas lá fora homens já estão praticando.
JC - Desde quando você pratica o esporte?
Luciane - Desde 97, quando começou.
JC - Como ficou sabendo da sua existência tão rápido?
Luciane - Eu era fisiculturista antes e já acompanhava as publicações americanas, era louca para participar, até que chegou aqui trazido pela Federação. Mas eu já comprava fitas de vídeo com demonstrações, já tinha uma noção do que era o esporte.
JC - Quantas pessoas praticam o esporte no Brasil hoje?
Luciane - É difícil saber mas a cada ano o número tem aumentado. Eu acredito que hoje existam umas 40, aproximadamente. As melhores atletas são de São Paulo, do Rio e do Rio Grande do Sul.
JC - Aqui na região você é a única?
Luciane - Sou. Existe mais uma menina com interesse no esporte mas ainda não começou a treinar. Em Campinas e Sorocaba existem muitas meninas treinando.
JC - Você já havia disputado campeonatos como fisiculturista?
Luciane - Sim, ganhei um em Santa Catarina, mas disputei um ano só.
JC - O fitness é mais interessante?
Luciane - É, o fisiculturismo exige mais massa muscular e eu não queria ficar muito musculosa, apesar de gostar de treinar pesado, por isso fiz a opção e já observava o esporte de longe. O fitness também é mais bonito, a apresentação é mais bonita.
JC - De onde surgiu esse gosto por treinar pesado?
Luciane - Eu comecei a treinar por causa do meu marido, que já estava na academia. Quando mudei para Joinvile na academia havia uma menina que treinava muito forte e eu comecei a treinar com ela, que já era fisiculturista. Depois de um ano eu já estava disputando com ela. Fiquei em terceiro lugar, ela venceu. Mas foi ela quem me incentivou a competir.
JC - Você já venceu o Campeonato Brasileiro e foi bem no Pan. Vai disputar o Mundial?
Luciane - Não sei. A Confederação Brasileira de Musculação e Fitness ainda não decidiu quem vai representar o País.
JC - Como é a sua rotina para se manter em forma?
Luciane - Eu treino todos os dias musculação e faço um trabalho de ginástica olímpica, principalmente nos movimentos de solo, para dar flexibilidade. Quanto mais movimentos difíceis a atleta faz na apresentação, melhor. Faço bastante exercícios para flexibilidade.
JC - E a alimentação?
Luciane - Faço uma dieta balanceada o ano todo mas em época de competição como agora eu zero o açúcar, a gordura, derivados de leite e como carbohidratos complexos como arroz, batata, batata doce e também muita verdura e legumes e proteínas do frango, peixe e clara de ovo. Tudo feito no microondas, sem gordura alguma. Isso tudo serve para afinar a pele porque a definição dos músculos vai se dar quando houver o mínimo de gordura possível no corpo e os músculos começarem a aparecer. Depois das competições eu volto a comer de tudo gradativamente.
JC - Hoje você se dedica só ao esporte?
Luciane - Não, trabalho como personal trainner, que é o que eu já fazia antes.
JC - Mas existe muito espaço para essa atividade aqui no interior?
Luciane - Existe, o problema é que poucas pessoas conhecem o trabalho e não sabem que tem alguém que trabalha com isso.
JC - Você já sofreu algum tipo de preconceito ou sentiu que as pessoas te olham de uma maneira diferente por ser uma mulher visivelmente mais forte do que as outras?
Luciane - Não nunca senti nem sofri nada. Sempre trabalhei em academias e quando dava aulas, os homens queriam que eu os ensinasse a ter um corpo bonito e as meninas queriam ter um corpo como o meu. Era geral.
JC - Mas e fora das academias?
Luciane - Também não. Meu tipo de físico
é bem proporcional, não sou muito grande. Quando coloco biquíni fica muito bonito, o pessoal admira, não acha estranho. Graças a Deus!
JC - A morte da campeã brasileira de fisiculturismo, há duas semanas, por causa de anabolizantes e todos os casos de atletas pegos no anti-doping no Pan de Winnipeg, trouxe de volta a discussão desse assunto. Afinal, é possível ter um corpo perfeito, forte, definido o suficiente para ganhar copetições, sem anabolizantes?
Luciane - É possível, nos Estados Unidos existem academias com pessoas que treinam só com base em suplementos alimentares, são chamados de "os naturais". E eles competem. Os anabolizantes são drogas usadas por muitos atletas, até de polo, mas são os fisiculturistas que os usam mais porque deixa o corpo inchado. O atleta de musculação treina para a hipertrofia dos músculos, por isso todo mundo diz que usa anabolizantes, o que é um certo preconceito. Hoje em dia existem muitos suplementos alimentares que junto com uma alimentação correta podem fazer o mesmo efeito.
JC - Você já usou algum tipo de anabolizante?
Luciane - Eu não usaria drogas nunca, nunca usei e quem usa está por fora. Sou supercontra isso.
JC - Qualquer um pode ter um corpo musculoso e competir?
Luciane - A princípio sim, mas existe uma predisposição genética que vai ajudar mais umas pessoas do que outras.
JC - Você ficou em terceiro lugar no Pan-Americano, que venceu?
Luciane - Foram duas irmãs do Uruguai. De físico eu estava bem mas a apresentação delas foi muito melhor, se eu tivesse participado do Campeonato Ibero-Americano no ano passado já teria me preparado melhor. Não fui porque não tive condições financeiras. Este ano eu vou.