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Água mineral

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Qualidade do envase depende da higiene

Qualidade do envase depende da higiene

Texto: Sabrina Magalhães

Algumas empresas chegam a exigir que os funcionários tomem banho antes de entrar nos galpões de envasamento

A água é uma das principais fontes de contaminação para o ser humano. Por isso, a higiene no processo de envase dela

é fundamental para segurança do consumidor. Essa higiene começa nas imediações do poço, passa por toda a tubulação e maquinário, chega aos galpões, aos vasilhames e aos funcionários. Um deslize em qualquer desses pontos pode comprometer a qualidade do processo e a saúde de quem usa o produto.

De acordo com Cláudia Santos Quadros, gerente administrativa da Miner, produtora da Água Mineral Santa Bárbara

(Fonte Santa Catarina), os cuidados começam na construção do poço, que deve ser totalmente revestido de aço inoxidável - material que não enferruja e, portanto, não altera a composição da água. O poço fica protegido por uma casinha de alvenaria, de onde sai um ladrão (para escoar a água excedente).

Cláudia explicou que apesar do ladrão ficar a céu aberto e soltar água dia e noite - porque a vazão do poço (140 mil litros/hora) é maior do que a capacidade de envase da empresa -, a direção cercou as imediações e não permite que a população da cidade aproveite essa água. "Tudo isso é protegido de forma que não entrem pessoas ou animais, para não contaminar a área."

Do poço, a água é bombeada para reservatórios, trajeto que é totalmente feito através de tubos e filtros de aço inoxidável suspensos, ou seja, a tubulação não tem qualquer contato com a terra. Junto de cada reservatório é construído um galpão, totalmente revestido de azulejos, o que facilita a limpeza do local. Ali estão dispostas as máquinas, que vão esterilizar, envasar e fechar os vasilhames.

Funcionários

Segundo Cláudia, dentro dos galpões o principal cuidado da empresa é com a higiene pessoal dos funcionários, que podem levar fungos e bactérias para as máquinas.

"As pessoas que trabalham com a gente ganham todo o material de higiene necessário. Elas têm sanitários, sabonete, aparelho de barbear. Então eles chegam, tomam um banho antes de entrar para trabalhar, recebem toalhas limpas, vestem o uniforme limpo, calçam botas, tudo lavado aqui, pela empresa."

A gerente salientou que ao ser contratado todo funcionário passa por um treinamento, onde recebe as instruções de higiene e do serviço a ser desempenhado. Além dos cuidados com banho e uniforme, na entrada de cada galpão há um vestiário, local onde o funcionário dispõe de sabonete e torneiras, para lavar as mãos. Ao atravessar a porta, ele passa caminha por um lava-pés, onde há uma mistura desinfetante, de forma que as botas sejam devidamente higienizadas antes que ele pise nos galpões.

Durante todo o tempo os 110 funcionários da Miner usam luvas, máscaras e protetores de ouvido, conforme a atividade a ser desempenhada.

Água é analisada diariamente

As empresas de envase de água que zelam pela qualidade do produto costumam ter um laboratório próprio para análise diária do produto. Conforme Cláudia Quadros, na Miner, os técnicos fazem coletas diárias da água do poço, dos reservatórios, das máquinas, de um garrafão em linha de envase para saber se o processo está em ordem.

E diariamente são coletadas e analisadas amostras de água de poças, do chão dos galpões, do lava-pés.

"Eu preciso saber se meus funcionários fazem o serviço direito, se lavam devidamente as mãos antes de entrar no galpão, se a água do lava-pés está esterilizando as botas." Questionada a respeito das alterações encontradas nestas análises, ela explicou que o mais comum

é haver poeira nas cabines. "Uma contaminação que não traz grandes problemas, só que precisa ser sanada. O que eu tenho que estar sempre alerta mesmo é se os funcionários estão esterilizando as mãos depois de ir ao banheiro, porque aí podem aparecer coliformes fecais. Porque o equipamento é simples, mas o funcionário tem que ser educado antes de entrar na linha de trabalho."

Além desta análise diária, a cada dois meses a empresa envia uma amostra da água para o Instituto Adolfo Lutz, órgão de análises laboratoriais vinculado ao Governo. O órgão emite um laudo atestando a qualidade e a composição da água.

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