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Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 4 min

Resgate atende 35% de casos clínicos

Resgate atende 35% de casos clínicos

Texto: Adriana Amorim

Os casos clínicos representam 35% do total dos atendimentos prestados pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros em Bauru. O número é considerado alto pelo comando da corporação e chega a essas proporções porque os bombeiros acabam desempenhando uma função que não caberia a eles.

São considerados casos clínicos os que envolvem, por exemplo, ataques cardíacos, acidentes vasculares, mau súbito e engasgamento. Teoricamente, a Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros teria que prestar atendimento nas situações emergenciais, ou seja, quando a vítima estivesse em risco de vida eminente.

Na prática, não é bem assim que funciona. Quando a população não encontra ambulâncias no Pronto-Socorro ou deixa de tomar atitudes que poderiam amenizar o problema (veja quadro de primeiros socorros), acabam acionando o Corpo de Bombeiros.

"Nem sempre nós sabemos direito o que está acontecendo e por isso vamos verificar, principalmente nessa época em que as ambulâncias não estão absorvendo a demanda", acrescenta o capitão Rúbio Galharim.

"Com isso, nosso trabalho fica sobrecarregado".

A maioria das ocorrências é registrada no ambiente doméstico ou lugares públicos, como agências bancárias. Segundo o capitão, a Unidade de Resgate costuma chegar aos locais dentro de cinco minutos, uma marca que, de acordo com ele, corresponde a índices exigidos internacionalmente.

Mesmo assim, nem sempre é possível prestar o atendimento adequado nos casos clínicos devido à grande quantidade de ocorrências. "Às vezes, temos ocorrências simultâneas, sendo que nem precisaríamos estar presentes nesses casos os quais não nos cabe", diz o capitão Rúbio. Até o início do mês passado, a Unidade de Resgate havia atendido 2.076 ocorrências, cerca de 720 referentes a casos clínicos.

Vida salva

Maria Augusta Rodrigues, 60 anos, foi vítima de uma parada cardíaca ontem pela manhã e acabou sendo salva pelo atendimento prestado pelos bombeiros. Ela caiu no viaduto na rua 13 de Maio e foi reanimada pela equipe que chegou ao local dentro de dois minutos. O tenente Alexandre Reche, comandante da equipe, diz que a massagem torácica e a respiração boca-a-boca foram feitas no local e o procedimento continuou na viaduta até a chegada no Pronto-Socorro.

"Nesse caso, a rapidez é muito importante porque, quanto mais cedo iniciamos a oxigenação, mais chance de evitarmos a morte cerebral", explica. O tenente disse que casos como o de ontem sempre gratificam o trabalho dos bombeiros, uma vez que nem sempre é possível chegar a tempo.

"Uma coisa dessas não tem preço, dá até vontade de chorar".

Mesmo assim, a expectativa do Corpo de Bombeiros é de que o número de casos clínicos caia pela metade com a recuperação da frota de ambulâncias da Secretaria Municipal de Saúde.

Dicas de primeiros socorros

- Checagem dos sinais vitais

A pulsação sanguínea é a primeira a ser verificada. O melhor ponto é o pescoço, mas também pode ser percebida nos pulsos. No homem, o normal

é 60 a 70 batimentos por minuto. Na mulher, varia de 65 a 80. Crianças registram entre 120 e 125. Se os números estiverem muito acima ou abaixo, é que há algum problema.

Outro sinal é a temperatura, sendo que a considerada normal

é de 36º. Acima de 39º pode causar convulsão. Através do tom da pele é possível ter um indício da circulação e oxigenação. Se os lóbulos das orelhas ou mucosa localizada sob a língua estiverem vermelhos é porque o sangue está chegando normalmente. Já o arroxeamento das unhas e lábios indica que está faltando sangue.

Quanto à pressão arterial, o índice máximo considerado normal é entre 11 e 13 e o mínimo é entre 6 e 8.

- Parada cardio-respiratória

É preciso fazer a ressuscitação cardio-pulmonar

(RCP) que inclui massagem no tórax e insuflação artificial (respiração boca-boca). A massagem é feita no ponto central do peito, na linha dos mamilos. Coloca-se o dorso de uma das mãos neste ponto e a outra por cima, cruzando os dedos, e faz-se força o suficiente para afundar o peito em aproximadamente cinco centímetros.

Para fazer o boca-a-boca é preciso tapar o nariz com as mãos, colocar a boca sobre a boca do paciente, vedando o escape do ar, e soprar para encher o pulmão do outro.

Os procedimentos devem ser repetidos até que o paciente retome as funções respiratórias e cardíacas.

- Engasgamento

No caso de adultos, o ideal é bater nas costas da pessoa, posicionando a mão em forma de concha. O local indicado são os ossos pontudos das costas. Para incentivar a tosse

é indicado que sejam dados quatro tapas. O procedimento deve ser repetido durante cerca de 30 segundos e com menos intensidade no caso de bebês e crianças.

Ocorrências atendidas pelo Resgate

40% acidentes de trânsito

35% casos clínicos

27% queda

10% atropelamento

9% lesão corporal

6% acidente pessoal

5% parturiente

3% outros Fonte: Corpo de Bombeiros

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