PC do B, PSB e PV confirmam aliança para as eleições municipais
PC do B, PSB e PV confirmam aliança para as eleições municipais
Texto: Josefa Cunha
Enquanto as principais forças partidárias de Bauru ainda conversam sobre a formação de um bloco que contemple interesses eleitorais, os pequenos partidos de esquerda do município já oficializam uma aliança ideológica para as eleições do ano 2000. Ontem, as direções do Partido Comunista do Brasil (PC do B), do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Partido Verde (PV) decidiram antecipar a formalização de uma coligação, batizada de "Aliança 21".
A unidade entre as três legendas reedita na cidade a experiência de atuação política unitária que ocorre no Congresso Nacional desde o início da atual legislatura. Em Brasília, o PC do B e o PSB se revezam na liderança, exercida atualmente pelo deputado paulista Aldo Rebelo, de uma bancada constituída por sete deputados comunistas e 18 socialistas. O bloco também tem se aliado ao PT e à bancada pedetista (os brizolistas) na oposição ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Para os presidentes dos partidos em Bauru, a coalizão definida desde já abre perspectiva para o fortalecimento da esquerda no município, particularmente porque a união não tem propostas exclusivamente "eleitoreiras", mas um caráter coerente com o ideário programático de cada um. Os dirigentes crêem, inclusive, que chegarão a 2000 com uma força significativa e viável em termos eleitorais. Juntas, as três legendas somarão 5 minutos e 18 segundos.
Inicialmente, PC do B, PSB e PV não estão trabalhando para lançar candidatura majoritária, embora não considerem a hipótese improvável. A meta principal
é manter a vaga no Legislativo - hoje ocupada pela vereadora Maria José Majô Jandreice (PC do B) - e fazer o possível para ampliar a representatividade parlamentar em, pelo menos, mais uma cadeira.
Bem mais provável, no entanto, é a possibilidade da "Aliança 21" unir-se a outras legendas situadas no "campo democrático, popular e de oposição ao projeto liberal de FHC". Na lista dos prováveis aliados estão PDT, PT, PPS e até o PMDB. Com o estruturado PDT, o trio de esquerda só confirmaria o elo se o partido de Leonel Brizola não se agrupasse ao PSDB.
Com o PPS, as conversações dependeriam do grau de relacionamento do partido de Nilson Costa com o PPB. Hoje, ambos estão afinados e prometem caminhar juntos no processo de sucessão municipal. "O PPS é um partido de esquerda, que, neste momento, está junto com o PPB por uma razão meramente, acredito eu, pragmática-administrativa. A própria vereadora Majô tem estado próxima do governo municipal no sentido de colaboração. Por ser um governo de transição, ela se sente co-responsável, mas essa é uma postura que nada tem a ver com a questão eleitoral. Se nas eleições prevalecer o raciocínio ideológico, poderemos estar com o PPS", adiantou Dino Magnoni, da direção executiva do PC do B.
A "Aliança 21" também não descarta uma união com o PMDB, desde que, obviamente, a legenda em Bauru assuma uma postura contrária à política federal. Os peemedebistas continuam divididos entre a ala de apoio a FHC e a de oposição, embora em São Paulo a resistência ao governo federal seja praticamente hegemônica. Transferindo para Bauru, significa dizer que o partido de Tidei de Lima poderá receber o reforço da esquerda se o discurso for de oposição ao tratado neoliberal.