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Projeto social

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 4 min

Projeto resgata menores de rua

Projeto resgata menores de rua

Texto: Erika de Lima

O projeto "Garoto Cidadão", desenvolvido pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), foi lançado no último sábado. A intenção é tirar os adolescentes da rua, oferecer-lhes programas socioeducativos como cursos de computação, inglês, aulas do ensino fundamental (4ª à 8ª série), além de várias atividades no período da tarde. Para cooperar com o projeto há outros departamentos e órgãos como a Promotoria de Infância e Juventude, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), o Sindicato dos Metalúrgicos e a Universidade de São Carlos.

Portanto, os 22 garotos que vigiavam os veículos ao redor da Instituição e também do Supermercado Confiança para ganhar dinheiro, não precisarão retornar às ruas para suas atividades anteriores.

Esse projeto social começou a ser desenvolvido, após a conclusão de um outro, que foi o primeiro. Há um ano, a Faculdade de Serviço Social havia desenvolvido um trabalho com algumas crianças atendidas no Crami e também com aquelas que passavam por dificuldades financeiras. Segundo a diretora da Faculdade de Serviço Social da ITE, Egli Muniz, durante a realização do primeito projeto começaram a surgir propostas da faculdade para resolver a questão dos meninos que ficavam vigiando carros à noite.

Como resultado, foi implantado o projeto "Garoto Cidadão" criado para tirar os "guardadores" dos carros do estacionamento da ITE e também para desenvolver atividades com seus pais. Entretanto, para se chegar no número de crianças e adolescentes foram feitas pesquisas pelos estudantes da Faculdade de Serviço Social. Eles iam até suas casas para saber sobre as situações econômicas e só depois fizeram o cadastramento para então, iniciar os programas que existem no projeto.

De manhã, os adolescentes que não freqüentam a escola vão até a ITE assistir aulas com professores do ensino fundamental e, assim, se prepararem para entrar na escola no próximo ano. Eles já foram cadastrados por uma assistente social, que também está trabalhando nos programas. Já os garotos que estudam, vão para a ITE só ao meio-dia para se juntar aos demais e almoçar na instituição.

No período da tarde, os garotos da faixa etária dos 8 aos 15 anos, participam de vários programas sócioeducativos com cursos de inglês, computação e modalidades na área esportiva. Para distrair os meninos e levá-los a adquirir mais cultura há também a oficina de paisagismo realizada na Oficina Cultural. Egli acredita que esse trabalho ajudará a criança a ter uma vida "um pouco mais digna".

Além dos cursos oferecidos, as crianças também recebem dinheiro. Cada um tem direito a uma bolsa de R$ 150 mensais, o valor corresponde às noites trabalhadas nos arredores, o que a diretora estima que eles ganhavam. O valor é entregue aos pais que depois distribuem para os adolescentes. Para aqueles que têm mais de um filho, o recebimento é de 50% do valor da bolsa por filho. Maurício Vagner da Silva Barros, 14 anos, que mora com a avó na São Manuel, vai usar o dinheiro para visitar o pai. "O dinheiro é dividido, metade fica com minha avó e a outra eu compro a passagem para ver meu pai", conta.

A direção da Faculdade de Serviço Social para arrecadar o dinheiro, faz o pedido aos próprios alunos da ITE, que segundo Egli, estão respondendo positivamente

à soliticitação. A ITE também colabora através do oferecimento de alguns profissionais.

Família é fundamental

Mas, para o programa ser eficaz, é importante que a família, pais ou responsáveis participem dele. Para isso, são realizados cursos de auto-estima com profissionais da área. Egli afirma que os pais serão preparados para continuar no projeto e também conseguir entrar no mercado de trabalho.

O "Garoto Cidadão" tem duração de um ano e os pais devem renovar um contrato após seis meses da assinatura. Esse projeto está servindo também para aliviar as amarguras dos pais. Em contrapartida, eles deverão ser rigorosos no que diz respeito à freqüência dos filhos na escola e nas atividades.

Maria Cristina de Oliveira Soares, 28 anos, mãe de um garoto de 11 anos, que vigiava carros na ITE há dois anos, está muito grata pelo projeto. Ela disse que ficava muitas noites acordada porque o filho saía para vigiar os carros e às vezes só voltava após dois dias. Maria Cristina, que irá fazer aniversário amanhã, conta que este foi um grande presente para o filho e a família. "Estou muito contente, ainda mais porque meu marido ficou desempregado há pouco tempo e íamos passar por grandes dificuldades", relata.

A faculdade conta com uma assessoria da Universidade de São Carlos, do Sindicato dos Metalúrgicos e também com a Sebes. Estes órgãos pretendem formar uma cooperativa para tentar inserir os pais no mercado de trabalho.

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