Maioria do Estado evolui mais que Bauru
Maioria do Estado evolui mais que Bauru
Texto: Adriana Amorim
A região administrativa de Bauru, que inclui 38 municípios
- apresenta um ritmo de melhoria nas condições de vida da população menos intenso que o da maioria das regiões administrativas do Estado. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) referente a 1996 divulgado esta semana pela Secretaria da Economia e Planejamento do Estado revela que nove das 15 regiões conseguiram um índice superior ao de Bauru nos últimos 26 anos.
O IDH é a média aritmética de três indicadores: índice de renda (expresso pela renda per capita,) educação (compreendendo a taxa de alfabetização de adultos e a taxa combinada de matrícula nos ensinos fundamental, médio e superior) e expectativa de vida. Quanto mais próximo de 1, melhor a situação da região, caracterizando alto desenvolvimento humano. De acordo com a pesquisa, a região de Bauru apresenta IDH de 0,8634, índice que a enquadra nessa categoria.
No ranking das regiões administrativas do Estado, Bauru aparece em 9º lugar, o que significa que caiu três posições de 1970 para 1996. Isso porque o ritmo de crescimento da região não foi tão intenso como o da maioria do Estado. Nos últimos 26 anos, o crescimento do IDH foi de 54,73% nas cidades da área de Bauru, enquanto outras regiões do Estado chegaram a apresentar aumento de até 84,93%, como é o caso de Presidente Prudente. Em Araçatuba, o crescimento foi de 76,78% e em Marília, de 75,05%.
O ritmo de crescimento do IDH da região de Bauru só se acentuou a partir de 1991, quando o valor ultrapassou o índice geral do Brasil (veja quadro). Com o salto, deixou de pertencer ao quadro caracterizado pelo médio desenvolvimento humano
(IDH de 0,558 em 1970) para entrar no segmento de alto desenvolvimento humano.
Mesma situação
A evolução do quadro de forma menos intensa também se verificou em regiões como Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos. O economista Reinaldo Cafeo explica que o fenômeno aconteceu em regiões onde o crescimento das localidades se avolumou, mas o desenvolvimento com qualidade de vida não seguiu a mesma proporção.
No caso da região de Bauru, ele aponta a falta do que ele denomina de planejamento estratégico. "Quando a região administrativa é encarada como resultado, mas não
é trabalhada com base nisso, fica difícil ter um crescimento induzido que seja proporcional ao de outras regiões", argumenta.
Por esse motivo, ele acredita que a região de Bauru tenha perdido em desenvolvimento humano para a região de Marília, que embora ocupe posição inferior à de Bauru no ranking regional, apresentou crescimento superior nos últimos anos. "Marília soube capitalizar em detrimento de Bauru e acho que isso se deve muito à inoperância da nossa região".
Na opinião do professor de realidade socioeconômica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Amauri de Oliveira, as regiões que apresentam um crescimento mais acelerado tiveram a oportunidade de equilibrar oferta e demanda, ou seja, crescimento e qualidade de vida. Outras, como é o caso de Bauru, não conseguiram fazer o mesmo.
Oliveira ressalta também que as diferenças regionais apontadas pela pesquisa são muito pequenas, evidenciando a tendência de homogeneização da qualidade de vida em todo o Estado. No entanto, ele ressalta que as particularidades locais devem ser levadas em consideração, uma vez que são elas que mostram as desigualdades ainda existentes.
"Isso não pode deixar de ser levado em conta porque as desigualdades são tremendas e estão surgindo com mais força".
Município ocupa 56º lugar em todo Estado
Bauru é o 56º município com melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dentre as 625 localidades do Estado de São Paulo. De acordo com a pesquisa feita pela Secretaria de Economia e Planejamento do Estado, Bauru tem índice de 0,8673, número que o coloca entre as 256 cidades com características de alto desenvolvimento humano.
O componente no qual Bauru apresenta melhor índice é o de esperança de vida, onde o índice é 0,9718. O economista Reinaldo Cafeo tem uma explicação. Segundo ele, o potencial de consumo do Município é grande e aumentou nos últimos tempos a partir do momento em que a cidade deixou de depender exclusivamente do setor público.
"A partir do momento em que fomos perdendo a dependência, tivemos que buscar alternativas", acrescenta.
Ele acredita que a localização geográfica da cidade facilitou a conquista de novas alternativas. Foi assim que Bauru acabou atraindo escritório regionais, empresas com abrangência regional e até estabelecimentos que investem no mercado exterior. "Isso tudo faz com que o PIB cresça", completa.
O segundo melhor desempenho de Bauru está na educação, onde o índice é de 0,8768. O pior índice
é referente à qualidade de vida: 0,7533.
Reinaldo Cafeo diz que o posicionamento de Bauru poderia ser melhor caso houvesse um crescimento ordenado e direcionado da cidade. O professor José Amauri de Oliveira acrescenta que o Município não conseguiu um lugar mais privilegiado porque a fase de crescimento da cidade coincidiu com épocas de grandes crises econômicas em todo o País. "Se tivesse crescido em uma situação mais favorável, talvez estivesse em uma situação melhor", acredita.
No ranking estadual, as dez cidades com melhor IDH são:
Águas de São Pedro, Tupi Paulista, Cruzália, Ilha Solteira, São Caetano do Sul, Dumont, Sales Oliveira, Buritizal, Pedrinhas Paulista e Saltinho. (AA)
Todos municípios têm alto índice de desenvolvimento
Todas as regiões do Estado, com exceção de Registro, apresentam alto índice de desenvolvimento humano, ultrapassando inclusive a média nacional. Os dados da pesquisa do governo estadual apontam um Estado que possui cidades com índices semelhantes ao de países do primeiro mundo.
Acima da região de Araçatuba, que possui o melhor IDH no Estado, encontram-se dez países: Argentina, Coréia do Sul, Itália, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Japão, Estados Unidos, França e Canadá. Já os índices da região de Registro se assemelham mais aos de países subdesenvolvidos, como África do Sul, Argélia e Indonésia.
A pesquisa mostra também que o maior salto das regiões administrativas foi entre 1991 e 1996, quando todas elas - fora Registro - deixaram de pertencer à faixa de desenvolvimento humano médio e passaram para a faixa de alto desenvolvimento. Não foi constatado, no entanto, nenhum município com baixo IDH. (AA)