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Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Não está no dinheiro a solução para violência

Não está no dinheiro a solução para violência

O autor, B. Requena, é editor de Internacional do Jornal da Cidade

Não sou o primeiro nem serei o último a dizer: administrar com dinheiro é uma das coisas mais fáceis que existem; o difícil e meritório, se bem-sucedido, é administrar com idéias.

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo divulgou, há alguns dias, o seu plano de que os assinantes de linhas telefônicas paguem com a conta, mensalmente, de maneira compulsória, uma certa quantia em reais a fim de que o governo possa fazer frente à enorme onda de violência que assola o nosso Estado. Nada mais absurdo e também nada se enquadra tanto ao que dissemos no primeiro parágrafo deste artigo do que esse tipo de proposta.

Entre os absurdos que podemos constatar está o de que essa idéia equivale a sugerir uma maneira de reduzir o salário de amplos setores da população paulista. Isto significa que além de não dar aumento salarial, o governo ainda tem proposta para mordê-lo, para diminuí-lo.

Estamos observando a enorme quantia que o governo federal arrecada com o famigerado imposto do cheque, a CPMF, mas estamos observando, também, a situação de penúria dos hospitais do Brasil inteiro. Falta de remédios, pacientes jogados no chão dos corredores, quando têm atendimento. Nem precisamos comentar quando o atendimento inexiste. Antes da CPMF já havia e há o histórico desconto para a Previdência Social. Desconta-se mensalmente boa quantia por dezenas de anos e, na hora de retirar uma limalha do olho tem-se que correr para um médico particular, Unimed ou outra cooperativa eficiente. E a prática ensina: mesmo no caso de se duplicar essa contribuição, tudo continuaria igual...

Caso contribuíssemos com a segurança através da conta telefônica, veríamos figurões dos altos escalões passarem a desfilar com o dobro de seguranças, estes com ternos impecáveis, ray bans importados, coletes

à prova de bala e carros blindados para todo o mundo "vip". Isto com o nosso dinheiro.

Mas se também, além da conta telefônica, passássemos a carrear dinheiro para a segurança, adicionalmente, através da conta de luz, de água etc., continuaríamos vendo rebeliões de presos, fugas em massa, crimes hediondos acontecendo e outras barbaridades. Nossa legislação continuaria considerando como "bem comportado" alguém, como o ator Guilherme de Pádua, que assassinou com mais de 30 tesouradas uma colega de trabalho. Então o que é alguém de "mau comportamento"? Antes de encerrar este artigo, vinha chegando o Aristides que pediu para ler e, ao final, para o meu espanto, disse: "Eu concordaria em ter durante uns dois ou três anos descontada em minha conta uma verbinha para a segurança". Não acredito, retruco. "Para comprar cadeira elétrica!" ele explica. Não me comprometa, Aristides.

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