Conhecer entidade antes de fazer doações evita golpe
Conhecer entidade antes de fazer doações evita golpe
Texto: Adriana Rota
As entidades assistenciais que cuidam de crianças, idosos, dependentes químicos e portadores de deficiência utilizam-se de diversas táticas para conseguirem manter a qualidade do atendimento prestado. Paralelamente, uma "indústria do golpe" coloca pessoas vendendo produtos de porta em porta, fazendo telefonemas, solicitações pessoais ou faixas nos cruzamentos da cidade, em nome de entidades idôneas ou outras que nem existem. Para se proteger dos golpistas, o ideal
é conhecer o trabalho da entidade antes de dar qualquer ajuda.
Hoje existem 60 entidades cadastradas na Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) de Bauru. Para serem legalizadas elas têm de enquadrar-se em critérios definidos pelo órgão de acordo com o público que vai atender. Sendo aprovadas, passam a receber uma subvenção mensal, assessoria técnica de três assistentes sociais que visitam e acompanham o trabalho das entidades, além de cursos de capacitação para os funcionários e voluntários.
A diretora do Departamento de Serviço Social da Sebes, secretária interina Maria Inês Bini, alerta que o fato de não estar cadastrado não significa, necessariamente, que a entidade não seja idônea. "Mas o ideal
é que tenhamos esse controle", disse. Sobre o número crescente de entidades sociais, ela é incisiva: "Temos de fortalecer as que já existem, aos invés de criar novas instituições para cuidar dos mesmos assuntos".
Isso ajudaria, também, a população que costuma dar contribuições. "Ontem (terça-feira) uma entidade de apoio a pacientes com câncer procurou meu marido e ele doou R$ 10,00. Hoje (ontem), outra associação de câncer nos procurou. Se já existe uma, para que outras? A gente fica inseguro, sem saber no que será utilizado o dinheiro. Às vezes, pensa que está ajudando quem precisa e na verdade não está, o que leva as pessoas a ficarem descrentes e não colaborarem mais", desabafou uma leitora do JC que preferiu não ser identificada.
Investigações
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) está investigando dez casos de golpe há vários meses. A população costuma consultar a DIG quando tem dúvidas sobre a seriedade da destinação do dinheiro. A partir da denúncia, verifica-se se as entidades estão cadastradas, se comprovam a entrada de receita e onde são aplicadas as doações.
Para o delegado titular J.J. Cardia, a mínima desconfiança da existência de má-fé basta para que aquele que tem "espírito benemérito" desista de contribuir, procurando informar-se sobre a existência de uma outra instituição, idônea, e indo pessoalmente conhecer o trabalho desenvolvido. "Na minha opinião, não se deve comprar nada na porta, dar esmola ou contribuição para trote de faculdade, porque existem outros meios de ajudar. Esse tipo de atitude dá margem aos abusos e incentiva outros a agirem da mesma maneira", acredita.
Instituições
Algumas instituições, como a Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae), o Centro de Valorização da Criança (Cevac), a Legião da Boa Vontade (LBV) e a Associação Para a Integração Escolar da Criança Excepcional (Apiece) foram ouvidas pela reportagem do JC. Todos os eventos e campanhas realizados por elas são devidamente divulgados através da imprensa.
A Cevac se mantém com contribuições espontâneas; a Apae recebe doações pessoalmente e através de carnês mensais; a LBV pede contribuições por telefone e de porta em porta; a Apiece conta com colaboradores e tem apenas uma pessoa autorizada para vender doces e temperos nas portas, chamada Roberval Gomes de Freitas. As doações via telefone, na porta e as vendas dessas entidades sempre contam com a apresentação de recibos e credenciais dos funcionários encarregados do serviço.