Igreja presta assistência a moradores de rua
Igreja presta assistência a moradores de rua
Texto: Adriana Rota
A Igreja Universal do Reino de Deus da Praça Machado de Mello, em Bauru, através da Associação Beneficente Cristã (ABC), está realizando um trabalho de resgate e reintegração material e espiritual de andarilhos e moradores de rua. Cerca de 200 voluntários atuam em diversas frentes todas as terças-feiras, visando devolver a dignidade de homens e mulheres de todas as idades.
Eles são "recrutados" nas ruas, por membros da igreja ou outras pessoas que conhecem o trabalho. Muitos chegam por conta própria, indicados por amigos que foram atendidos anteriormente. A igreja mantém, também, uma perua que cuida de recolher os que tenham interesse em ser ajudados.
Na sede da igreja tomam banho, cortam os cabelos, fazem a barba, recebem roupas limpas, alimentos e orientação espiritual. Um levantamento verifica quem não possui os documentos e os providencia e, na medida do possível, tenta-se conseguir empregos. O albergue noturno está abrigando a maior parte deles, porque a igreja ainda não tem espaço físico para isso.
A idéia é ampliar o atendimento, que ocorre uma vez por semana, atendendo a algo em torno de 120 pessoas por dia. Por enquanto a igreja ainda não tem possibilidades porque está em processo de reforma e ampliação. Alguns comerciantes da cidade já estão colaborando mas, especialmente, a população. Parcerias futuras com universidades devem ser buscadas para atendimento médico, odontológico e psicológico.
Cerca de 200 voluntários, membros da igreja ou não, dividem-se em equipes que vão em busca de doações diversas e trabalham para receber os andarilhos e moradores de rua. "O trabalho visa o bem-estar da cidade", explicou um dos pastores que organiza o movimento. Flora M. de Castro, 52 anos, cabeleireira, é uma das voluntárias. "É muito gratificante. Fechei meu salão hoje e resolvi colaborar com aquilo que sei fazer. Acho que cada um deve dar sua parcela de contribuição", ensinou.
O trabalhador rural Enéas da Silva Rocha, 45 anos, que tem dormido no albergue nos últimos dias, trabalhou uma temporada numa fazenda em Vera Cruz, na plantação de café, mas o serviço acabou. "Agora estou procurando uns terrenos para carpir e conseguir dinheiro para poder ir para São José do Rio Preto, que lá eu sei que tem serviço", disse. Rocha é natural de Belém (Pará) e saiu de casa há 23 anos para tentar uma vida melhor, deixando toda a família por lá.
Valdevino Bispo dos Santos, 53 anos, também é trabalhador rural. Hoje, vive na rua e vai para a roça "quando dá". Ele estava todo satisfeito cortando os cabelos.
"Está muito bom, graças a Deus", afirmou, referindo-se ao serviço dos voluntários.
Serviço
Quem tiver interesse em compor o voluntariado ou colaborar doando alimentos, roupas, calçados, produtos de higiene e limpeza, dentre outros, pode entrar em contato pelo telefone 232-6272 ou ir até a Praça Machado de Mello, 2-51.