Campanha antidroga cobra responsabilidade da família
Campanha antidroga cobra responsabilidade da família
Texto: Marcos Zibordi
Todas as residências de Jaú receberão cartilha com informações sobre consumo, dependência e forma de prevenção
Jaú - O Conselho Municipal de Entorpecentes de Jaú, formado por representantes da polícia, de religiões, saúde, educação e comunidade em geral, estão iniciando mais um campanha contra as drogas, desta vez dirigida
à família. "A vantagem do trabalho é a continuidade", avalia Benedito Antonio Valencise, delegado da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes
(Dise) de Jaú.
Esta primeira diretoria do Conselho fez outras campanhas. Numa escola da cidade, com alto índice de criminalidade, uma intensa campanha reduziu o uso e o tráfico. O policiamento constante tem mantido os traficantes longe desse estabelecimento de ensino. "Nós fizemos na escola um curso de capacitação para não existir mais condição propícia ou adequada ao consumo de drogas".
Nesta campanha, 40 mil cartilhas serão distribuídas na cidade, que tem 38 mil famílias. Todas as casas receberão a cartilha, que será entregue pelo Serviço de Água e Esgoto. "Nós temos que atingir a comunidade, jovens, a família. É a seqüência de um trabalho".
A justificativa é que a família é a base de tudo. No entender do delegado, existe um engano muito grande ao pensar que só os jovens de famílias desestruturadas, com problemas sociais, que não conhecem o pai e a mãe podem ter problemas com drogas. Pelo contrário, isso pode gerar um descuido com os filhos de "boas famílias" que, na atual conjuntura social e informacional, têm a mesma possibilidade de acesso às drogas que os outros. "Aqueles filhos de família onde nunca faltou amor também podem ter contato com a droga". A curiosidade, a participação numa aventura, a banalização do uso das drogas podem, segundo o delegado, levar o adolescente ao uso. "Os filhos têm que aprender a tolerar frustrações. Mas isso começa desde os três anos de idade".
A campanha intitulada "Família Vida", deve alertar também famílias que estão omissas na educação dos filhos "para que tomem posição e participem".
Para o delegado, não é reduzindo o tráfico que o consumo vai se reduzir. "Nós temos que trabalhar para reduzir a demanda".
O slogan "Diga não às drogas" é, na opinião do delegado, "um absurdo total". Ele acredita que a negação ao fato pode acabar gerando uma curiosidade prejudicial. "O sim do usuário é muito mais convincente que o não de dentro de casa. Isso
é infrutífero. E mais uma coisa, diga não
às drogas por quê? se às vezes eu preciso de uma droga para um tratamento. O importante não é dizer não às drogas; é dizer sim para a vida".
A visão do delegado vai além. Ele inclui também na lista de drogas aquelas permitidas e provavelmente tão danosas à saúde quanto a maconha e a cocaína. Tabaco e álcool são as drogas que mais matam no mundo. E são liberadas.
Em Jáu, a maconha lidera o consumo. Cocaína e craque estão em seguida. "Mas todas as drogas produzem seus efeitos e são perigosas".
Padres e pastores fazem neste final de semana em Jaú, um alerta para os fiéis sobre a campanha e a necessidade do combate às drogas. Haverá ainda durante a semana, um ciclo de palestras na Câmara Municipal em que os líderes comunitários receberão instruções sobre a psicologia e pedagogia das drogas. Os líderes continurão com o trabalho nos bairros, que já terão recebido a cartilha.