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Novo secretariado

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Ex-ferroviário é indicado à Cohab

Ex-ferroviário é indicado à Cohab

Texto: Nélson Gonçalves

O prefeito Nilson Costa (PPS) confirmou que o ex-superintendente da Fepasa, Arialdo Mercadante, está sendo para a Cohab

O prefeito Nilson Costa (PPS) confirmou, ontem à noite, que o novo presidente da Companhia de Habitação Popular (Cohab-Bauru) pode ser o ex-superintendente da Fepasa, Arialdo Mercadante. O nome de Mercadante circulou ontem nos bastidores da Câmara Municipal. A mudança na presidência da Cohab vai acontecer nesta quinta-feira, para quando está marcada a reunião do Conselho Administrativo, com esta finalidade.

Ao ser consultado sobre a indicação de Arialdo Mercadante para a presidência da Cohab, Nilson Costa afirmou que "é o único nome com quem estamos trabalhando até hoje". O prefeito, assim, também definiria a primeira alteração em seu primeiro escalão, visando acomodações de cunho mais político neste momento. Da mesma forma, o nome de Daltayr Vallim igualmente se firma como o primeiro a deixar a gestão Nilson Costa.

A Cohab-Bauru agendou reunião do Conselho Administrativo para a próxima quinta-feira, às 14 horas. É praxe nessas reuniões se definirem alterações importantes como a mudança de comando. Se a indicação de Arialdo Mercadante for confirmada para a Cohab será o terceiro presidente da gestão Nilson Costa a assumir a empresa de economia mista (da qual a Prefeitura é acionista majoritária). O atual prefeito teve como primeiro presidente da Cohab, em setembro de 98, Faukecefres Savi. Em seguida assumiu, em fevereiro deste ano, Daltayr Vallim.

A saída de Vallim da Cohab é tranquila do ponto de vista político. Ex-chefe de gabinete da gestão Tidei de Lima e muito próximo politicamente de Moussa Tobias, sobretudo neste momento, Vallim participa da atual gestão municipal como colaborador, fazendo parte de alguns dos indicados de forma política para compor o primeiro escalão. O mesmo aconteceu com o ex-vereador Walter Costa (PMDB), que é o atual diretor de habitação da Cohab.

Aliás, pela conjuntura política, o prefeito Nilson Costa deverá manter a atual diretoria fora da composição política que está costurando. Além de Walter Costa, devem ficar como diretores Eduardo Veloso e Constante Mogioni. O presidente Daltayr Vallim sai. Entretanto, quando leu os primeiros comentários sobre alterações no secretariado de Nilson Costa - onde seu nome estava como o primeiro da lista

-, Vallim tratou de ponderar que não tem nem mais idade para participar de um processo de fritura política.

A saída de Daltayr Vallim da Cohab é absolutamente normal do ponto de vista político. O atual presidente não esconde que é simpatizante do empresário Moussa Tobias e um dos entusiastas em favor da candidatura do articulador político à Prefeitura de Bauru no próximo ano. Obviamente, Nilson Costa não comunga da mesma opinião. Vallim defende, até, que seja formada uma frente em favor de Moussa. A frente pró-Moussa já está sendo desenhada. A diferença é que Vallim defende a participação inclusive de nomes como o ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) e de Nilson Costa. Desta forma, politicamente Vallim definitivamente não está afinado com as pretensões de Nilson, que igualmente não deixa nenhuma dúvida sobre suas intenções rumo à reeleição.

Administrativamente, Daltayr Vallim, apesar de não pertencer ao grupo político do atual prefeito, desponta como um dos mais bem posicionados. Na gestão Nilson Costa, Vallim é apontado como um dos integrantes do primeiro escalão que conseguiu enxugar a máquina administrativa. Enxugamento que é necessidade de todas as empresas indiretas, mas que não foi cumprido à risca por nenhuma delas. O DAE está em situação considerada razoável, mas a Emdurb permanece com um quadro praticamente idêntico ao da gestão Izzo. A Cohab saiu de mais de 350 funcionários, na gestão passada, para cerca de 140 no momento. Vallim demitiu dezenas, eliminando boa parte do conhecido cabide que havia na Cohab. O presidente divulga que a folha de pagamento caiu de próximo de R$ 1 milhão para perto de R$ 400 mil.

Para finalizar o trabalho de reestruturação da empresa, Daltayr Vallim ainda formalizou a entrega de um plano de cargos e salários à Delegacia Regional de Trabalho. Agora, como não disse nem sim nem não ao plano, o prefeito Nilson Costa terá muita dificuldade se quiser não seguir o modelo que consta no papel, inclusive com limitação para preenchimento de cargos em comissão. Em matéria de enxugamento da máquina, aliás, a gestão Nilson Costa continua devendo. Reduziu o número de secretarias mas não aplicou a racionalidade e escassez que a difícil situação financeira exige, ainda hoje. Para piorar, houve migração de funcionários indicados da Cohab para a Emdurb.

No campo político, por sinal, Vallim demonstrou mais punho de ferro que outros setores da administração, no que diz respeito à resistência em assédio por cargos. O presidente da Cohab tentou levar à risca o que foi acertado entre o prefeito e os vereadores. Ou seja, cada vereador que desejasse compor com o Executivo teria direito a apenas um cargo em comissão. O número unitário foi até criticado por alguns, mas foi muito acima do que se esperava em termos de comparação com a gestão anterior.

Vallim, então, estabeleceu uma meta e enfrentou dissabores para cumpri-la. Nos bastidores da política, muita gente com trânsito junto à administração confirma que Vallim chegou a bancar algumas situações, contrariando, em pelo menos um caso definido, vontade do próprio prefeito Nilson Costa.

O caso (a fonte não autoriza a divulgação do nome) foi levantado na medida em que um cargo da Cohab não atendeu plenamente o que pretendia a acomodação política: porque o salário oferecido era bem menor que o pago pela gestão Izzo. E olha que não se tratava de nenhum caso de excelência profissional e, ainda assim, o vencimento era superior a R$ 1 mil. O prefeito foi acionado e pediu para que a situação fosse ajeitada, de alguma forma. Vallim bateu o pé e disse que não tinha salário perto de R$ 3 mil para oferecer. O presidente da Cohab reduziu efetivamente salários de cargos em comissão, inclusive de integrantes da diretoria. Ao entregar o cargo, se Daltayr Vallim autorizar, a redação publica esse e outros exemplos por completo.

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