Ratinho protagoniza debate mais caloroso do Maximídia 99
Ratinho protagoniza debate mais caloroso do Maximídia 99
Texto: Rose Araujo
O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, foi a atração do segundo dia do Maximídia 99 - 9.º Encontro Internacional da Mídia, realizado no World Trade Center, em São Paulo. Ele protagonizou o mais caloroso debate ocorrido no plenário do evento, que tratou do tema "Audiência ou Qualidade
- O que interessa ao anunciante".
O palestrante, Miguel Jorge, vice-presidente de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Volkswagen do Brasil, destacou que a maioria das empresas não gosta de anunciar em programas que tenham baixa qualidade, "que mostrem as misérias humanas e promovam o linchamento moral das pessoas".
Sem citar nomes, ele ressaltou que os programas populares atraem geralmente anunciantes de empresas menores, sem grande renome nacional. "O custo de operação é mais baixo e isto possibilita a entrada de anunciantes diferenciados nestes programas", disse.
Quando chegou a sua vez de falar, o apresentador Ratinho foi ovacionado pela platéia, devido às declarações que fez. Disse que não diferencia se o dinheiro que entra vem de grandes ou pequenos anunciantes. "Pra mim, o dinheiro da Volkswagen é igual ao do supermercado da esquina que anuncia no meu programa", ressaltou.
Destacou também que existe muita hipocrisia na imprensa, que costuma considerar todos os brasileiros como se eles estivessem no topo da pirâmide. "A realidade não é essa. A grande maioria da população é carente de informação e não consegue assimilar as coisas".
Na ocasião, o apresentador mostrou que não só de pequenos anunciantes sobrevive seu programa. Citou nome de várias empresas de destaque nacional que também participam do patrocínio do Programa do Ratinho.
A polêmica tomou conta do debate, principalmente devido
à participação da platéia, que aplaudiu diversas vezes o apresentador do SBT e chegou até a vaiar o palestrante. Diante da situação, o mediador do painel, o jornalista Heródoto Barbeiro precisou pedir calma ao público.
Também estavam presentes representantes de outros meios de comunicação, como Aluísio Maranhão, da Revista Época, Jarbas Nogueira, dos jornais Agora São Paulo e Notícias Populares e Jorge da Cunha Lima, da TV Cultura.
No entanto, o debate acabou ficando centrado na discussão entre Miguel Jorge e Ratinho. Este último destacou que, se existe mesmo o interesse em se transformar a televisão num veículo educativo, então "deve-se substituir as novelas pelo Telecurso 2000, ou então, investir apenas na TV Cultura, que é uma emissora de excelente qualidade".
Jorge Lima aproveitou o gancho para falar que não é contra a guerra de audiência travada entre as emissoras comerciais e que elas estão certas em lutar com as armas que têm.
Com uma das participações mais coerentes do debate, ele ressaltou que existe espaço para todo o mundo e que
é preciso equilibrar tanto o erudito quanto o popular na televisão. "Acredito que o povo precisa de programas que falem sua linguagem, mas é importante despertar nas pessoas a emoção das artes", disse. "Os telejornais têm que deixar de lado o espetáculo de horror que transmitem diariamente e se concentrar mais na informação e no esclarecimento da população", completou.
Ratinho fez questão de dizer que o palestrante, Miguel Jorge, durante seu discurso, atacou o seu programa. Jorge, por sua vez, criticou a atitude da platéia e do apresentador do SBT, dizendo que não estava participando de um programa de auditório, mas sim um debate sério, onde as opiniões deveriam ser ouvidas e respeitadas.
Ratinho chegou a ameaçar diversas vezes se retirar do evento, dizendo que estava sendo ofendido.
No final do debate, em entrevista ao Jornal da Cidade, o apresentador disse que achou o debate interessante e que a iniciativa de se melhorar a qualidade da TV brasileira é boa. "Mas, não pode confundir melhoria com elitismo. Não se pode é transformar a televisão num veículo para meia dúzias de intelectuais". Disse também que seu programa mudou o conceito desde que ele foi para o SBT e que a exploração de fatos sensacionalistas, como doenças e brigas de casais, não fazem parte mais do roteiro. Aproveitou ainda para dizer que seu contrato com a emissora do Silvio Santos vai até 2.002 e deverá ser renovado na época.
Mídia regional recebe 65% dos investimentos nacionais
No ano de 1.998, foram investidos em propaganda R$ 10 bilhões em todo o País. Deste total, R$ 7,5 bilhões foram verba de mídia. Trinta e cinco porcento deste montante foram investimentos feitos por empresas em nível nacional e 65%, em mídia regionalizada - observando-se que metade deste montante é referente ao investimento de empresas nacionais nos mercados regionalizados. Os dados foram fornecidos pelo superintendente comercial da Rede Globo, Octávio Florisbal, durante o painel "Micromarketing - A crescente importância da mídia local", realizado no Maximídia 99
- 9.º Encontro Internacional da Mídia, que está acontecendo no World Trade Center, em São Paulo.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele lembrou que o Brasil é um País muito grande e que, por isso mesmo, tem mercados diferenciados. "Existem diversas regiões no País que têm um potencial incrível de consumo, como a região de Bauru, por exemplo", destacou. Por causa disto, as grandes empresas estão procurando chegar de uma maneira mais rápida e fácil a este mercado, investindo diretamente na mídia local.
Florisban explicou que este fenômeno vem se desenvolvendo ao longo dos últimos 20 anos e que está se aperfeiçoando cada vez mais. "As empresas estão preocupadas em ficar com uma identidade mais parecida com a da localidade", destacou.
De acordo com ele, isto é tão importante para os veículos de comunicação - sejam eles rádio, jornal ou TV - quanto para as empresas locais de propaganda e marketing. "Existe uma norma que diz que todas as agências de publicidade devem se filiar ao Centro Executivo das Normas Padrão (Cenp). Através deste órgão, elas têm uma facilidade de estar sempre bem informadas". Ele explicou que pesquisas podem ser adquiridas a preços simbólicos, o que dá subsídio a essas agências, para que elas apresentem dados mais completos aos clientes.
Além disso, segundo Florisban, o Ibope e o Grupo de Mídia estão dando apoio a estas agências, ajudando-as a buscar os melhores caminhos para o desenvolvimento.
O painel, que foi realizado às 9h30, teve ainda como debatedores Paulo Guerchfeld, da FischerAmerica Dez, Paulo Stephan, da Neogama e Sérgio Medeiros, da GM.